15.4.21

Erdogan – O execrável proto-califa misógino

Por C. B. Esperança


O mais grave incidente diplomático surgido com a União Europeia, nos últimos tempos, foi desvalorizado pela ocorrência de outras notícias relevantes e pela benevolência com que a abominável misoginia islâmica é tolerad
em nome da liberdade religiosa.

Numa deslocação do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a Ancara, só o anfitrião, Recep Tayyip Erdogan, e Charles Michel tiveram direito a sentar-se em cadeiras. Este facto repulsivo merece ser execrado. À alta dirigente da UE foi reservado um lugar à distância tolerada pela pudicícia do Irmão Muçulmano.

Independentemente do comportamento de Charles Michel, conformado com a situação e cuja cobardia o torna indigno do cargo que ocupa, a ofensa a Ursula von der Leyen teve na beata misoginia islâmica a origem da ofensa à mulher, à dignidade do seu cargo, à civilização e aos direitos humanos.

Não há razões de Estado que permitam tolerar a discriminação da mulher, as ofensas de trogloditas às conquistas do Renascimento, do Iluminismo e da Revolução Francesa, os preconceitos religiosos que colidam com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Tal como um Presidente da República humilha o seu País quando se genuflete e oscula o anelão de um bispo ou do Papa, também, e de forma mais gravosa, um biltre de uma religião concorrente ofende a civilização e a decência quando desvaloriza as mulheres.

Os abjetos beatos só existem porque tiveram mãe, mas o veneno vertido num manual da Idade do Bronze, por um analfabeto amoral, continua tolerado com a desculpa do respeito à religião.

A União Europeia foi deliberadamente rebaixada pelo biltre misógino que, em idênticas situações anteriores, quando os dois representantes da UE eram machos, dispunha de três cadeiras. 

A injúria é ainda mais grave por acontecer após o abandono pela Turquia da Convenção de Istambul, que obriga à defesa da igualdade de género, pouco tempo antes da reunião que deu origem a este incidente diplomático. Foi agravada por ser Ursula von der Leyen uma tenaz defensora da igualdade de género, como se exige a homens e mulheres civilizados, e por ter ocorrido quando se pretendia discutir matérias relacionadas com os direitos das mulheres na Turquia, a par da ocupação ilegal de parte do território da República de Chipre pela Turquia e dos refugiados das guerras retidos por Erdogan a troco de pingues pagamentos da UE.

Desprezo qualquer religião, ideologia ou partido político que ameace a igualdade entre homens e mulheres.

Em nome da liberdade, da civilização e da decência, por amor à mãe que me criou, à mulher que tenho, à filha que fiz e às netas que vieram, hei de anatematizar todas as religiões, partidos políticos e tradições que discriminem a mulher, e sentirei aversão por homens e mulheres que defendam ou se conformem com tão abominável tradição.

O fascismo islâmico até a cabeça das mulheres perturba, como se vê pelas declarações da mulher de Erdogan, há dois anos:

Ponte Europa / Sorumbático

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