6.12.07

Eles estão doidos! (II) - Comentário aos comentários

Por António Barreto
Imagem obtida [aqui]

LI OS COMENTÁRIOS que vários leitores quiseram fazer ao meu texto sobre as regras que afectam hoje a restauração e outros tipos de comércio. A maior parte era favorável aos pontos de vista que exprimi. Ou pelo menos partilhava as minhas preocupações e até a minha indignação. Devo dizer, sem vaidade, que me senti reconfortado.
MAS A LEITURA de alguns comentários muito críticos obriga-me a responder. Segundo estes, parece que defendo nostalgicamente o passado sem higiene, a aldrabice, a falta de cuidado e o desmazelo. Segundo alguns, eu estaria disposto, a bem da tradição, a conviver com a porcaria e os comportamentos incivilizados que trazem a doença e a insegurança. Ainda de acordo com essas opiniões, eu admitiria que as autoridades nada têm a fazer pela segurança colectiva e que cada um poderia fazer o que muito bem entenda, mesmo com perigo para os outros.
A ESSES, quero dizer que estão errados. Não me revejo na nostalgia dos cocós de cão na rua, do lixo no chão, das beatas no soalho dos cafés, na comida estragada, no contrabando de produtos congelados, nas chávenas mal lavadas e nas nódoas nas toalhas. Abomino o vinho a martelo, o excesso de alho para esconder carne antiga, o leite azedo, as sopas fermentadas, os iogurtes fora de prazo, o pão seco em cima da mesa e os ovos estragados. Raramente me deixo convencer por aquilo a que se chama vulgarmente o “vinho do produtor” ou os “produtos da terra”, que muitas vezes são eufemismos para produções pouco cuidadas, produtos mal confeccionados e géneros mal cultivados. Já provei enchidos “tradicionais” que são um verdadeiro nojo. Já bebi vinho “do produtor” capaz de intoxicar qualquer cidadão robusto. Já saí de restaurantes e cafés que não respeitavam os mínimos critérios de decência.
EM RESUMO: olho com esperança para os progressos que se vêm fazendo na restauração e que anunciam, gradualmente, limpeza e cuidado. Assim como para os cidadãos que, cada vez mais, prestam atenção ao que se lhes serve e protestam quando necessário. Assim como vejo com prazer a agricultura biológica a crescer, com os seus produtos que fogem da velha porcaria, mas que evitam também a nova porcaria que trazem muitas das tecnologias agro-industriais e que nos são apresentadas como sinal de modernidade e segurança. Como é sabido, muitos dos produtos “seguros”, com toda a espécie de conservantes e outros acrescentos tolerados pelas regras modernas, são autênticos venenos, sendo cada vez em maior número as pessoas que sofrem de alergias e outras doenças causadas por esses produtos “seguros”.
ACONTECE QUE A LEGISLAÇÃO e as regras, tanto europeias como portuguesas, pecam por excesso e fundamentalismo. Sofrem do síndrome de perfeição, pois pretendem organizar a virtude à força, com métodos intrusivos e atentatórios das liberdades. São frequentemente irracionais e representam a defesa de interesses escondidos de certo tipo de embalagens, de determinadas indústrias e de alguns produtos. Assim como de certas profissões novas, como as dos engenheiros de nutrição e segurança alimentar. Muitos ingredientes do “fast food” e dos alimentos enlatados ou plastificados são claramente mais perigosos do que o pão deixado secar de um dia para o outro ou do que as flores naturais colocadas numa jarra em cima do balcão de um café. Mas não deixa de ser estranho que, em Portugal, as normas são mais duras do que noutros países. As autoridades mais maximalistas. Os especialistas mais fundamentalistas. E as polícias e os fiscais mais absurdamente violentos e agressivos.
VIVI LONGOS ANOS NA SUÍÇA, país obcecado com a limpeza e a higiene. Em frente a minha casa, duas vezes por semana, um mercado de produtos frescos abastecia a população do bairro. Vinham agricultores com os seus produtos, traziam queijos, manteiga, fruta, legumes e mesmo alimentos confeccionados, como doces, compotas, quiches, empadas e bolos. Vi inspectores sanitários que passavam pelas bancas e iam examinando os produtos, davam conselhos e, raramente, obrigavam a substituir produtos. Nunca vi fiscais armados nem agentes mascarados. Nunca ouvi falar de proibições definitivas ou encerramento de bancas. Nunca um agricultor foi proibido de vender os seus produtos ou obrigado a medir a temperatura dos géneros e das embalagens. Voltei muitas vezes à Suíça, assim como vou frequentemente a outros países, designadamente França e Inglaterra. A realidade dos mercados de alimentos e das feiras urbanas onde os agricultores trazem os seus produtos é semelhante àquela que conheci de perto na Suíça.
O QUE VEJO EM FRANÇA ou em Inglaterra, hoje, dever-nos-ia fazer reflectir, pois esses países também pertencem à UE, também devem cumprir as directivas e os regulamentos comunitários. Acontece que o fazem de modo diferente daqueles que foram contemplados pela Administração portuguesa, sejam os governantes e o legislador, sejam os serviços sanitários e de segurança alimentar. Ou têm uma interpretação diferente das leis. Ou entendem que a sua aplicação se deve fazer de modo gradual e inteligente. Ou os agentes da segurança alimentar não estão apostados em defender certos interesses. Ou não estão apostados em criar emprego para os novos especialistas da saúde e da perfeição. Ou a cultura cívica e política das autoridades é muito diferente da nossa. Ou não pensam nem esperam impor a virtude a que preço seja. Ou estão mais habituados a respeitar direitos e tradições. Ou evitam a intrusão e a agressividade como métodos de educação do povo.
DE VEZ EM QUANDO, agrada-me ver, na televisão, programas de cozinha ingleses, italianos ou americanos. São em geral engraçados, aprende-se muito, os cozinheiros são, além de bons profissionais, pessoas cultas e divertidas. Vejo os instrumentos com que eles trabalham. Além de máquinas de toda a espécie, como as que já há em Portugal, reparo que fazem praticamente tudo em cima de pranchas de madeira, usam a mesma faca para cortar quaisquer géneros e não dispensam uma ou outra colher de madeira. Ostentam flores naturais nas suas cozinhas. E nem sempre abrem as torneiras com os cotovelos ou os pés. Estas práticas e estes instrumentos são simplesmente proibidos pelas leis e pelas autoridades portuguesas. Seremos mais rigorosos do que eles? Teremos mais cuidado?
O QUE É CONFRANGEDOR, no que se passa actualmente em Portugal, a este propósito, é a falta de sensatez e de sentido do equilíbrio. Muitas das regras de segurança alimentar podem ser justas, outras são desadequadas. Quem se propõe aplicá-las não procura melhorar a situação sanitária, antes pretende mostrar folhas de serviço. Há, nas práticas antigas e tradicionais, muito que se pode fazer, e até ir melhorando, sem que seja necessário, de repente, eliminar procedimentos artesanais, na convicção de que são perigosos. Pisar as uvas com os pés, o que ainda se faz em numerosas quintas, poderia ser imediatamente condenado pelas autoridades. Mas não o deve ser, mais vale tentar introduzir gradualmente algumas normas de higiene nas explorações. O que já se faz. As autoridades portuguesas não querem convencer, nem melhorar ou reformar: querem mostrar quem manda!
A ATITUDE POLÍTICA e, se quisermos, “filosófica”, das autoridades está errada. Partem do princípio que todos são ignorantes, todos pretendem vigarizar o próximo e todos preferem a porcaria. Aceitam como postulado que os consumidores, os utentes e os clientes são ignorantes, ingénuos, não exercitam os seus poderes de crítica, de apreciação e de escolha. As autoridades não confiam nos cidadãos, nem esperam que melhorem com o exemplo e a informação. Finalmente, as autoridades sabem o que é bom para os cidadãos, elas conhecem os perigos, elas julgam ter a missão de proteger as nossas vidas, orientar os nossos comportamentos e dirigir as nossas opções de vida. É contra esta visão do mundo que me elevo e indigno. É este modo de vida que, na medida do possível, não aceitarei.
«Sorumbático» - 6 de Dezembro de 2007

