19.5.05

O glorioso Sarrafusquense F. C.

(Clicar na imagem para a ampliar)

UM DIA DESTES, deparei-me com um bando de garotos que, no meio de grande algazarra, perguntavam a quem passava se era do Benfica ou do Sporting.

As pessoas, em geral, achavam-lhes graça e lá respondiam uma coisa qualquer - ou a verdade, ou o que lhes vinha à cabeça - só para se verem livres deles.

Mas a cena mais engraçada passou-se com um estrangeiro que, por mais que se esforçasse para ser simpático, não o conseguia porque, pura e simplesmente, a pergunta não lhe dizia nada - aliás, nem sequer a percebia.

O pior é que os putos não o largavam! Talvez encorajados por verem que ele só se ria, iam atrás dele, em grande grita, puxando-lhe pelo casaco e continuando a questionar: «Ó senhor! Ó senhor! Você é Benfica ou Sporting? É Benfica ou Sporting?».

Até que um velhote, que ia a passar, se condoeu do homem e respondeu por ele, inventando uma resposta libertadora: «Não macem o cavalheiro! Ele é meu amigo, e sei que não é do Benfica nem do Sporting. É do Sarrafusquense».

Depois de uma primeira reacção de incredulidade, todos se riram (até o estangeiro, que pareceu perceber a graça), cada um foi à sua vida, e a brincadeira - pelo menos essa - acabou.

Salvo melhor opinião, é uma coisa semelhante o que se prepara para o referendo europeu - e, neste caso, a "brincadeira" ainda agora vai no início, porque querem por força que respondamos "sim" ou "não" a uma questão sobre a qual ninguém se dá ao incómodo de nos esclarecer...

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Uns, gritam que votemos "sim", mas não explicam porquê.

Outros, berram que votemos "não", mas são tão esclarecedores como os primeiros.

Tanto uns como outros, querem que votemos juntamente com a escolha dos senhores para a Junta de Freguesia!

Não estará tudo doido?

Ed

19 de maio de 2005 às 21:52  
Anonymous Anónimo said...

E que tal votarmos no Sarrafusquense?

D.

19 de maio de 2005 às 22:48  
Anonymous Anónimo said...

Não sei se o Pacheco Pereira tem razão ou não.
O que sei, é que quando aparece alguém a defender o «não», os outros do «sim» desatam aos saltos.
E isso só pode ser bom, pois tanto uns como outros são obrigados a explicar porque defendem uma coisa ou outra.
Mas as pessoas vão acabar por votar segundo mandam os partidos em que normalmente votam.
Sendo um voto «não-esclarecido», só pode ser uma farsa, um arremedo de democracia.

E.R.R.

19 de maio de 2005 às 22:53  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Ainda esta semana Vital Moeira declarava uma "heresia":
Ao contrário do que possa parecer, um referendo pode não ter nada de democrático.

A começar pelo facto de votar sim-ou-não em questões que não são bi-polares.

Não há conversa mais irritante do que quando o interlocutor nos faz uma pegunta e nos dá a lista das únicas respostas que aceita (nomeadamente se são S/N).

19 de maio de 2005 às 22:58  
Anonymous Anónimo said...

"não explicam porquê"

E que tal ler a constituição? Não funcionará? Fica tudo esclarecido... para o sim, para o não, ou para alguma coisa intermédia. Talvez colocar a cruzinha a meio...

20 de maio de 2005 às 10:09  
Anonymous Anónimo said...

Claro, ler a Constituição é fundamental. Aliás, só deverá votar que a tiver lido toda.

Embora seja um pouco mais longa do que a da República Portuguesa, não é nada que esteja fora do alcace do cidadão-comum.
Apenas será necessário fazer uma edição em "braille" ou em CD-audio para não haver discriminações que penalizem cegos e gente com dificuldades de leitura.

20 de maio de 2005 às 11:19  

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