31.5.11

Sete ideias para os jovens que vão a exame!

Por Nuno Crato

DENTRO DE ALGUMAS semanas, milhares de estudantes do Ensino Básico e Secundário terão exames. Sabemos que as provas nem sempre estão bem feitas, que são menos frequentes do que deviam, que não têm o grau de exigência necessário e que, muitas vezes, os enunciados são enganosos. Mas isso neste momento pouco importa. Para os estudantes, para os pais que os acompanham e para os professores que os apoiam, o que agora interessa é aproveitar estas últimas semanas. Ainda há tempo para muita coisa, desde que se trabalhe. Talvez algumas das ideias seguintes sejam úteis.

Primeira ideia: Programar o estudo. É um dos factos mais surpreendentes da vida: traçar objectivos é meio caminho andado para os atingir. Isso é verdade na escola, na política, no desporto, nas empresas. Pode-se trabalhar muito, pode-se estar o dia todo ocupado e parecer que não se consegue fazer mais nada. Mas quando se perde um pouco de tempo a pensar e organizar a vida, consegue-se fazer mais. Daqui até às provas há ainda algumas semanas; por que não fazer uma lista das matérias prioritárias e planear dominá-las, com objectivos traçados semana a semana e dia a dia? Depois, é controlar o plano de estudo. Basta perder cinco minutos ao fim do dia para verificar o que se fez e não se fez e o que é preciso fazer para recuperar o tempo perdido.

Segunda ideia: Testar o que se sabe. É uma das descobertas mais sólidas da psicologia cognitiva moderna: as avaliações são um auxiliar importantíssimo do estudo; muitas vezes aprende-se mais enquanto se pensa como responder a um teste ou a verificar onde se errou, do que no estudo calmo e descontraído. A resolução de testes e exercícios é fundamental.

Terceira ideia: Voltar atrás quando não se percebe. Andar muito tempo à volta de um exercício ou de um conceito e não o conseguir entender é habitualmente sintoma de que há algo para trás que não se percebe. Não vale a pena fingir que se saltam obstáculos.

Quarta ideia: Perceber e decorar, decorar e perceber. Ao contrário do que recomendam algumas teorias pedagógicas ultrapassadas, a memorização não é inimiga da compreensão. As duas coisas são necessárias e reforçam-se mutuamente. Saber de cor uma fórmula pode ajudar a perceber um conceito e perceber um conceito pode ajudar a decorar uma fórmula útil.

Quinta ideia: Nem sempre o que parece mais fácil é o melhor. Entre ler um romance que se sabe que pode aparecer num exame e estudar um resumo, muitos jovens preferem ler o resumo. Que erro! Ler um romance é mais divertido, aprende-se mais, compreendem-se melhor os personagens e fixam-se melhor os pormenores.

Sexta ideia: Chegados ao exame, por mais difíceis que as questões pareçam, não desanimem. Muitas vezes, precisamos de algum tempo entre ler uma pergunta e ter a ideia da resposta. Leia-se segunda vez, terceira vez, com calma. Afinal a resposta pode ser simples.

Sétima ideia: Por mais simples que as questões sejam, não desanimem. Na Prova Intermédia de Ciências Físico-Químicas do 9.º ano feita este mês pelo Ministério, enunciavam-se um a um os nomes dos planetas do sistema solar e depois perguntava-se «o sistema solar é constituído por quantos planetas?» Muitos jovens podem não ter respondido por pensarem que havia algum truque. Não podia ser verdade! Não faz sentido perguntar a um aluno do 9.º ano se sabe ou não contar até oito! Mas era verdade.

«Números e Letras» - «Expresso» de 28 Mai 11

Etiquetas:

4 Comments:

Blogger José Batista said...

