4.1.13

«Removido» da SIC-Notícias

Por Alfredo Barroso 
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CAROS amigos (poucos), simpatizantes (alguns) e conhecidos (muitos),.
.Cumpro o «doloroso dever» de participar – para gáudio de quem detesta as minhas opiniões e não me pode ver nem pintado – que fui, no dia 2, «removido», por telefone, do programa «Frente-a-Frente» da SIC Notícias, no qual participava desde o ano de 2004.
Digo «removido», porque me parece ser um bom compromisso entre o termo «dispensado» (politicamente correcto) e os termos «despedido» ou «corrido» (politicamente incorrectos). Justificações da «remoção»:
 i) necessidade de «renovar» a lista de «paineleiros», naturalmente «remoçando-a» (presumo que um velho rezingão como eu será substituído por um daqueles moçoilos geniais que agora dirigem o PS);
 ii) deixar de pagar as participações no «Frente-a-Frente» (150 euros cada uma), porque a SIC Notícias está paupérrima e passará a aceitar apenas «voluntários» (claro que tiveram o cuidado de não me perguntar se eu queria ser um deles…).  
Terminam assim 17 anos consecutivos de colaboração com órgãos de comunicação social do grupo «Impresa»: oito anos e meio como cronista do EXPRESSO, de que fui removido no auge da invasão do Iraque; outros oito anos e meio como colaborador da SIC Notícias, de que fui removido no auge da «guerra» declarada há poucos dias pelo «megafone» de Vitor Gaspar, Pedro Passos Coelho. Suponho que é uma «guerra» contra a esmagadora maioria dos portugueses, que continuam a empanturrar-se de bifes todos os dias…
Mas é claro que não deixa de ser exaltante imaginar a satisfação que esta notícia irá causar em figuras tão proeminentes como a augusta vice-presidente (da AR) Teresa Caeiro, o austero advogado José Luís Arnaut ou o venerável empresário Ângelo Correia – que se recusavam a enfrentar-me há já alguns meses com o beneplácito dos responsáveis pelo programa.
Não ignoro, todavia, que o gáudio não se confina ao chamado «arco do poder», nos seus três tons habituais: cor de laranja azeda, azul cueca e cor-de-rosa fanada. Também vai entrar de roldão em alguns órgãos de comunicação social do regime, politicamente correctos, onde não faltam opinadores tão chatos ou peneirentos como «intocáveis», e digníssimos «pilares» do statu quo que não apreciam dissidências políticas nem franco-atiradores (a não ser quando haja escândalo que aumente as audiências e/ou os leitores).
A única coisa que se me oferece dizer, sem me rir, neste momento, é a seguinte: quando se perde poder ou a aparência dele, por mais ínfimo que seja; quando não se tem a protecção de um partido, ou de uma «igreja», ou de uma associação «cívica» semi-clandestina, ou de um grupo de pressão, ou de um «sacristão», ou de um «patrão», ou de um «padrinho», etc., etc., etc. – o «lonesome cowboy» escusa de armar ao pingarelho, e não tem outro remédio se não o de meter a viola no saco e ir para a caça aos gambozinos.
Saudações democráticas,
Alfredo Barroso

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3 Comments:

Blogger A. João Soares said...

E assim se caminha para, dentro em pouco, só haver no País pessoas a aplaudir a «brilhante» governação do Gaspar e de Passos. Os que eventualmente discordarem de algum pormenor ou o dizem de forma politicamente correcta ou estão tramados. E há-de continuar a ouvir
-se «viva a liberdade democrática» dos que aplaudem.

Cumprimentos

4 de janeiro de 2013 às 16:09  
Blogger Carlos Esperança said...

A estratégia se Passos/Relvas e Portas vai reduzindo Portugal a uma única voz.

Nesta deriva totalitária há sempre vozes que resistem e pessoas que dizem «não».

Até quando abusarão da nossa paciência?

A minha solidariedade inequívoca ao dr. Alfredo Barroso.

5 de janeiro de 2013 às 13:46  
Blogger Paulo Rato said...

É por estas razões que um serviço público de televisão, passível de submissão ao escrutínio dos cidadãos (para cujo cabal exercício ainda é necessário algum aperfeiçoamento dos instrumentos para tal já disponíveis), É INDISPENSÁVEL À MANUTENÇÃO DA DEMOCRACIA (minimamente merecedora do nome). Sem ele, resta a arbitrariedade inescrutinável dos operadores privados, da sua “livre iniciativa” e dos inegáveis “benefícios da concorrência” para a obtenção de audiências cada vez mais vastamente imbecilizadas e incapazes de: a) terem memória dos acontecimentos polícos; b) dela retirarem as devidas consequências quando, repartidas em cidadãos, vão votar.
E é por terem uma ideia, mais ou menos “em bruto” (mais não é de esperar das bestas quadradas instaladas no Governo gasparo-leporídeo, dos deputados seus apoiantes e dos “bois” carnívoros que vão lambendo o unto que escorre da mesa do orçamento), das chatices que lhes traz o tal serviço público e a liberdade real que os seus profissionais aí podem ter – assim o queiram eles -, o que (não tenhamos ilusões) não acontece nos operadores privados – ainda que o disfarcem, autorizando algumas “denúncias” parcelares que não belisquem o “sistema” -, que Relvas e companhia querem privatizar o que puderem (e os deixar, por criminosa inércia, incapacidade ou servilismo político, o chamado Tribunal Constitucional) da RTP.
Quanto ao Tribunal Constitucional, que ninguém se espante por, infelizmente, não me merecer – globalmente (salvaguardando algumas individualidades) – qualquer contenção nas palavras: basta ler as “declarações de voto” dos seus membros que apoiaram, na totalidade, a decisão sobre o anterior OE (é inconstitucional, mas só pró ano!…) ou dos que a ela se opuseram, em defesa das criminosas medidas governamentais (incluem, para amargo gáudio do seus leitores, “redacções” gramaticalmente inaceitáveis ou o ridículo uso de palavras “caras” cujo significado o(a)s autore(a)s visivelmente desconhecem!); ou atentar na ausência de uma reacção firme e clarificadora, perante as tentativas de pressão espúrias – e boçais – que se têm verificado, a propósito da análise das inconstitucionalidades do OE para 2013. Esperemos, para ver se tal tribunal (em tempos prestigiado) ainda existe…
(Este comentário também foi publicado no blogue "aviagemdosargonautas"

10 de janeiro de 2013 às 04:01  

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