26.3.13

«Dito & Feito»

Por José António Lima
CIRCULA aí pela net, entre muitas fotomontagens verrinosas e piadas corrosivas sobre o Governo, uma sucessão de imagens de Passos Coelho – em 2011, em 2012 e em 2013 – prometendo repetidamente o fim da recessão e assegurando que o ano seguinte – no caso, 2012 ou 2013 ou 2014 – assinalará o início da recuperação económica.
O problema dessa ilustração humorística, para lá da sua acidez crítica, é que ela corresponde sem exageros à verdade dos factos. Passos Coelho afirmou mesmo aos portugueses, tanto em 2011 como em 2012 ou em 2013, que a viragem para o crescimento positivo da economia ocorreria com toda a certeza num qualquer trimestre do ano seguinte, ano esse que já foi atirado para 2015 ou 2016.
O primeiro-ministro falhou redondamente nas suas promessas voluntaristas. Tal como o ministro Vítor Gaspar tem errado cada vez mais estrepitosamente nas suas previsões sobre a economia e as finanças do país. Ao ponto de os resultados da sétima avaliação da troika o terem forçado a nova pirueta nos números que já corrigira um mês antes... Até o défice de 2012, que o ministro das Finanças anunciara há pouco ter ficado em 4,9% do PIB, acabou por disparar para os 6,6%.
Acontece que, num poder político desgastado e desacreditado pela crise e a austeridade, Passos Coelho e Vítor Gaspar ainda constituíam, para lá do desagrado provocado pelas suas políticas, a reserva de rigor e seriedade que restava na imagem do Governo. A qual assegurava, aos olhos de uma parte dos portugueses, os índices mínimos de confiança e esperança no rumo de ajustamento seguido pela governação do país. Ora, a sucessão de erros e inverdades nas previsões e promessas de Passos e Gaspar acaba por atingir a sua própria seriedade e credibilidade políticas. O que é fatal.
É este Governo que se assemelha agora a uma nau à deriva, sem rumo certo, sem responsáveis de confiança ao leme e com uma tripulação destroçada pelo desânimo. Um Governo que se arrisca a naufragar no embate com uma das próximas intempéries: o chumbo do OE pelo Tribunal Constitucional, o anúncio em Maio dos cortes de 4 mil milhões ou a hecatombe eleitoral nas autárquicas. Teme-se o pior. 
«SOL» de 22 Mar 13

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2 Comments:

Blogger José Batista said...

Sim, teme-se o pior.
Estes governantes, particularmente os referidos no texto, são por demais incompetentes. Nem é preciso falar no Relvas, um caso notável, por maus motivos.
Tão incompetentes e pouco confiáveis como os que os antecederam.
E a alternativa não se vê, pelo menos eu não a vejo.
O que será "o pior"?
Conseguimos imaginar?

26 de março de 2013 às 19:33  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O Sun Tzu dizia que não se deve cercar totalmente um inimigo em vias de ser derrotado, mas sim deixar-lhe um espaço para fugir.
No drama europeu (ou do Ocidente?), o pior parece ser o facto de não se ver saída!

Dantes, estas situações degeneravam em guerras ou revoluções, que acabavam por "resolver" os problemas. Depois, com a "reconstrução", vinham períodos de prosperidade (a que preço!)
Mas agora...

26 de março de 2013 às 20:48  

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