19.3.10

«Estado de Guerra» - Passatempo com prémio

CONVIDAM-SE os leitores que viram este filme a darem aqui a sua opinião acerca dele.
O melhor comentário será premiado com um um exemplar do livro «O Império da Guerra - O mundo depois do 11 de Setembro». Desta vez, o prazo será mais longo do que o habitual: terminará às 20h do próximo dia 26, sexta-feira.
Actualização (26 Mar 10 / 20h25m): o prémio foi atribuído a Teresa, que tem 24h para escrever para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada para envio.

18 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

A propósito de efeitos especiais:

Estou a ler «As Maravilhas do Cinema», de Georges Sadoul, e fica-se de boca aberta com a descrição do que era preciso fazer (mesmo já na 2ª metade do século XX) para simular coisas simples, como uma cena numa carruagem:

Era filmada em estúdio, com 4 homens a abanar a estrutura (para simular os solavancos), mais 2 que passavam junto à janela com uns ramos (para simular árvores), mais 2 que davam a uma manivela (para fazerem passar uma enorme tira com uma paisagem pintada, enrolada em rolos com 6 metros de diâmetro), mais outro a soprar pó-de-talco para o ar (para simular poeira), etc.

Tudo repetido umas 12 ou 20 vezes, para obter alguns segundos de película final.

19 de março de 2010 às 22:04  
Blogger Catarina said...

Muito interessante. Essa cena “empregava” gente. E agora? Para uma cena semelhante quantos “funcionários” serão necessários?

20 de março de 2010 às 10:35  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Já há muitos anos que qualquer jovem com um PC e um software de imagem faz uma cena dessas.

Note-se que o que descreve não é dos tempos heróicos de Meliès, mas sim da 2ª metade do séc XX (ou seja, "ontem"!).

20 de março de 2010 às 10:55  
Blogger Catarina said...

Recordo-me que quando andava a estudar, um professor (não me recordo de que cadeira) nos dizia que a tecnologia – as máquinas - iria(m) desempregar muita gente. Daí a minha pergunta, de certa forma, retórica. Por outro lado, foram necessárias várias pessoas para inventarem essas “máquinas”, esses programas e outras para as manter em bom estado de funcionamento, etc. Em termos de tecnologia cinematográfica avançada, temos o “Avatar”. Impressionante!

20 de março de 2010 às 11:12  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

A ideia de que "as máquinas criam desemprego" é uma falácia que já vem dos tempos da Revolução Industrial, quando apareceu a máquina a vapor.
E há a velha história dos alfaiates que destruíram as primeiras máquinas de costura.
Qual é o alfaiate que, hoje em dia, não tem nenhuma?

E as máquinas, não precisam de quem as fabrique, mantenha e utilize?

O que há, com a evolução técnica, é uma mudança constante de paradigma de certas actividades, com a permanente destruição de certas profissões e a criação de novas.

Tenho aqui um Dicionário de Artes e Ofícios que está cheio de profissões que desapareceram (ainda há poucos anos havia um ferrador de cavalos aqui ao pé!).

Alguém vai defender que a EPAL desapareça para repor os postos de trabalho dos aguadeiros?

Mas isso é assim desde o início da História Humana. De cada vez que o Homem inventou uma nova ferramenta (mesmo um machado ou uma serra...), tirou "trabalho" àqueles que faziam as mesmas tarefas, mas sem elas.

O aspecto essencial está, aliás, na própria definição de "trabalho":
«Actividade remunerada e útil».
É por isso que o "arrumador de carros" que ganha a vida junto a um parque vazio, não efectua "trabalho".

»»»»»

NOTA: hoje mesmo, tocou à minha porta um limpa-chaminés...

20 de março de 2010 às 11:39  
Blogger Catarina said...

Ainda bem que existem os limpa-chaminés. Se não fossem eles, ainda teria um ninho de não sei que pássaro na minha desde o ano passado. Também passam por aqui – muito raramente – os amoladores. Uma profissão em vias de extinção, eu diria.
Mesmo assim, creio que o desenvolvimento tecnológica fez desaparecer algumas profissões ou reduzir o número de funcionários, não acha? Bancos, por exemplo. Atendedores automáticos de chamadas em grandes empresas. Por outro lado, essa mesma evolução tecnológica vai criar novas profissões. Mas haverá equilíbrio? Gostaria de ler algo sobre isso.

20 de março de 2010 às 11:51  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

«Mas haverá equilíbrio?»

A resposta está dada há muito tempo, pois é nos países onde a industrialização é maior que há menos desemprego:

EUA, Japão, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Alemanha, Luxemburgo...

