15.6.08

MUITO SE TEM FALADO, ultimamente, nas consequências nefastas do desinvestimento que Portugal tem feito, ao longo das últimas décadas, no transporte ferroviário. Acerca disso, o Público de hoje traz algumas informações curiosas que dão que pensar:
1ª - Mesmo quando as mercadorias circulam de comboio, o trajecto final (se não mesmo, também, o inicial) depende do transporte rodoviário.
2ª - Durante a paralisação dos camionistas, o aeroporto de Faro foi abastecido de jetfuel com recurso à CP (que tem comboios diários entre Sines e Loulé); no entanto, o trajecto final até ao aeroporto foi, como sempre, feito em camiões-cisterna. Nesses dias, as camionetas passaram... porque não havia piquetes em Loulé.
3ª - A própria CP, que continua a ter muitas composições movidas a Diesel, depende do transporte rodoviário para se abastecer desse combustível. Se a paralisação tivesse durado mais alguns dias, mais de metade da rede ferroviária parava.
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NOTA: a imagem escolhida é a de um brinquedo - e compreende-se porquê...

3 Comments:

Blogger Pena Escarlate said...

Agora são os "cara-pálidas" que substituiram os indios no ataque ao "cavalo de ferro"!...

Parece-me que o termo "desinvestimento" é bastante suave. O que se assistiu durante décadas, foi a um ataque feroz ao serviço público do Caminho de Ferro, iniciado no período Cavaquista e prosseguido políticamente nos governos posteriores. Sempre na lógica de destruição do serviço público, com o objectivo do favorecimento de interesses que nada tinham haver com o das populações e da economia nacional. Com a conivência e responsabilidade de alguns "amigos dos comboios" e particularmente de "autarcas do partido" que "alinharam" nesta estrégia e que já reconhecem públicamente os erros cometidos, elogiando as vantagens da ferrovia, encerraram-se milhares de quilómetros de linhas e ramais, fecharam-se centenas de estações e apeadeiros. Outras infraestruturas vão ter o mesmo fim por falta de investimento e vontade política. Criou-se artificialmente mecanismos para a justificação: horários desajustados para as necessidades das populações, paragens de comboios em estações sem passageiros e comboios sem paragem onde os havia...
Todo um património riquíssimo encontra-se ao abandono por todo o país à mercê de vãndalos e colecçionadores...

Em nome da restruturação e da modernidade retalhou-se uma empresa para criar outras várias empresas e "unidades de negócio" com o objectivo de "empurrar" os sectores rentáveis para os interesses dos privados. Veja-se para onde caminha a CP-Carga!...

18 de junho de 2008 às 00:11  
Blogger m&m said...

No dia seguinte ao acordo/levantamento do bloqueio dos camionistas, o 1º ministro foi à Beira Interior anunciar mais...uma auto-estrada. Sintomático, quanto a prioridades.
Há linhas ferroviárias onde há anos não se investe um cêntimo, como a do Oeste. A electrificação do troço Castelo Branco/Covilhã deveria ter terminado em 2007, nem sequer começou. A quadriplicação da linha de Sintra teve início há 14 anos e sabe-se lá quando terminará, a linha do Tua tem a espada de Dâmocles pendente, etc, etc.
Mesmo quando há investimento programado , num contexto de aumento do transporte de mercadorias (trans-europeu) via ferroviária, há erros inexplicáveis:
http://www.maquinistas.org/

19 de junho de 2008 às 11:39  
Blogger dorean paxorales said...

Obviamente que o transporte rodovário é necessário para a distribuição local, acho que ninguém discute isso.
Mas valerá a pena arriscar tanto no longo curso (para além de encher as estradas desnecessariamente)?

E aqui ainda temos uma outra via estratégica que está bastante desaproveitada: a marinha mercante.

21 de junho de 2008 às 12:22  

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