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33 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

DADO QUE ESTE ASSUNTO TEM DADO ORIGEM A UMA INTERESSANTE DISCUSSÃO, O SORUMBÁTICO PREMIARÁ O MELHOR COMENTÁRIO QUE VENHA A SER FEITO, AQUI, ATÉ ÀS 20h DO PRÓXIMO DIA 13.

6 de dezembro de 2007 às 09:03  
Blogger Fliscorno said...

Passei apenas para deixar duas notas: subscrevo na íntegra o presente texto, bem como o anterior e para agradecer por o ter escrito, dando voz a alguma opinião. Pelo menos à minha.

Acrescento ainda que vivi em Munique alguns anos e a situação dos mercados de rua que descreve é exactamente a mesma. E nos restaurantes tem muito mais valor um produto realmente artesanal do que o equivalente industrial.

Finalmente, acho significativo que para a zelosa ASAE seja mais importante a embalagem do que o conteúdo. Posso comprar um pão cozido em qualquer supermercado contendo 15 de ingredientes (11 a mais do que o necessário, sendo 7 deles aditivos) e tudo estará bem desde que a respectiva embalagem esteja conforme as normas.

Escrevi umas coisas sobre isto há uns tempos (Geração aditivada).

6 de dezembro de 2007 às 11:09  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Quando sugeri a António Barreto uma ilustração para este texto, uma das coisas que encontrei com fartura foram, precisamente, mercados de rua por esse mundo fora...

6 de dezembro de 2007 às 12:00  
Anonymous Anónimo said...

