10.2.13

Temos de copiar os alemães, é?

Por Ferreira Fernandes
OS POLÍTICOS de todo o mundo têm interesse em apagar os sinais exteriores de riqueza. A ostentação leva à inveja, esta leva ao escrutínio dos felizardos e a investigação acaba por destapar alguns podres. Já na Alemanha, os políticos têm de esconder os seus títulos académicos. Ontem, a prof. dr. Annette Schavan, ministra da Educação, teve de se demitir porque plagiou a sua tese de doutoramento. O irónico é que a própria demissão parece plágio de uma situação recente. Ontem, a ministra Schavan mais uma vez não foi original: em 2011, já o ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, teve de se demitir, também por plágio académico. 
Aqui chegados, apetece julgar os companheiros de Angela Merkel como viciosos do xerox, professores doutores da treta que assinam textos sábios que não são seus. A generalização parece justa porque, também recentemente, dois membros alemães do Parlamento Europeu foram acusados de plágio. Ora, se é verdade que demasiados alemães se apropriam das teses alheias, não está garantido que o vício seja exclusividade teutónica. Se políticos alemães são apanhados nesse pecadilho e os dos outros países nem tanto, talvez seja porque os alemães adoram policiar os textos académicos. Há vários sites que ajudam nessa caça. Enfim, em tese, um povo complicado... 
Como é difícil explicar-lhes a simplicidade de um povo onde só se demite um ministro quando ele faz corninhos no Parlamento.
«DN» de 10 Fev 13

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