Caro Professor Nuno Crato:

A sua sétima ideia é tão curiosa quanto pertinente.
Há porém exames que têm particularidades muito próprias e resultados (tão) extraordinários que merecem uma reflexão específica. É o caso da disciplina de Biologia e Geologia do ensino secundário. Os motivos são vários, com a fatalidade de contribuirem "harmoniosamente" para o mesmo desfecho. A saber (de modo resumido):

- Um programa que, pelo menos no ano I (10º Ano), mais parece ter sido feito para impedir que os alunos aprendam e que os professores consigam ensiná-los: é uma catadupa de assuntos, tocados pela rama, sem lógica de conteúdos ou sequência ou articulação (dizem-me que é uma coisa extraordinária de "ensino em espiral", que eu vejo mais como uma espiral de incompetência e irresponsabilidade...). Pelos idos de 2003/04, esforcei-me junto de organizações como a Associação de Professores de Biologia e Geologia e da Ordem dos Biólogos para que sobre tal programa manifestassem as devidas reservas, mas, debalde. E eu já dava de barato o "eduquês" miserável em que está redigido. Sem qualquer efeito.

- Depois há os exames, dizem-me que verificados por especialistas (!?), que têm uma concepção extraordinária, com perguntas mal amanhadas, algumas das quais deixam perplexos os próprios professores, às vezes erradas (ex: o ano passado havia uma pergunta que, de entre várias opções, relativas a métodos de datação radioactiva, exigia uma que estava... errada!; e o GAVE, mesmo depois de alertado insistiu no erro, que manteve até final; se não estou enganado houve apenas um aluno, a nível nacional, que conseguiu 20, e consegui-o, com uma resposta errada!; quem se pronunciou há uns meses sobre essa situação específica foi o Professor Carlos Fiolhais), outras vezes exigindo o contrário do que se recomenda no programa (ex: em matéria de ciclos de vida, o programa recomenda que sejam abordados ciclos de fácil compreensão, de seres do conhecimento dos alunos, mas nos exames saem normalmente ciclos incomuns, às vezes suportados em esquemas mal adaptados, como aconteceu com o ciclo de vida do nemátodo do pinheiro: o esquema original, mesmo em inglês, era preferível, porque... entendível!) e outras ainda fazendo perguntas que não fazem parte do programa nem do 10º nem do 11º ano (ex: na pergunta 7 do grupo II, do exame da 2ª fase de 2010, pede-se ao aluno que "explique em que medida as micorrizas contribuem para a prática de uma agricultura sustentável", sendo que, há vários anos que as micorrizas deixaram de ser abordadas em qualquer programa de biologia do ens. secundário).

- E há também os critérios de correcção que às vezes são tão abstrusos, que correspondem mais à intenção/imaginação(?) dos fazedores das provas do que a qualquer resposta que os professores correctores consigam antever (este facto é comum nas conversas entre professores classificadores, embora menos assumido do que o desejável em "letra de forma", sendo que, quando o é, cai em saco roto...).

Do facto de o exame se estender por 15 ou 16 páginas, da inutilidade de tanto papel para saber se um aluno sabe, e do desperdício de dinheiro, energia e "árvores" nem é preciso falar...

E a diferença de cerca de quatro valores e meio entre as classificações internas das escolas e as obtidas em exame não é tanto um escândalo com razões claras, é mais um aspecto que pode contribuir para se argumentar que o ensino é, afinal, rigoroso, e que os professores são uns incompetentes e irresponsáveis inflaccionistas... Etc.
Ressalvando o caso da matemática, que aí as coisas (já) estão bem ou a caminho disso. Pelo menos na estatística. E no que suponho ser a opinião da Associação de Professores daquela disciplina...
Haja fé.

1 de junho de 2011 às 09:34  
Blogger João Gonçalves said...

Acho uma vergonha o exame de matemática deste ano...

21 de junho de 2012 às 18:34  
Blogger João Gonçalves said...

Apenas espero que o exame nacional de Física e Química não siga o absurdo grau de dificuldade imposto no teste de Matemática...
Se esse for o caso, o trabalho de 3 anos de muitas pessoas irão cair por Terra devido ao seu trabalho e dos seus colegas...
Por favor, pensem antes de agir...

21 de junho de 2012 às 18:36  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caríssimo J. Gonçalves,

Este 'post' tem mais de um ano, pelo que duvido que tenha muitos leitores.

De qualquer forma, os seus comentários serão reencaminhados para o Nuno Crato.

21 de junho de 2012 às 18:42  

Enviar um comentário

<< Home