17.4.21

Se bem me lembro...


EMBORA
já tenham passado quase três décadas, certamente não falta quem se lembre do programa de TV “O Juiz Decide”. Tratava-se de uma encenação, mas o facto de os figurantes serem desconhecidos e bons actores, tornava os “julgamentos” bem credíveis. 

Os casos eram conflitos do dia-a-dia, envolvendo quase sempre duas pessoas, e eram perfeitamente plausíveis (dizia-se que alguns eram mesmo reais), e os juízes (conhecemos dois) eram verdadeiros magistrados, embora jubilados.

Mas o que tornava o programa verdadeiramente aliciante era a sua imprevisibilidade.

Eu explico:

Quando acabavam os interrogatórios e as alegações, havia um intervalo, em que o público televisivo era convidado a dar, por telefone, o seu palpite acerca da sentença que havia de vir logo a seguir, podendo escolher apenas entre duas opções.

Pois bem; o que sucedia (sem apelo nem agravo — o locutor até dizia “O juiz decidiu, está decidido!”) era SEMPRE O OPOSTO daquilo que, ao cidadão-comum, parecia lógico e óbvio — e quase sempre por grande margem.

Claro que isso dá que pensar, pois, entre vários atributos que esperamos da Justiça, a lógica (a par da celeridade) está em primeiro lugar.

Aqui chegados, e tendo em conta “aquilo de que toda a gente fala”, partilho uma reflexão que muitas vezes fiz:

Dado que houve DOIS juízes, será que, se o mesmo julgamento tivesse sido feito pelo “outro”, o resultado teria sido diferente? Mas a questão não faz sentido, pois nunca havia sobreposição, nem no tempo nem nas causas julgadas, além de que a própria concepção do programa colocava completamente fora de causa que o juiz mais recente se pronunciasse sobre os casos que haviam sido julgados pelo anterior — mas, se calhar, era só por isso...

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1 Comments:

Blogger 500 said...

Recordo-me desse programa mas, confesso, não sei se acertei sempre na decisão.

18 de abril de 2021 às 21:22  

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