Conhecendo (embora não pessoalmente) AB, acho que dava para perceber que o que ele dizia era o que agora esclarece, e com o que em absoluto concordo.

6 de dezembro de 2007 às 12:40  
Blogger Fábio said...

Conheço uma pequena tasca em Lisboa, simpática, mas o Sr. Manel, chamemos-lhe assim, fatia o bom queijo de ovelha com a faca que corta as peças de lombo de porco, na mesma prancha de plástico. Gosto de ver o prazer dele, retira a bandeja de plástico da arca frigorífica, hesita um bocadinho, escolhe uma peça, dá alguns passos, e trata de cortar alguns bifes.

Nos cafés há, por sistema, um barulho ensurdecedor de pires e chávenas atirados para alguidares que viajam entre o balcão e a máquina de lavar louça. Com frequência as chávenas têm o bordo com rasuras.

Não deve ter sido por acaso que o Galeto (snack-bar de luxo em Lisboa) esteve fechado mais de uma semana o ano passado.

A ASAE antes de ser fundamentalista é sobretudo portuguesa. Não pode fazer o seu serviço em silêncio, sem se fazer acompanhar por hordas de jornalistas, com câmaras de televisão, que filmam frigorificos dos restaurantes chineses adaptados à complacencia lusa. E como é portuguesa faz pedagogia pela força bruta.

6 de dezembro de 2007 às 12:57  
Anonymous Anónimo said...

"Quem se propõe aplicá-las (as regras) não procura melhorar a situação sanitária, antes pretende mostrar folhas de serviço."
Será que tem algo a ver com o PRACE ? Isto será alheio ao cumprimento de objectivos na Função Pública ?
Pergunto eu .... que não percebo nada destes tempos modernos.

6 de dezembro de 2007 às 15:18  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Possivelmente, este assunto acabara' por morrer por duas boas razoes - ambas muito portuguesas:

Primeira: a burocracia tem impedido que os processos que a ASAE instaura andem para a frente. Milhares de multas - pura e simplesmente - nao sao pagas!

Segunda: A melhor de todas e' a de que nos da' conta, hoje, o "JN":

"... a ASAE fez chegar 'a Inspecc,ao-Geral daquele organismo um pre'-aviso de greve por tempo indeterminado, a partir do pro'ximo dia 20, denunciando a falta de pagamento de horas extraordina'rias".

6 de dezembro de 2007 às 17:59  
Blogger Blondewithaphd said...

I do so understand this position! As before, it is what I subscribe and I don't understand the radicalism in accusing the previous text of a nostalgia for dirt! Gimme a break! What does "old taste" got to do with dirt? You can get as much (or more) of it with "new (and to my mind) tasteless" highly hygienic products.
Where I was born there was a weekly market with ladies dressed traditionally and selling products grown and made in local farms. Everything was so clean that I still remember their dresses' immaculate white lace.
Three decades later parents still take little children to the market where the nice ladies give kids sclices of delicious ham. To my knowledge no one has ever been food poisoned there. I sure wasn't and the first ham I remember eating in my life was given by one of these ladies! I said "Danke schön" and lived to tell.

6 de dezembro de 2007 às 19:37  
Blogger R. da Cunha said...

Concordo, genericamente, com o artigo de AB.
Várias vezes e em diversos locais tenho louvado a actuação da ASAE, sem prejuizo de não gostar do espavento. Se a ASAE, por vezes exagera, a culpa é do legislador, que é excessivo na regulamentação. Por outro lado, como é que depois de tantos autos, não há uma multa, uma coima, um julgamento? Estão à espera que a ASAE se extinga por inanição ou eaxustão?

6 de dezembro de 2007 às 22:31  
Blogger Contacte-nos said...

Que bonito comentário, sim senhora, que bonito comentário esse das senhoras vestidas de branco a venderem fiambre nas ruas de uma qualquer feira da Europa Central (parecia que estava a ler a “Anita vai à feira”) e que bonito os Queijos na feira de Azeitão expostos ao sol, ao lado de galinhas num qualquer dia de verão com temperaturas a rondarem os 40 graus e onde uma amiga minha escandinava dizia, - que bonito João, parece aquelas feiras medievais, onde apenas faltam os anões e as mulheres peludas em exposição, e ria a bom rir...
Parece-me que é aqui que que erram tão bondosos comentários, erram quando comparam realidades tão enormemente distintas, erram quando comparam comportamentos de higiene, instrução e sociabilização instruídos de infância e uma cultura de bem servir e educar própria e auto exigida com a nossa realidade rural e aparentemente feudal.
Erram quando (será de propósito?) agitam as hostes, incutindo medos e ansiedades sobre uma ASAE que como se pode ver (pobres coitados) se esforça por criar alguma ordem no caos existente; erram quando referem ou dão a entender que nos vão entrar por casa a dentro (A.B, acredita sinceramente nisso?), erram quando dizem que usam força excessiva...nunca vi tal coisa, com excepção de feiras e zonas de diversão nocturna onde é elevadíssima a proporção de caçadeiras por metro quadrado de balcão (por certo no mercado Suíço não vendiam roupa falsificada nem DVD pirateados pois não?), erram quando se baseiam no senso comum de um qualquer ardina que anuncia através um canal televisivo os males do nosso mundo ,(bad news are good news) e as teorias da conspiração correntes e tão institucionalmente embebidas na sociedade portuguesa como bem propagandeia.
Acima de tudo julgo que erra caro A.B (e não é por isso que o deixo de considerar enormemente) quando recorre ao senso comum para refutar uma necessidade premente, a da decorrente profissionalização do sector da restauração, nicho de mercado que urge reformar e dinamizar; e de forma excessiva e abusiva a caricatura; pronto, concordo, até têm muito mais piada e dá menos trabalho destruir do que construir, mas esse é o nosso infeliz fado.
P.S. Apenas uma ideia, porque não começar a oferecer o livro ao pior comentário? Assim, ofereciam os meios a quem deles provavelmente mais necessita...isso sim era a democratização da cultura, just a thought,como diria a blondie...

