21.6.07

PEDRAS À SOLTA

A intolerância religiosa
Por Carlos Barroco Esperança

JOÃO CÉSAR DAS NEVES (JCN) parece um clérigo saído do Concílio de Trento a defender a pureza da fé e a zurzir os infiéis. É a versão romana dos talibãs, um mullah para quem a verdade é um detalhe que não deve atrapalhar o proselitismo.
Ao acusar a República portuguesa de perseguição religiosa, por ignorância ou má fé, esquece os caceteiros de Paiva Couceiro e o clero ultramontano que nunca perdoaram ao regime a lei do divórcio, a do Registo Civil obrigatório e, sobretudo, a da separação da Igreja e do Estado.
JCN pensa que os portugueses são cegos. Ao afirmar na sua homilia de segunda-feira passada que, em Portugal, «a expressão religiosa é possível, mas deve ser privada, e as manifestações da civilização cristã são silenciadas ou distorcidas» vê-se que não assiste à missa dominical pela televisão pública, perde as cerimónias de Fátima em directo, não acompanha o terço na rádio Renascença e não vê as reportagens das viagens papais nem a mensagem de Natal do patriarca Policarpo.
A RTP, na sua dedicação à causa da fé, tem avençado um sacerdote católico na RTP1, de manhã, onde é presença regular. Haverá, pois, alguma honestidade na queixa de JCN?
Há uma justificação plausível para o delírio mitómano de JCN nas suas próprias palavras:
«Quem se afunda no deboche e sofre as suas dramáticas consequências sente a necessidade de descarregar os remorsos».

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2 Comments:

Anonymous Xelb said...

A "Obra" é assim...

21 de junho de 2007 às 12:41  
Anonymous Anónimo said...

E falta acrescentar o palco que os "professores" de EMRC têm nas escolas públicas.

22 de junho de 2007 às 02:31  

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