16.6.11

Togas da tanga

Por Ferreira Fernandes

O CENTRO de Estudos Judiciários (CEJ) fez um exame a 137 candidatos a juízes e procuradores do Ministério Público. Isto é, examinou gente que no futuro vai investigar para que se faça justiça e gente que vai fazer justiça. Os examinadores do CEJ consideraram que "a esmagadora maioria dos testes tinha muitas respostas parecidas ou mesmo iguais". Copianço generalizado, pois. Ou quase generalizado, já que talvez tenha havido quem não tenha aceitado a trafulhice.
Perante a impossibilidade da destrinça - entre os aldrabões e os outros -, o CEJ decidiu-se pela justiça salomónica: pegou na espada e rachou ao meio os 20 valores máximos do exame: deu nota 10 a todos (como a média costuma ser 13 ou 14, o 10 serviu de sanção). E foi assim que de pequenino se não torceu o pepino destes futuros magistrados.
Dificilmente se podia ter encontrado solução mais injusta: os trafulhas, que deviam ter tido 0 (e convidados a ir vender cautelas premiadas aos donos de fortunas ilícitas), tiveram 10; os alunos dignos, que deviam ter tido a sua verdadeira nota, tiveram a nota do arranjinho; e o CEJ, que não soube prever o problema, não foi obrigado a fazer novo exame.
Ah, já me esquecia: o teste era sobre Investigação Criminal! Depois admirem-se que os filhos destes exames, não sabendo investigar, se safem fornecendo a jornalistas, rafeiros como eles, fugas ao segredo de Justiça. São fugas nota 10.
«DN» de 16 Jun 11

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3 Comments:

Blogger GMaciel said...

Este o estado amoral do país. Depois de um PM com um canudo tirado na farinha amparo - para usar uma expressão antiga - de gestores da treta igualmente amparados pela dita farinha, de exames nacionais que mais parecem anedotas, etc, etc, etc... o que mais se pode esperar a não ser a contaminação geral pela mediocridade?

Há quantos anos apascentamos nós sobre as mil e uma suspeitas de corrupção, falcatruas e manigâncias ao mais alto nível e em todos os aspectos da vida civil, política e militar? Desde quando desdenhamos a possibilidade de uma cunhazita para aquele problemazito que temos de ultrapassar?

Temos o que merecemos.

16 de junho de 2011 às 14:41  
Blogger Teófilo M. said...

Estamos a falar de futuros magistrados!
Que exemplo deu o CEJ aos alunos de outros cursos que não venham a ser magistrados, mas apenas, engenheiros, médicos, historiadores, professores, jornalistas, professores, políticos, advogados, filósofos, enfermeiros, etc.
E em que imbróglio meteu os professores quando estes apanhem os alunos em copianço desenfreado?

16 de junho de 2011 às 16:33  
Blogger José Batista said...

Caro Teófilo M.

A situação dos professores já é, ela mesma, um tal imbróglio que, com este caso ou sem ele, pouco se altera.
E não se admire até de haver quem venha a culpar (pela situação) os professores que tiveram estes futuros magistrados por alunos. Aos pais deles é que eu não creio que alguém "responsabilize", embora admita que alguns nomes possam ser chamados às suas mães...
Mas a onda não passará disso mesmo...
Sendo que, às portas dos exames nacionais do ensino básico e secundário, não é impossível que tal onda tenha tendência a alastrar...
Batamos três vezes na madeira.

16 de junho de 2011 às 20:04  

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