26.7.08

A taxa negativa

A TRADUÇÃO de Robin Hood por Robin dos Bosques foi feita por alguém que, pouco à vontade com a língua de Shakespeare, confundiu Hood com Wood. Mas isso, que não é grave, vem a propósito da taxa com o mesmo nome (o errado, claro...) que se propõe taxar os lucros das petrolíferas nos casos de subida dos preços do precioso produto.
Tudo bem; esqueçamos então a tradução canhestra, e interroguemo-nos sobre o que acontece quando os referidos preços baixam, como recentemente sucedeu.
Será que taxa funciona ao contrário? Em princípio, tal deveria suceder - pois, se a expressão matemática pela qual é calculada, está na forma algébrica (e deve estar), umas vezes o "delta" será positivo, outras vezes será negativo.
Assim sendo, que tal dar um nome especial a essa taxa negativa ou inversa?
Eu proponho que se inverta a palavra Robin. De facto, se já temos a taxa Euribor, porque não uma Nibor? Além do mais, começa por "N", de Negativa...

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10 Comments:

Blogger Dinis said...

Caramba que você é um génio!!
Como é mesmo? Hum, deixa cá ver...portanto, milhares de pessoas, durante anos, são tão estúpidas que traduzem Robin Hood para Robin dos Bosques, não porque o homem andava, precisamente...NOS BOSQUES, mas porque confundiram (até hoje) Hood com Wood e daí a confusaão, agora desfeita por vossa excelência. genial! Obrigado, segue recomendação para o comité NOBEL, está bem?

26 de julho de 2008 às 17:37  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Embora não tenha qualquer importância, o assunto é velho, e está esclarecido há muitos anos:

Hood quer dizer "capuz" - como sabe qualquer pessoa minimamente familiarizada com a língua inglesa.
Claro que o facto de o Robin andar pelas florestas favoreceu a confusão na língua portuguesa.

26 de julho de 2008 às 17:51  
Blogger Dinis said...

Mas qual confusão, senhor?! Desde quando é que os nomes de "personagens" se fazem pela via literal???!!!
Robin dos Bosques, porque é uma personagem que andava nos BOSQUES. Ponto. E porque é ficcional e porque isso ajuda á dimensão lhe está subjacente (a do imaginário)

26 de julho de 2008 às 18:00  
Blogger Pedro Boavida said...

Em vez de andarem com discuções inúteis se é "bosque" ou "capuz" leiam o comentário do Eugénio Rosas sobre a dita taxa:

http://resistir.info/e_rosa/nao_ha_taxa_robin.html

26 de julho de 2008 às 18:38  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Pedro Boavida,

Tem toda a razão. A 'história' do Robin H/Wood foi apenas, no meu texto, um pretexto para entrar nesse assunto - esse, sim, sério.

26 de julho de 2008 às 18:41  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

A crónica de Eurico de Barros, no «DN» do passado dia 12, também é interessante e pode ser lida [aqui].

Teremos de lhe perdoar, é claro, a tontice de escrever, a dada altura: «Nem sequer sobre o nome de Robin Hood (erroneamente traduzido para Robin dos Bosques em português e outras línguas - em inglês, "bosque diz-se "wood")...»

26 de julho de 2008 às 19:09  
Blogger Sepúlveda said...

Mas essa confusão ao dar nome a esse herói é factual ou presume-se que tenha sido real? É que também não é particularmente engraçado o nome Robin do Capuz. E ele andava realmente pelos bosques e florestas. E mais literal, pelo engano, seria então Robin do Bosque já que "wood" estaria no singular.
Se for por palpite, talvez não esteja assim tão certo.

27 de julho de 2008 às 17:08  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Sepúlveda,

Julgo que 'robin' é o nome de uma ave.

De qualquer forma, há muita literatura sobre o assunto (incluindo a - real ou suposta - confusão na tradução, etc). Trata-se de uma discussão mais velha do que a Sé de Braga - um 'clássico' que não dá mostras de terminar algum dia.

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Mas o curioso, neste meu 'post', é outra coisa:
Eu comecei por essa introdução; depois, abordei o assunto que me pareceu importante (a taxa); por fim, terminei com uma pequena laracha (o trocadilho com o nome ROBIN escrito ao contrário).

Fiquei um pouco admirado por, afinal, ser a introdução a suscitar discussão.

Claro que isso não tem problema nenhum, mas senti-me como o gajo que escreve um livro, e vê as pessoas a discutirem o prefácio - e não o miolo!

27 de julho de 2008 às 17:34  
Blogger platero said...

pobreza lusitana:

até para arranjar patrono para uma manobra fiscal temos que nos socorrer dos ingleses.
ainda se fosse para ir buscar um Adam Smith ou um Ricardo - vá que não vá!
mas um salteador de bosque! porque roubava aos ricos para dar aos pobres...
tretas.

seja como for - não tinhamos para consumo caseiro o nosso ZÉ DO TELHADO?
pequeninos em tudo!

29 de julho de 2008 às 22:31  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Platero,

O Zé do Telhado já aqui foi referido, a propósito deste mesmo assunto.

Disse eu que até seria mais apropriado, pois ele (segundo diz Camilo, que o conheceu na cadeia da Relação do Porto) roubava aos ricos... mas para dar a si mesmo.

29 de julho de 2008 às 23:52  

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