20.12.09

Os anões, o ministro e a burka

Por Ferreira Fernandes

O GOVERNO FRANCÊS quer proibir as vestes islâmicas integrais nos locais públicos. A burka que envolve o corpo das mulheres da cabeça aos pés, com uma ligeira abertura nos olhos.
O ministro Eric Besson, da Imigração, anda a convencer os deputados. Discutiu questões conceptuais, laicismo, igualdade das mulheres... Questões capazes de entreter juristas como a discussão do sexo dos anjos ocupou os sábios bizantinos.
Mas os deputados, mesmo os formados em Direito, já têm o curso tirado quando andam à caça dos votos e falam com o homem do talho, e gostam de argumentos concretos. Besson deu-lhes um: "Olhem, isto é como o lançamento dos anões." Surpresa. O ministro explicou: as correntes islâmicas que defendem a burka argumentam que as mulheres exercem a sua liberdade em querer andar assim, certo? Pois era exactamente o argumento dos patrões das discotecas onde anões ganhavam a vida deixando-se ser lançados contra redes: perguntem aos anões, eles gostam! Porém, em 1995, o Conselho de Estado francês proibiu o lançamento de anões por ser contra a dignidade humana.
As mulheres islâmicas são menos que os anões? Como a pergunta do ministro não foi feita a certos xeiques, mas a deputados de uma democracia em 2009, talvez a burka seja banida de Paris.

«DN» de 19 Dez 09

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4 Comments:

Blogger António Viriato said...

Eis um comentário inteligente e oportuno.

Veremos se a Pátria dos Direitos do Homem, da Igualdade, da Fraternidade e da Solidariedade acorda para esta realidade : as vestes que confirmam, reforçam e prolongam o estatuto de subalternidade da Mulher na sociedade, em qualquer parte do Mundo, no seio de qualquer prática religiosa, devem ser banidas dos ambientes públicos franceses.

Se a França aceitar estas «especificidades culturais», a coberto do suposto respeito das variantes multiculturais e religiosas, estará a desonrar vários séculos de História.

Sarkozy vai ser posto à prova e com ele toda a reputação cultural da França.

20 de dezembro de 2009 às 23:00  
Blogger Sepúlveda said...

A mutilação genital praticada por algumas "culturas" também é ao gosto do mutilado? Essa é óbvia. A do rosto coberto, não tanto.

Há ainda outra razão, que é a da segurança. Não podemos andar todos irreconhecíveis de gorro passa-montanhas, ou podemos?

21 de dezembro de 2009 às 00:18  
Blogger Ribas said...

Não esqueçamos que os anões rolantes eram usados e explorados pelo lucro, tal como os animais do circo, recentemente proibidos em Portugal. Como reagiria o governo francês, se após a proibição das vestes islâmicas, se assistisse à debandada daquelas populações islâmicas, não por serem expressamente expulsas, mas implicitamente, pois o país que as havia acolhido e que escolheram como pátria, o país onde nasceram, tiveram filhos e netos, de repente lhes puxasse o tapete. Qual expulsão dos jesuítas, versão contemporânea. Pelo menos que se fizesse um referendozito, secreto, dirigido apenas a senhoras islâmicas, para se apurar directamente da fonte, se usam ou não, voluntariamente as suas burcas. Violência Doméstica é sempre crime, independentemente das “especificidades culturais” de cada um. Usar uma peça de vestuário, tape lá ela a cara ou as orelhas é para mim a mesmíssima coisa que uma tatuagem ou um piercing no meio dos olhos.

21 de dezembro de 2009 às 00:35  
Blogger Manolo Heredia said...

Não esqueçamos que são cidadãos franceses que lutam pela liberdade de vestirem como lhes apetece.
Depois chamam reaccionários aos que se insurgem contra a importação de outras culturas para a Europa, por motivos económicos. Isto é, para haver trabalhadores baratos a recolher o lixo, na construção civil, eetc., a fazer trabalhos que os europeus consideram menores.

21 de dezembro de 2009 às 14:30  

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