6 de dezembro de 2007 às 22:54  
Anonymous Anónimo said...

Oh João Castanhinha...oferecer o livro ao pior comentário? isso parece um caso de "blogg dourado", vitórias fáceis, não?

7 de dezembro de 2007 às 08:28  
Anonymous Anónimo said...

Sinceramente não entendo este MUNDO. Agora querem pôr-nos a comer mais comida artificial? O que vai acontecer a todos os mercados de rua? Como o Bolhão, como as vendas de batata, cenoura, etc nas nossas feiras e bermas de estrada? Mais importante ainda, o que vai acontecer com as famílias que sempre trabalharam e nos deram o seu produto da terra?

Alguém que me explique o que realmente queremos fazer das nossas vidas, quando cada vez mais nos introduzem tóxicos nso alimentos.

7 de dezembro de 2007 às 10:57  
Anonymous Anónimo said...

Subscrevendo todo o texto, saliento este excerto "É contra esta visão do mundo que me elevo e indigno. É este modo de vida que, na medida do possível, não aceitarei."

7 de dezembro de 2007 às 12:26  
Blogger Blondewithaphd said...

Oh well, luckily I'm not called Anita...

7 de dezembro de 2007 às 14:53  
Anonymous Anónimo said...

"P.S. Apenas uma ideia,..."

A única coisa acertada que o comentador Castanhinha escreveu no seu comentário. ;)

Com os melhores cumprimentos,
zedeportugal (vulgo, zé povinho).
http://umjardimnodeserto.nireblog.com/

7 de dezembro de 2007 às 17:08  
Anonymous Anónimo said...

Trabalhei como supervisor na cozinha do Little Chef no Reino Unido durante alguns anos, ali aprendi uma serie de normas para trabalhar dentro de todas as condições. A explicação é puramente para aclarar minhas opiniões.
A ASAE que tenho visto nas noticias
é fundamentalista, autoritária e com pedagogia ZERO!
Antes de tomarem atitudes de força, deveriam educar, ensinar regras de higiene, controlo de temperaturas, condições de "embalamento", etc...
Entretanto o que se ve é uma acção sempre de força, os que tudo analisam, acabam por fazer um trabalho faccioso pois as regras são para trabalhos diferentes. Quantas vezes pergunto a empregados quais as datas e temperaturas, exposição e gorros, etc...Olham-me muitas vezes como um boi de presépio!...
Entretanto há espaço para o caseiro, o queijo artesanal, a compota ou o bolo da azeite! Não quero bromato no meu pão! Prefiro um folar de Chaves assado no borralho! Milhares que comeram ainda cá andam!
Na minha casa continuaremos a pisar o vinho! Depois de "mosto", ao fermentar deixa de existirem bactérias.
Tenho tios com mais de 95 anos, minha avó foi aos 96, todas criadas no campo, ( antes de introduzirem o escaravelho nos batatais) estão de boa saude!
Acho que os da velha Albion é que estão com razão, mesmo na UE impõem regras em defesa dos seus valores, habitos, defendem a sua diferença. Os franceses também!
A EU só será de facto uma reunião saudável se essa união respeitar as particularidades culturais de cada País !
Como sugestão proponho que se faça uma petição a nível europeu, seja enviada aos responsáveis europeus, que essas regras respeitem a cultura, os hábitos da cada povo.
Afinal ainda somos humanos e não seres euro-robotizados!
Não podemos aceitar a uniformização
sem lutar por nossas diferenças.
Quero ser diferente! Quero ter condições de criar anti-corpos!
Quero dizer não as SGM! Quero ser livre! Quero minha memória nativa!

PS: o que será não poder comer um maravilhoso arroz de cabidela?
PS: SGM sementes geneticamente modificadas

7 de dezembro de 2007 às 21:11  
Anonymous Anónimo said...

