9.12.08

Passatempo a propósito da crónica anterior

O SORUMBÁTICO desafia os seus leitores a escreverem um pequeno texto dizendo que livro de Erico Veríssimo é que recomendariam a alguém que desconhecesse a obra do escritor - e explicando porquê.
O autor do melhor texto afixado até às 20h do próximo sábado (13 Dez 08) receberá um exemplar de um clássico da literatura brasileira.
Actualização (13 Dez 08): ver resultados [aqui]

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12 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Neste momento, os prémios possíveis são livros de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Erico Veríssimo (os destes últimos são de alfarrabistas)

9 de dezembro de 2008 às 17:03  
Blogger JP said...

Eu fico à espera da vossa participação! Pois não conheço a obra! Convençam-me!

9 de dezembro de 2008 às 17:41  
Blogger Serafim said...

Recomendaria o livro:
Deus Lhe Pague

Ainda hoje cada vez mais actual

9 de dezembro de 2008 às 20:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Serafim,

Conheço o saboroso «Deus lhe pague», mas da autoria de um outro autor brasileiro, Juracy Camargo.

É a história de um indivíduo que enriqueceu como mendigo profissional e leva uma vida dupla:

É pedinte de dia, e milionário de noite.

9 de dezembro de 2008 às 20:13  
Blogger Manuel Pessanha said...

O primeiro volume do " O Tempo e o Vento" intitulado "O Continente". Porque é a história dos homens e mulheres que num tempo difícil e longe de tudo construíram uma nova nação (a gaúcha) num país ele mesmo em construção (o Brasil, para quem não saiba...). Porque continua a história dos portugueses fora de Portugal. Porque li o livro todo de enfiada numa só noite, das 11 às 7. E porque nunca mais esqueci Dona Bibiana e o seu Capitão Rodrigo.

10 de dezembro de 2008 às 18:43  
Blogger Serafim said...

Caro Medina Ribeiro

De facto cometi um erro terrível sobre o autor do livro. Justiça a juracy Camargo.

11 de dezembro de 2008 às 14:00  
Blogger carlos ponte said...

Tenho para mim que todos aqueles que gostam de livros têm uma lista dos que, por circunstâncias várias, ainda não leram mas não perderam a esperança de vir a fazê-lo. A minha é imensa – refiro-me à lista, entenda-se. Foram lá parar pelas mais variadas razões: porque os folheei e gostei do que vi; porque me foram aconselhados por quem pode – sim porque dar conselhos não é para quem quer é para quem pode –; porque li sobre eles e fiquei convencido e até, pasme-se, porque “toda a gente lê” – hei-de, se para isso me não faltar a coragem, ler o Ulisses de James Joyce. Do Joyce como familiarmente diz o pessoal mais pretensioso como se o tivesse acompanhado nuns fins de tarde a esvaziar uns copos de Guinness no pub lá da rua. Desconfio bastante deste pessoal mais afectado mas, mesmo assim, não vou riscá-lo da lista. Veremos no que dá. Bom, dizia eu que a minha lista é imensa. Um dia, ainda que longínquo, todos aqueles títulos saltarão para a minha mesa-de-cabeceira e então, só então, poderei saber se valeu a pena a espera. Até lá, para me não amargurar a delonga, vou-me socorrendo da confidência de Miguel Torga. Com a provecta idade de 75 anos – confidenciou-o ao seu Diário nos princípios de 1983 –, Torga, experimentou, pela primeira vez, os prazeres das aventuras de Júlio Verne, o humorista da imagem, como lhe chamou. “Júlio Verne […] que não me povoou de aventuras a infância, obrigada a contentar-se com as histórias da senhora Maria Ambrósia, enriqueceu de franca alegria algumas horas da minha velhice”. Quando sou apanhado em falta, lembro-me do poeta. Olhai os lírios do campo, ainda não li. Está na minha lista. Já quase apagado pelo uso mas, estoicamente, resistindo. Está lá, se me não atraiçoa a memória, por três razões: a primeira remete-me para a minha infância e juventude. Tenho por adquirido que, por mais do que uma vez, nos livros de texto de Português li extractos de obras de Veríssimo. Li e gostei. A decisão de, futuramente, o incluir na lista, terá começado a fermentar por essa altura. A segunda razão é, à falta de melhor classificação, do foro estético: diz respeito ao título. Considero o título importantíssimo. Reconheço ter algumas dúvidas que um bom título torne boa uma má obra mas do que não duvido é que um fraco título pode assassinar uma boa obra. Olhai os lírios do campo é, sobre qualquer prisma que o observemos, um título notável. A terceira razão, esta mais prosaica, tem a ver com o nome do autor. Nunca me saiu da cabeça que o “mangas-de-alpaca”, na hora de assentar o nome da criança, comeu um u e, ali mesmo, determinou que a criança seria Erico até ao fim dos seus dias.