Mesmo quando, face a uma crise económica, eles se debatem com aumento do desemprego (que sempre existe), o que fazem não é regredir em termos tecnológicos - mas sim o inverso.

--

Bem, agora vou ao cafezinho...

20 de março de 2010 às 12:22  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Quando diz «Ainda bem que existem os limpa-chaminés», isso quer dizer que a profissão se justifica.

Nada a opor.

"Trabalho", como atrás digo, é isso mesmo - uma actividade "útil" (mas não mantida artificialmente).

20 de março de 2010 às 12:27  
Blogger azurara said...

Pois eu vi o filme todo. Contudo, acho que se tivesse visto apenas os últimos cinco, vá lá, dez minutos, teria sido a mesmíssima coisa.
Mas isso sou eu, que não percebo nada de filmes como os senhores da "Academia".

21 de março de 2010 às 01:48  
Blogger Teresa said...

Vi o filme e gostei, embora não fosse a minha escolha para o Óscar (mas não sou eu que atribuo a estatueta!). Enviamos o comentário para aqui ou para um e-mail?

22 de março de 2010 às 19:44  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Recebido!

22 de março de 2010 às 19:47  
Blogger Teresa said...

Carlos, isto não é comentário nenhum de jeito! Só estava a perguntar se o comentário a sério era enviado para aí ou para outro endereço.

22 de março de 2010 às 19:51  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

OK,

Afixe aqui, que ele é reencaminhado automaticamente.

22 de março de 2010 às 19:52  
Blogger Teresa said...

Fui ver este filme porque ganhou seis Óscares, entre os quais o de melhor filme, e não porque me despertou um interesse especial. No entanto, gostei. O filme é passado no Iraque e torna-se um bocado claustrofóbico, devido à forma como é filmado, como se se tratasse de um documentário que acompanhasse o dia-a-dia de um grupo de soldados americanos desactivadores de minas, mas também devido ao ambiente, à cor de areia que rodeia e confunde tudo na mesma paisagem. Quem já esteve no Médio Oriente sabe que aquela é a cor, a cor da areia e do pó. A falta de verde é angustiante, como a falta de água.
Apesar de ser um filme totalmente rodado em reconstituições de situações de guerra, não é bem um filme de guerra, mas sim um filme sobre as emoções humanas em situação de guerra. Estão aí as constantes do filme: é o medo, a inevitabilidade da insegurança, a contagem dos dias até ao regresso a casa; é a tensão elevada ao máximo, os sentidos alerta em dada situação de perigo, a concentração total (como esquecer a cena da mosca, que os soldados não afastam, tal é o seu grau de concentração?); mais surpreendente, é a adrenalina provocada pela própria situação de tensão, e que funciona como uma droga altamente aditiva. Um dos protagonistas, o sargento do grupo, não consegue já passar sem ela e, no final, sente-se mais feliz numa rua de Bagdad do que num supermercado, back home, a escolher uma caixa de cereais.
É um filme de guerra, mas não há bons e maus, nem cenas heróicas de batalha. Não trata dos horrores da guerra, mas da guerra como um hábito, quase como uma droga.
Não seria a minha escolha para o Óscar mais importante, mas é, sem dúvida, um bom filme, capaz de nos fazer reflectir sobre questões que afloram poucas vezes nos noticiários ou nos ecrãs de cinema.

24 de março de 2010 às 14:50  
Blogger Catarina said...

Eu que adoro cinema e vejo todos os filmes nomeados para os Óscares – e não só! - este não vi! Não me suscitou qualquer interesse. Não gosto de filmes de guerra nem de violência gratuita! Mas depois de ler a excelente sinópse e análise da Teresa, não posso deixar de o ver. Já sei quem consultar quando estiver indecisa num filme! : ) Detesto perder tempo!

24 de março de 2010 às 16:46  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

De facto, não é um filme de guerra, no seu sentido habitual.

É um filme sobre gente (militar e civil) que vive num cenário de guerrilha urbana, com snipers, bombistas e desactivadores de engenhos explosivos.

O filme tem várias "referências" a cenas de outros, famosos.
Uma delas, a do «2001, Odisseia no Espaço», em que o único som é o da respiração abafada do homem, dentro do capacete.

24 de março de 2010 às 19:53  
Blogger Teresa said...

Catarina,
Esteja à vontade. Eu não sou nenhuma crítica de cinema, mas adoro uma boa história :)
Carlos
Tem razão, essa da respiração passou-me!

24 de março de 2010 às 22:01  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Ver "actualização"

27 de março de 2010 às 08:57  

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