O QUE É NACIONAL É BOM!

P.S – Da pesporrência da ASAE ao autoritarismo “Socretino” a diferença é longínqua apenas para míopes.

8 de dezembro de 2007 às 00:34  
Anonymous Anónimo said...

Sem dúvida que o furor causado pelo tema deve-se em grande parte à aceitação quer consciente como inconsciente do importante papel da mesa, da cozinha na cultura portuguesa, é importante em todas as culturas no nosso caso julgo especialmente importante.
A nossa riqueza gastronómica é um dado adquirido não vale a pena estar a lembrar ou defender o óbvio, a nossa gastronomia é muito baseada na autenticidade dos sabores, talvez por ser uma gastronomia muito assente na cultura marcadamente rural que infelizmente por algum lado e muito felizmente por outro mantivemos durante mais tempo do que o resto da Europa.
O choque resulta essencialmente da tentativa atabalhoada que está ser feita de moldar as nossas práticas culinárias/culturais ao urbanismo/internacionalismo tido como aceitável a eurocratas nados e criados em assépticos apartamentos em assépticas cidades, em vez de se estar a adaptar os normativos comunitários à realidade e singularidade de cada região, para não só as manter, mas, as exaltar, conforme os verdadeiros objectivos da construção da Europa Comunitária.
A grande força da Europa deveria estar assente na diferença, mas hoje o grande esforço de construção é essencialmente o de arroteamento…a diferença é perigosa porque é de difícil e exigente governo e na Europa já foi muitas vezes mortífera, se queremos a Europa Comum construída à velocidade que a estamos a construir, identidades terão de ser arroteadas… porque não começar pela cozinha?

8 de dezembro de 2007 às 02:27  
Anonymous Anónimo said...

Esta resposta de AB aos comentários recoloca as questões postas inicialmente num patamar ligeiramente diferente.

No entanto continuo, respeitosamente, a discordar com este nosso ilustre pensador e, com isso, não penso que ele goste de porcaria ou que tenha nostalgia de sujidade.

Apenas considero que não vê correctamente a questão!!!

Portugal é o País onde alguns lojistas desligam à noite os seus frigoríficos e arcas, o País onde em muitos locais o uso de gelo para a venda de peixe não é regra generalizada, onde se mexe em pão e em dinheiro indistintamente, onde se coloca lixo junto de alimentos nas cozinhas de alguns restaurantes, onde a loiça é metida em alguidares de plástico e aí "lavada" com uma única passagem de água... onde etc…etc…etc…

Portugal é ainda um país atrasado... simpático... mas atrasado... e esse atraso revela-se na falta de civismo que todos conhecemos diariamente. No trânsito, nos serviços públicos e… também… no comércio alimentar e na restauração. Penso que isso não é novidade para ninguém.

Hoje em dia com os conhecimentos técnicos que possuímos já podemos definir metas e objectivos de segurança alimentar de uma forma científica. Por isso não é de estranhar que as metodologias associadas e esses objectivos fiquem consignados na lei…

Parece estranho… Bom, pode parecer… mas todas as mudanças nos parecem estranhas de inicio.

Pedro Barroso, fala num outro “post” do blog “SORUMBÁTICO” numa queijaria artesanal que faz uns queijos magníficos… pois, mas quantas queijarias artesanais não têm cuidados de higiene?

Seria lógico que a lei só se aplicasse a alguns, ou que fosse tão limitada que ficássemos apenas à mercê do bom senso da inspecção a cada local, com decisões subjectivas baseadas nos pareceres de cada inspector?

Penso que não! Conhecendo a realidade como conheço, uma legislação que passa do 8 para o 80 apenas conseguirá chegar ao 40. E se for assim já não será mau…

Finalmente cumpre-me referir que sempre fui um leitor atento de António Barreto, uma figura incontornável da nossa cultura e do nosso pensamento.

Sempre fiquei fascinado com a sua clareza de raciocínio, a sua capacidade argumentativa e o seu uso perfeito da língua portuguesa. Contudo a qualidade da retórica nem sempre coincide com a razão. Neste caso continua a fascinar-me, mas sinceramente não consigo concordar com a mensagem que as suas palavras transmitem.

8 de dezembro de 2007 às 09:44  
Blogger Fliscorno said...

A liberdade de escolha e o discernimento evitam a necessidade paternalista de proibir o óbvio. Neste sentido, não preciso que seja interdita a venda dum queijo coberto de moscas porque simplesmente não o comprarei.

Mas, continuando ainda este exemplo, sendo obrigatória a embalagem industrial, automaticamente deixo de poder comprar um produto artesanal à pessoa em quem confio há longos anos.

Alternativamente, passo a dispor de produtos repletos de conservantes, anti-oxidantes, aromatizantes, corantes, açúcar, hidrogenados e toda mais uma panóplia de aditivos acrescentados para prolongar desnecessariamente a validade do produto e para disfarçar o facto de não ser fresco.

