24.1.06

Isso depois logo se vê... (*)


ENGANA-SE quem pensa que «Robinson Crusoé» é apenas um livro infanto-juvenil pois, para além de uma leitura ligeira, tem muito mais que se lhe diga; e uma das cenas de que nunca me esquecerei é aquela em que o herói resolve fazer um barco com uma árvore bastante grande que está muito afastada da água.

Esperam-no três desafios: derrubá-la, escavá-la e transportá-la até ao mar.

Deliberadamente, Robinson decide não pensar no último problema e dedica-se com afinco aos outros dois.

Por fim, quando, depois de anos de trabalho, chega a altura de levar a gigantesca canoa para a água... constata que é impossível - o que, aliás, ele já suspeitava desde o início!

Esta é uma das muitas lições que o romance encerra e que devia servir de tema de meditação àqueles que, tão «à portuguesa», pensam que «depois, quando os problemas aparecerem, logo se vê» - o que, segundo diz quem sabe destas coisas (**), vai suceder, p.ex., quando as obras do Aeroporto da Ota começarem a esbarrar em problemas que, actualmente, já são conhecidos - mas em que «depois logo se há-de pensar»...

(**) Carta do Prof. António Brotas, no «Público»
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(*) Publicado no «metro» em 26 Jan 06 e no «Público-Local» em 31 Jan 06

7 Comments:

Blogger Ant.º das Neves Castanho said...

Parabéns pelo tema, que já vi é recorrente neste blogue (ver tb "Os resolve-dores").

A incapacidade de prever e planear é uma das causas principais do atraso dos povos do Sul da Europa face aos do Centro e Norte. E está profundamente enraizado na nossa idiossincrasia.

Talvez que um dos maiores desafios educacionais e culturais do nosso presente seja precisamente este: como inculcar na mentalidade portuguesa esta salutar característica, sem perder (pelo menos completamente) o nosso talento (excessivo...) para a improvisação e o "desenrascanço"...

24 de janeiro de 2006 às 16:38  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

A. Castanho,

É um pouco "deformação profissional" - sou eng., dirigi obras e projectos durante 36 anos, e sei bem os custos que acarreta o "não planear".

24 de janeiro de 2006 às 16:43  
Blogger Ant.º das Neves Castanho said...

Então não diga mais. Eu também sou de Civil, só que sempre trabalhei em... Planeamento de Transportes e Planeamento Urbano (desde há quase vinte anos)!

Parabéns pelo seu excelente blogue, interessante, educado, actual e muito cuidado, até nos pormenores aparentemente insignificantes (como o "afixado por"). E, já agora, por que não igualmente "comentários" em vez do termo inglês?

Melhores saudações.

24 de janeiro de 2006 às 18:14  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

«por que não igualmente "comentários" em vez do termo inglês?»

RE: Na realidade, gastei algum tempo à caça dessas palavras.

Essa não consegui encontrar...

Mas posso voltar a procurar.
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Quanto ao resto:

Obrigado pelas simpáticas palavras!

Abraço
CMR

24 de janeiro de 2006 às 18:30  
Blogger Fernando Ribeiro said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

25 de janeiro de 2006 às 00:00  
Blogger Fernando Ribeiro said...

Prezado CMR, eu também ainda não eliminei todas as palavras inglesas do meu blog, mas essa já eliminei.

Como o amigo usa o mesmo template do Blogger que eu, julgo poder dizer-lhe que a palavra comment está quatro linhas abaixo daquela que diz -- Begin #comments --. Está logo a seguir a $BlogItemCommentCount$, que é a variável de contagem de comentários.

Um abraço

25 de janeiro de 2006 às 00:09  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Denudado,

Perfeito! Já está!

MUITO GRATO!!

25 de janeiro de 2006 às 09:50  

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