PS. Vou aceitar a sugestão do Manuel Pessanha. Convenceu-me. De qualquer modo só depois do “Olhai os lírios do campo”.

12 de dezembro de 2008 às 21:17  
Blogger cerejinha said...

Apesar de Érico Veríssimo não ser o meu escritor brasileiro preferido, a saga “O tempo e o Vento” é um marco da literatura brasileira, e por isso não posso deixar de concordar com o Manuel Pessanha na sugestão deste livro. No entanto, diferentes são as minhas razões. Pelo facto de ter vivido no Brasil, as histórias passadas nessa Terra abençoada por Deus, tocam-me de uma maneira inigualável, porque consigo lembrar das aulas de história da adolescência e sentir o cheiro e ver os rostos desse povo que apesar do sofrimento dá sempre a volta por cima. É uma história que mostra a bravura dos seus protagonistas, herança dos seus antepassados portugueses que desbravaram o Mundo. E para mim o exemplo máximo dessa qualidade está representado em Ana Terra, uma mulher que em “tempos de Homens”, não deixou de amar, de proteger e lutar pela sua família e partir para um lugar desconhecido onde construiu a sua própria “terra”! É uma mulher confiante, resoluta, pioneira, e que em meio a sucessivas guerras é a “mãe” de uma grande história que vale a pena ser lida.

13 de dezembro de 2008 às 18:10  
Blogger Manuel Pessanha said...

Saga, Caminhos Cruzados, Clarissa, Olhai os lírios do campo, Um lugar ao Sol… Erico Veríssimo, juntamente com Huxley, Hemingway e Zola, eram há 50 anos, quando eu tinha 20, os meus autores de cabeceira. Ainda não tinha descoberto Eça – de quem uma leitura prematura do Crime do Padre Amaro me tinha afastado –, Balzac passou-me ao lado (ou eu dele), Flaubert foi uma leitura fugidia, Camilo andava escondido nas estantes do meu tio avô de que herdei o gosto pela leitura. Gostava de Veríssimo mas não mais do que dos outros até à leitura do O Continente, primeira parte da saga O Tempo e o Vento, depois prolongada pelo O Retrato e pelo O Arquipélago. Este último volume vagueia pelo labirinto da política brasileira nos anos 30 e 40 e pelos ajustes de contas de Veríssimo com os seus fantasmas: não recordo nem a história nem os personagens. Em O Retrato ainda há restos de alguma epopeia e retratos de pioneiros: Maria Valéria, o Fandango, o irmão Toríbio. Mas é no O Continente que Veríssimo chega à perfeição ao narrar, desde o fim do século XVIII até ao século XX, o nascimento da nação gaúcha do Rio Grande do Sul, um fresco que começa na Guerra (ainda portuguesa) das Missões, passa pela Guerra dos Farrapos, pinta as revoluções, vê chegar a imigração (portuguesa, italiana, alemã), vive a condição dos escravos e a submissão das chinocas ao capricho dos senhores. Através da história de duas famílias que se enfrentam em tudo, desde a sua própria génese até à cor política e aos ciúmes de amor, Erico Veríssimo conta o nascimento e evolução de Santa Fé, metáfora do rio Grande e da cultura do chimarrão e do minuano. Sem nunca perder a intensidade dramática dos personagens que se amam, odeiam ou suportam nesse universo ao mesmo tempo limitado e infinito.
Foi esse o livro que eu li duma só vez, das 11 da noite às 7 da manhã e acabei a tempo de me vestir para ir para as aulas do Técnico. Os outros livros de Erico Veríssimo repousam sossegados lá na estante, há 50 anos. O Continente ainda é aberto com regularidade, quando me dá a saudade de um certo Capitão Rodrigo e da sua mulher, Dona Bibiana, fundadores de nações.

13 de dezembro de 2008 às 19:10  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Ver "Actualização".

Obrigado a todos!

14 de dezembro de 2008 às 13:19  
Blogger cerejinha said...

Obrigada pelo prémio!

Cumprimentos,
Neusa

14 de dezembro de 2008 às 21:53  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Neusa,

Enviei aos três uma lista de livros, para cada um de vocês escolher um deles até 4ª-feira.
(Conto poder fazer o envio na 5ª feira, quando chegar a Lisboa)

Aguardo a sua escolha.

14 de dezembro de 2008 às 22:24  

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