Tudo dentro dos limites legais, obviamente, não sobrando portanto palco para a exibição da ASAE. Mas, como consumidor, ganhei ou perdi? Antes podia escolher entre um produto natural e o equivalente industrial. Agora não. Para mim, a resposta é óbvia.

Um outro aspecto. Ao ler os comentários anteriores noto que em alguns casos situações anormais são usadas para justificar a normalização por baixo. Nós não temos uma temperatura de 40ºC durante todo o ano e haverá regiões em que esta nem chega a ser atingida. Acresce que também existe o conceito de sazonalidade.

Noto também que é sugerido que quem vê exagero na actuação da ASAE está a defender a inexistência de regras. Para mim, estas são necessárias mas as actuais estão desadequadas. Então não poderei tomar um café em chávena de louça numa esplanada? É preferível o uso do plástico? Haja pachorra.

Acresce que, finalmente, não é debitando legislação que se mudam atitudes e hábitos. Regras claras, consensuais, balanceadas e continuamente fiscalizadas são a chave de ouro para que não se vendam galinhas ao lado do queijo de Azeitão. Lembram-se da proibição de na restauração vender água em garrafa de plástico. Proibiu-se e deu em quê?!

8 de dezembro de 2007 às 11:53  
Anonymous Anónimo said...

As Incongruências do Meu Bem-estar

O Sr. João (nome fictício, claro) vende castanhas, desde sempre, em frente a uma estação de comboios por onde passo diariamente. Eu, aproveitando esta onda de preocupação normatizada pelo meu bem-estar, perguntei-lhe, como me seriam servidas as castanhas de agora em diante. As resmas de papel branco A4 foram a resposta para o problema, ainda que, digo eu, à custa de mais algumas árvores.
Quanto ao Supermercado onde tinha a minha sopa quente e os meus rissóis, lá continua. Agora, o repasto passou a ser servido gelado em nome de uma pretensa salvaguarda à minha saúde. E, no entanto acompanhem o meu raciocínio.
Não muito longe deste supermercado, está um hospital, onde há aproximadamente 18 meses tive a minha bebé, e aí, dividi duas casas de banho com 20 a 30 mulheres vindas dos seus partos sangrentos. E por falar em hospital foi neste mesmo sitio que o meu avô foi internado e morreu. Não pela trombose responsável pelo seu internamento, mas pela pneumonia contraída com as correntes de ar numa maca no corredor. Claro que podemos atribuir algumas culpas à colher de pau com que a minha avó mexia a sopa. E quanto à velhota que foi transferida no solstício do Inverno por falta de camas e que contraiu uma pneumonia? Querem a hora e a data desta operação?
Para abordar mais um dos indicadores de bem-estar lá está o exemplo da escola estatal onde coloquei a miúda no término da licença de parto...esperem, enganei-me. Não existe escola estatal até aos 3 anos de idade. A vantagem é que se resolvermos colocar os putos ‘gatinhantes’ num café eles já não correm o risco de se entregar ao jogo. Acham que este texto não faz sentido? Esperem até entrar num centro de acolhimento ou lar de terceira idade da Segurança Social e reparem como os carros frigoríficos trazem o leite protegido, ainda que fora de prazo de validade.
Não estamos na Suécia e os hábitos da nossa população artesanal chocam com esta medida. E chocam porque acima de tudo ela deveria ser capaz de ser entendida como norma de conduta geral. Posta nestes termos de esquartejamento acaba por se tornar ridícula.
Para terminar, se há países em vias de desenvolvimento onde se morre da doença, parece-me que este é o caso de um país que de estar tão indeciso quanto ao lugar que deve ocupar no índice, acaba muita vezes por matar-nos com a cura.

8 de dezembro de 2007 às 12:50  
Anonymous Anónimo said...

O excesso de higiene mata.
A ASAE faz parte de uma concepcção de sociedade onde tudo é controlado e perfeito embora por enquanto esse altar-ego do socialismo democrático ou da social democracia não esteja completo para lá caminhamos. O resultado é pessoas cada vez menos autónomas e cada vez mais incapazes de terem iniciativa.

8 de dezembro de 2007 às 14:48  
Blogger nanda said...

