14.12.11

Jornalismo de causas

Por Helena Matos

MINISTRA das Finanças australiana foi “pai” de uma menina – Estamos no domínio da gracinha: a ministra foi pai.

A ministra australiana das Finanças, Penny Wong, assumidamente lésbica, e a sua companheira Sophie Allouache foram mães pela primeira vez graças a um tratamento de inseminação artificial, noticiou a imprensa local. - Agora a ministra e a sua companheira foram ambas mães. Não há pai.

Allouache deu à luz Alexandra no domingo num hospital em Adelaide, no sul da Austrália. “É maravilhosa”, disse a ministra australiana, que será reconhecida como a outra mãe de Alexandra e terá os direitos de um pai biológico segundo as leis aprovadas durante o anterior governo trabalhista de Kevin Rudd. – Baralha e torna a dar: Sophie Allouache foi mãe, a ministra que é definida como “a outra mãe da criança” terá os direitos de um pai biológico. Mas se a ministra é a outra mãe como pode ter direitos de pai biológico? E já agora que direitos tem o pai biológico?

Penny Wong disse que o pai biológico da sua filha, que é amigo do casal, conhecerá Alexandra, mas não dará a conhecer a sua identidade, segundo o diário The Australian. – Ficámos esclarecidos: o pai biológico não reivindica os seus direitos. Ou melhor dizendo «não dará a conhecer a sua identidade» Mas não dará a conhecer a sua identidade a quem? Aos jornalistas ou à filha? Note-se que esta fantasia familiar exclui o direito da criança a conhecer o pai – voltou modernizado o outrora odioso pai incógnito desde que a grávida seja lésbica – e mais bizarramente ainda parece ler-se na notícia que o pai conviverá com a criança sem se dar a conhecer enquanto pai. Ou seja entre os direitos do casal de lésbicas a brincar às mães e aos pais mais o direito do pai biológico a não se assumir enquanto tal parte-se do princípio que a criança não tem direito a saber quem é o seu pai. Quanto a quem vai desempenhar esses papel junto dela presume-se que seja a ministra que também é mãe mas tem direitos de pai biológico. Enfim, esperemos que a criança seja de facto maravilhosa e que um dia não lhes pergunte se alguma vez pensaram nela.
«Blasfémias.Net»

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1 Comments:

Blogger José Batista said...

Ou jornalismo de corjas?

15 de dezembro de 2011 às 21:46  

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