12.12.08

Baptizados e Cª

Por Maria Filomena Mónica
PERTENÇO A UMA GERAÇÃO em que a ideia de os ateus optarem por se casar na Igreja, baptizar os filhos ou levá-los à primeira comunhão era tida como uma aberração. Uma vez renegada a fé, nunca nos passou pela cabeça que as cerimónias religiosas pudessem dar patine social. Ao ser recentemente convidada para um baptizado de duas crianças, cujos pais eram ateus, dei-me conta de que o meu mundo deixara de existir.
Ao longo dos últimos anos, é cada vez mais frequente a ocorrência de cerimónias em que indivíduos sem qualquer convicção religiosa optam por ter um padre a consagrar festas cujo significado lhes escapa. Hoje, é chique os bebés serem expostos à água baptismal, as crianças pré-púberes envergarem fatinhos brancos para receberem a hóstia pela primeira vez e as noivas, supostamente virgens, irem de branco até ao altar. A esmagadora maioria de gente que por tal opta não acredita em Deus, muito menos na Igreja. Mas, depois de anos de austeridade revolucionária, sabe-lhes bem voltar aos rituais antigos.
Apesar da quebra acentuada de casamentos celebrados durante a última década, há cada vez mais empresas a «operar» neste mercado: o negócio gera mil milhões de euros por ano, o que se fica a dever ao facto de os pais dos nubentes insistirem em alugar solares, jardins e quintas para o «evento». Cada casamento – o mesmo se aplicará aos baptizados e às primeiras comunhões – custa, em média, 20 mil euros. Conheço famílias sem recursos que pediram dinheiro emprestado ao banco para poderem dar às filhas casadoiras uma festa condigna. Perdido o controlo sobre a vida sexual dos contemporâneos, a Igreja tem de aceitar os que lhe batem à porta independentemente da sua fé. Isto já se deve passar há bastante tempo, mas, tendo em conta a minha misantropia, só agora dei pelo fenómeno. Num país de hipócritas, nada disto parece chocar ninguém.
Maio 2007

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3 Comments:

Blogger JSA said...

Há dois pontos a ressalvar: um deles é o que já aí está, a ideia do chique. O outro passa pela pressão familiar, em que uma das famílias insiste no casamento religioso.

Pessoalmente, como ateu assunido que teve a sorte de nunca ter sido baptizado, revejo-me nestas perplexidades. Não me consigo imaginar a casar pela igreja, seja em que circunstâncias for. Nem tanto por o significado da cerimónia me escapar - não é preciso ser religioso para o compreender - mas tão só por ser pura hipocrisia.

12 de dezembro de 2008 às 13:51  
Blogger Táxi Pluvioso said...

Ateus portugueses? Não existe dessa fruta no país. Alguns, que fingem durante algum tempo, mas depois estão caídos beijando a batina do padre. Um povo atrasado vive na primeira interpretação do mundo, por muito verniz que lhe ponham, ou cursos universtários lhe dêem.

12 de dezembro de 2008 às 14:21  
Blogger Zeca Portuga said...

A hipocrisia não está do lado da Estrutura da Igreja, já que amenos que um dos noivos seja católico, não é possivel realizar matrimónio religioso.

A hipocrisia esta do lado dos falsos ateus (aqueles a que cahmo ICAR - Insolentes e Contraculturais Ateus Republicanos): Não são coisa nenhuma na vida, mas para ver qeu alguém nota a sua insigificante existencia, dizem ser tudo.

A grande maioria (uns 90%) dos que se dizem ateus, mais não são do que analfabetos civilizacionais escolarizados e/ou perturbados humanos com comportamentos disfuncionais.

13 de dezembro de 2008 às 21:06  

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