Tenho sérias dúvidas em tomar uma atitude pró ou contra a ASAE. Não me considero uma fundamentalista e no entanto o tema segurança é-me sensível, pois quer a vida, quer a saúde podem estar em causa. No ramo em que trabalho (transporte aéreo), a segurança é fundamental e não admite cedências , nem dúvidas. Em caso de dúvida o avião fica em terra. É a vida, que está em causa. No caso alimentar é sobretudo a saúde e em último caso também a vida.
As notícias de suspensões que nos vão chegando relacionadas com o ramo alimentar, incidem sobretudo na higiene dos produtos: carne, peixe e pão. A Ginjnha, tratando-se de uma bebida, é quase uma excepção ao serem invocadas razões técno-funcionais e higieno-sanitárias.
Mas não só a higiene está em causa: Falta de livro de reclamações, condições técnico funcionais, falta ou deficiente rotulagem, falta de registo de carne de bovinos, congelação incorrecta, falta de cadastro comercial ....
As cozinhas dos Hospitais de Sta Maria, Estefânia e Abrantes, foram encerradas, apenas alguns dos muitos supermercados e dos 12.000 restaurantes fiscalizados em 2006 a ASAE encerrou apenas 400, dizem as notícias.
Fora do ramo alimentar em causa também estão a segurança dos brinquedos, que colocam em perigo a segurança ds crianças e a contrafacção: CDs e DVds , vestuário, ténis, marroquinaria e perfumes.
Tolerância zero para com o combate acima. A ASAE tem o meu apoio.
Isto, tem que acabar:
“A cantina da SIC foi fechada, na quinta-feira à noite, por uma equipa da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), na sequência das intoxicações alimentares de que foram vítimas oito colaboradores da estação de Carnaxide.”
(... Estranho as cozinhas as escolas não terem sido ainda notícia...)
- Quanto às feiras e mercados ao ar livre, terá que haver limites ao tipo de artigos com venda autorizada ... o bom senso terá que ser a regra. Vender queijo fresco ou amanteigado num mercado ao ar livre com uma temperatura de 30º não me parece adequado, nem fiambre, nem presunto, nem chouriço....
Para as feiras e mercados a fruta (de todos os tamanhos), os alhos, as cebolas, as azeitonas, os tomates, os vegetais - ninguém os compra se a deterioração for visível a olho nú.
Quanto à indústria ou comércio familiar é preciso mantê-los, o resposta da ASAE não terá que ser proibir ou suspender, mas educar. A utilização das facas para diferentes produtos, das colheres de pau, do chão, das bancadas em alumínio - materiais laváveis e não porosos ... o caminho é longo...lá chegaremos com mais formação.

9 de dezembro de 2007 às 08:00  
Blogger P Amorim said...

Lidos os dois textos fico com pena de AB. Deve ter muita dificuldade em viver, uma vez que o que deseja equivale ao fio da navalha, deve estar sempre a cair para um dos lados.
Também eu vivo longamente na Suíça, e, por vezes, sinto falta das regras de higiene da UE. Os fiscais aqui não andam mascarados e armados porque a justiça funciona rápida e eficazmente. De resto os suíços são iguais aos portugueses e se não fossem tão controlados cometeriam os mesmos excessos. Na auto estrada Lausanne Genève há um radar de 5 em 5 km, porque será?

11 de dezembro de 2007 às 09:29  
Blogger FR said...

Sou absolutamente contra os "abusos" da ASAE. Mas será que são mesmo abusos?
Não seriam os proprietários de restaurantes, cafés, feirantes que andavam a exagerar nas infracções.
O que me dá raiva é saber que alguns dos infractores que se armam em vitimas e "abusados", passado pouco tempo voltam a repetir as proezas.
Na minha Rua hà uma mercearia daquelas à antiga em que as hortaliças estão praticamente no chão à mercê dos cães que passam. Acham bem?
Na Estrada Nacional 110 na localidade de Venda dos Tremoços (Ferreira do Zêzere)hà um café que nem condições tem para ser café pois o copo de água que é servido com a "bica", sem ser devidamente lavado serve para vários clientes, confeccionáva e servia refeições cozinhadas num fogãozinho mais pequeno do que eu tenho em minha casa. Depois de vistoria da ASAE ficou proibida de o fazer. Sabem que mais menos de um mês depois da visita dos "abusadores" está de novo a servir refeições. Acham Bem?
Mais uma vez repito. Sou contra toda e qualquer especie de abuso, mas gosto da senção de entrar num restaurante e sentir que o prato onde vou comer foi pelos menos devidamente lavado.
O resto é propaganda.

11 de dezembro de 2007 às 17:17  
Anonymous Anónimo said...

Vamos,vamos todos ao "continente",que é lá que està o homem que contabiliza a riqueza deste pais !!!
Cantando e rindo !!!

12 de dezembro de 2007 às 12:51  
Anonymous Anónimo said...

Já tive o prazer da visita dessas criaturas fantásticas da ASAE e acusaram que tinha gordura no chão, tive que abrir a torneira da água, atirar um pouco para o chão, perguntar qual a diferença e ouvir como resposta: não conhecia este tipo de ceramica!
Santa ignorancia.

12 de dezembro de 2007 às 13:31  
Blogger diogo said...

emigremos para espanha . são todos iguais . uns criaram a besta e outros alimentam-na.

12 de dezembro de 2007 às 19:20  
Blogger Pedro Galego said...

http://galegadas.spaces.live.com/

Estou de acordo com a generalidade do estudo feito por A. Barreto! Acredito que há necessidade de fiscalização comercial e melhoria de muitas situações mas sem cair no exagero. Não é propriamente sobre o retrato publicado por Barreto que se prende a minha indignação. A minha indignação é contra o próprio António Barreto e a capacidade de alguns Barretos esquecerem o seu passado, com a ajuda é claro dos meios de comunicação social.

