15.10.08

Os laços rasgados

Por Baptista-Bastos
PASSÁMOS A VIDA a andar de um lado para o outro. A saída foi sempre determinada pelo sofrimento. E o sofrimento tem várias faces: a miséria, o desemprego, a repressão, a perseguição, a guerra, a ausência de futuro. Criámos um leito de nações e depusemos o espigão da língua um pouco por todo o mundo. E o Tejo, o claro e ledo Tejo de Camões, foi sempre um rio de partida; a chegada envolvia catástrofe: o regresso do que sobrava das caravelas, os caixões dos mortos, o retorno discreto dos estropiados do conflito colonial, a remigração dos que se não haviam adaptado a terras novas. O espelho poliédrico desta história atormentada reflecte algo de transgressivo. O Alpedrinha, que o Eça foi encontrar na Alexandria, é, afinal, um friso de rostos e de signos que formam Portugal. Se o português está em todo o lado, que saiba abrir os braços a quem dele precisa. Um livro, O Negro em Portugal, uma Presença Silenciosa, de José Ramos Tinhorão, revela, sem sorrisos ortopédicos, o que admitimos e o que rejeitámos. E não nos temos portado muito bem. Também muito bem não temos sido tratados. Os bidonvilles dos arrabaldes parisienses não são exemplos únicos. Areámos os metais aos suíços, afagámos os tornos nos acelerados terminais de produção da Alemanha, limpámos a neve em Nova Iorque, abrimos os secos e molhados no Rio de Janeiro, asseámos o sujo em todos os países que precisassem de mão-de-obra barata.
(...)
Texto integral [aqui]

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1 Comments:

Blogger Ritinha said...

Este plural majestático não lhe fica bem.
Um privilegiado como V. deveria ter usado a segunda ou a terceira pessoa do plural.

15 de outubro de 2008 às 12:38  

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