7.12.12

E por falar tanto em centenários...

Por Ferreira Fernandes
A GRANDEZA de Oscar Niemeyer é a arquitetura mas, convenhamos, pequenina parte da comoção geral foi pela sua morte aos 104 anos (e para a semana seriam 105). Ele morreu na quarta, e na terça morreu a americana Besse Cooper, de 116 anos, a decana dos homens e mulheres (nascida em 1896, podia tratar Niemeyer de garoto: ela viveu em três séculos e o brasileiro, só em dois). 
No mesmo dia em que os jornais falavam destes velhinhos, em Londres, o velho The Times dedicava três páginas à morte de Elisabeth Murdoch, de 103 anos, mãe do patrão, o célebre Rupert Murdoch. Não, não se trata de uma estranha vaga de centenários, eles andam mesmo por aí. E vão andar mais: The Times lembra que o Instituto de Estatísticas britânico previu que um terço dos bebés nascidos em 2012 chegaria aos 100 anos. 
A questão passa a ser: e vale a pena? Millôr Fernandes, que morreu também este ano - mas, ele, muito novo, aos 88 anos (ele dizia: "Chegamos a velho quando começamos a achar que todo o mundo está a morrer muito moço") -, Millôr, dizia eu, tinha uma visão amarga sobre o assunto: "O jovem não vai ficando mais jovem mas o velho fica cada vez mais velho." A solução está numa alforreca, a Turritopsis dorhnii. Não, não é para tomar em pó, é para imitar, falta é saber como. As suas células renovam-se e com o tempo a alforreca retorna à infância. Uma vez já deu certo com os homens. Mas foi em Hollywood, no filme O Estranho Caso de Benjamin Button.
«DN» de 7 Dez 12

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