16.9.08

O magistrado e a candonga

Por Joaquim Letria
PARECE QUE A ASAE deitou a mão a um magistrado que no intervalo de pedir condenações gravosas para pequenos delinquentes e mãos pesadas para todos os que não cumpriam a lei, se dedicava ao mercado negro de bilhetes na candonga. Verdadeiro empreendedorismo na justiça!
O senhor teria comprado bilhetes para o concerto da Madonna por 70 euros e estava a vendê-los por 450!
A sociedade é muito injusta! Por um lado, passam a vida a dizer-nos “organizem-se, façam a sociedade civil funcionar, mostrem iniciativa, não sejam subsídio-dependentes! Montem negócios rendosos!”
Depois, um magistrado faz uma pequena fuga ao fisco, é ligeiramente fraudulento e leva pela medida grande. Então um procurador-geral adjunto da república a vender bilhetes na candonga como os professores da Universidade que vendem sebentas é algo extraordinário?!
Moral da história: ou pedes penas de cadeia para ciganos, ou te juntas a eles...
«24 Horas» de 16 de Setembro de 2008

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6 Comments:

Blogger R. da Cunha said...

A vida está má para todos, é o que é!
Quanto a mim, o problema nem está na "revenda" do bilhete; está, antes, na margem de lucro exorbitante que o senhor se propunha abichar, tanto mais quanto dou por certo que o "negócio" (compra e venda, sem estar colectado) não iria ser declarado ao Fisco. O senhor, sendo jurista, deveria saber que não pode exercer a actividade sem prévia inscrição nas Finanças e isso deixa-me apreensivo.

16 de setembro de 2008 às 18:06  
Blogger Joaquim Letria said...

Grato pelo seu comentário.Esta história deliciosa, apresentada por diversos jornais portugueses e não desmentida, é indicadora de outras coisas e preocupante de muitas maneiras.

Cumprimentos.

16 de setembro de 2008 às 19:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

No passado dia 6, este assunto foi abordado na «Grande Loja do Queijo Limiano» de uma forma "um pouco" diferente. Para que se possa comparar as duas abordagens, aqui fica o link: [aqui].

16 de setembro de 2008 às 19:14  
Blogger Táxi Pluvioso said...

Isto parece mais um caso de... jornalismo. Ou seja, fala-se sem conhecer os factos.

Se o homem comprou um bilhete, e por qualquer razão não pode assistir ao concerto, tem todo o direito de vendê-lo pelo preço que quiser (ou lhe pagarem).

E conhecendo a ASAE (e as instituições geridas por portugueses em geral) deve ser este o caso.

17 de setembro de 2008 às 02:52  
Blogger brunette said...

Concordo com o Taxi Pluvioso! Eu acho que o Sr. Magistrado até teve foi prejuízo, e vai de certeza declarar a operação ao fisco, incluindo as menos-valias. Ele queria tanto, mas tanto, ir ao concerto!

17 de setembro de 2008 às 10:40  
Blogger Joaquim Letria said...

Brunette,

Admire-se!
Obg.JL

17 de setembro de 2008 às 18:16  

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