Nunca gostei das lições de moral de António Barreto... um tanto ou quanto nostálgicas. A ladainha deprimente das suas intervenções, ajudada pela música especialmente concedida por Rodrigo Leão, de modo a conferir esse sentimento, serviu-me apenas de entretenimento televisivo.

Não esqueçamos que A. Barreto foi o precursor da SOLUÇÃO FINAL para a agricultura portuguesa. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, do novo mundo, sobreviveu. Quem não quis funcionar como um latifúndio, a quem não chegou os os subsídios da CEE tão generosamente distribuídos pelo país, quem não os gastou em jipes isentos de impostos, quem recusou deixar de produzir a própria terra e quem não quer ser igual a toda a gente foi condenado. Estes exércitos do latifúndio são poderosíssimos: tiveram e têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizaram-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Agricultura, António Barreto; e agiram através dos Agentes da GNR, a organização mais odiada do Alentejo, mas certamente a mais amada por aqueles que preferem ter as terras ao abandono e as coutadas fechadas apenas para seu belo prazer. Apenas porque viram o seu poder cair nas mãos de um povo sedento de ver a terra florescer e faze-la produzir para o proveito de todos.

Em frente à Aldeia dos meus avós as searas perdiam-se no horizonte, homens e mulheres, ajudados pela recente maquinação, tratavam daquele que era conhecido como o celeiro de Portugal (e Europa?). Acabou! É proibido cultivar!

Os Jovens sentavam-se na esplanada do café central (há um em cada terra), com as botas ainda enlameadas pela terra que regaram minutos atrás. Ao Lado uma saca de batatas, melões... Ou aquilo que a época ou o desejo proporcionava. Era seu, não importava a mais ninguém. Acabou! É proibido colher!

Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, deixou-se de comprar aquilo que é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos. Acabou! Vem tudo de Espanha, já pouco é nacional.

Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tinha, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Já acabou à muito. É proibido. Agora, só se for à beira das IC's e AE's, clandestinamente.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger os postos de trabalho e devolver a terra aos seus "verdadeiros donos". Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. Não sei se é pelo ódio atroz que tenho por A. Barreto, mas não me consigo esquecer da "LEI BARRETO" que acabou por decreto com o sonho de milhares de portugueses e com a Reforma Agrária.

14 de dezembro de 2007 às 12:24  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Embora os comentários possam prosseguir à vontade, para efeitos de HABILITAÇÃO AO PRÉMIO anunciado o prazo terminou às 20h de ontem.

Segue-se uma "Votação pelos leitores" em:

http://sorumbatico.blogspot.com/2007/12/eles-esto-doidos-votao-pelos-leitores.html

14 de dezembro de 2007 às 14:59  
Blogger NLSL said...

Very good Blog

14 de dezembro de 2007 às 16:14  
Blogger Jack said...

A ASAE e a sua actuação como imagem de Marca.

Sei, por certo, que este tema já está mais que batido mas, permitam-me os comentadores, neste espaço aberto, pôr mais um “tronco” na fogueira. A ASAE, como qualquer órgão de polícia que se preze, aqui no burgo, resolveu reequipar-se e demonstrar perante o cidadão, seja ele pacato ou desordeiro que, “quem tem armas tem medo” e, “quem tem medo, aparece de cara tapada”. Até aqui estávamos habituados a ver este “modus operandi” em polícias do País Basco, Carabinieri ligados às investigações da máfia calabresa, ou polícias infiltrados na alta criminalidade. Actuação esta que se justificava, e justifica, pelo tipo de pessoas visadas, alvo das operações, e o risco que envolvia para os agentes e seus familiares o conhecimento da sua própria identidade. Não creio que seja esta a razão que obrigue os elementos da ASAE, ou de outras polícias similares, a seguirem tal procedimento. Vejo sim, um certo tipo de tentativa de imitação das forças especiais que os filmes americanos nos apresentam diariamente. Aceito que em alguns lugares, perfeitamente identificados, as forças policiais se apresentem em força adequada para demonstrar que o Estado de Direito não permite, nem pode permitir, que “grupos de marginais” assumam o controlo de certas áreas do país, sejam elas territoriais, económicas ou outras. Mas, do mesmo modo, não posso aceitar que o mesmo Estado de Direito, sem justificação, e através dos seus representantes mandatados para o efeito, por motivos de “show off” actue e se comporte, ou dê a entender, que treme de medo atrás de um “passa montanhas”.

16 de dezembro de 2007 às 10:56  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

O vencedor do passatempo foi o leitor "Nortada", a quem se pede agora que contacte sorumbatico@iol.pt até às 20h do dia 18, indicando morada para envio do prémio.

16 de dezembro de 2007 às 20:29  

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