20.11.08

O azedume de Graça Moura

Por C. Barroco Esperança
VASCO GRAÇA MOURA (VGM) não é só um poeta sensível, escritor talentoso e tradutor de raro mérito. É também, desde que foi ajudante de ministro, o almocreve do cavaquismo e trauliteiro ao serviço do PSD.
São eloquentes os artigos da sua coluna no Diário de Notícias e a torrente de adjectivos com que zurze os adversários do presidente do PSD, seja ele qual for. Um dos últimos adjectivos que dirigiu aos adversários políticos era menos rebarbativo e mais eufónico do que o habitual – ranhosos.
VGM é curioso na forma, imaculado na gramática e trauliteiro na política. Não espanta o enlevo com que defende Manuela Ferreira Leite, a ex-ministra das Finanças cuja troca por Bagão Félix, fez dela uma governante competente. O que surpreende é o acrisolado amor a Bush, Barroso e Aznar e o rancor que vota a quem não os apoiar.
Vale a pena ler VGM, não pelo conteúdo mas pela forma, não pelo fundamento mas pela paixão que põe na defesa do Eixo do Bem e na fé que alimenta as suas profecias.
Fui reler o artigo do DN, de 17 de Setembro, em que ele já notava a mudança favorável dos juízos mundiais sobre Bush e a justiça das suas decisões. O panegírico à política económica era arrebatador e afirmava, peremptório: «o argumento de que a maioria dos europeus prefere Obama a McCain não tem qualquer peso eleitoral, só mostra a parvoíce dos europeus e como acaba por ser eficaz a diabolização que a esquerda se encarrega de promover desde que se trate dos Estados Unidos e dos republicanos, enquanto se vai babando, extasiada, de socialismo prospectivo».
VGM é um perdedor. Além de perder um presidente do PSD por ano, acabou por perder a eleição de McCain. A esperança que nutria pelo candidato republicano, tão avassaladora como a terna devoção a Bush, levou-o a vaticinar: «Enfim, afigura-se que McCain vai ganhar. Felizmente».
Com a alma a vibrar pelo PSD, VGM nem esperou que amainasse a tempestade sobre a interrupção voluntária da democracia, por um semestre, para se desfazer em elogios à querida líder no artigo de ontem, no DN: «A torpe ditadura da maioria».
Leitor assíduo do plumitivo, facilmente adivinhei que não se referia à Madeira.

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2 Comments:

Blogger Jorge Oliveira said...

É verdade. Vasco Graça Moura perde-se muitas vezes na defesa de quem não merece.

Mas tem-se distinguido pela sua coragem em deixar o campo do politicamente correcto para defender muitas e meritórias causas, de que se destaca, mais recentemente, a luta contra o famigerado Acordo Ortográfico.

Por isso, pesadas virtude e defeitos, a intervenção de VGM no nosso meio intelectual é capaz de merecer uma nota bastante positiva, muito superior à de outros que recolhem geral aprovação.

20 de novembro de 2008 às 15:15  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Com o VGM passa-se uma coisa com piada:
Apesar de, em termos políticos, eu estar nos antípodas dele, gosto de ler o que escreve, e até gostava de o conhecer pessoalmente.

Penso também que, ao contrário das aparências, é uma pessoa acessível; pelo menos, tem respondido sempre aos mails que lhe mando, ao contrário do que sucede com muito boa gente que julgamos ser "porreirinha".

20 de novembro de 2008 às 17:20  

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