25.10.05

O que é feito do "futuro-tsunami"?

TODA A GENTE se lembra que, a seguir ao maremoto asiático de 26 de Dezembro de 2004, uma das perguntas recorrentes que por cá se faziam era «E se fosse em Portugal?».

À mistura, claro, falava-se do "nosso", e também do pânico que houve no Algarve, algum tempo antes, devido a um falso-alarme de "onda-gigante" - a que, por sinal, eu assisti.

Como se sabe, a resposta de quem-de-direito foi a habitual nestas circunstâncias:

«O assunto está a ser pensado e vai ser devidamente estudado» - e houve até quem esclarecesse «... mas primeiro vai ser preciso saber se se deve dizer tsunami ou maremoto».

Depois, e como também não podia deixar de ser, tudo caiu no esquecimento.

Resumindo e concluindo:

Não sei onde vão decorrer as comemorações oficiais dos 250 anos do terramoto de 1755, mas acho que ficavam muito bem no Terreiro do Paço - onde, decerto, poderíamos ver os distintos oradores... com um olho na assistência e outro no Tejo...
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(Este texto veio a ser publicado no «Público» e no «DN» em 28 Out 05)

2 Comments:

Blogger al-Farrob said...

Também assisti à onda fantasma de há uns anos, aliás estava na zona de acção da mesma se fosse a sério, por sorte quando ouvi dizer que vinha a onda deu para ver logo que era impossível, pois um miúdo estava na mesa ao lado a contar à mão que havia mais de meia hora que tinha sido avistada pelos pescadores.

Mas aconteceu a muito boa gente, mesmo com conhecimentos mais fundos do assunto, acreditarem acho que porque as pessoas que avisavam davam um ar realista à coisa baseados na imaginação. Isto pelo que ouvi contar.

Ainda hoje assistimos a um caso de alarmismo na informação, na minh opinião, não contribui em nada para o esclarecimento da população. Refiro-me à insistência com que foi falado ao longo do dia o caso do homem que foi ao hospital por precaução por lhe terem morrido as galinhas. Pelo menos foi o essencial que apanhei da notícia.
Mas levar o dia a falar nisto não contribuirá para gerar insensibilidade e desconfiança na informação quando a coisa for a sério?

25 de outubro de 2005 às 18:38  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Hoje li uma coisa curiosa acerca da "falsa coragem" e do "alarmismo":

Neste momento, estamos na fase do «Eu cá não tenho medo nenhum!» - e o jornal mostrava uma senhora a beijar uma galinha para mostrar como era (estupidamente) corajosa.

Mas deixemos aparecer 1 morto ou 2, e vamos ver como cai tudo no extremo oposto - estaremos, então, 10 anos sem comer frango nem perú...

25 de outubro de 2005 às 18:55  

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