27.8.10

A mistela do 'eduquês'

Por Guilherme Valente
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1. SÓ HÁ um grande problema em Portugal, todos os outros derivam dele, serão resolvidos por acréscimo: a educação. O nosso défice público maior. No entanto, a solução desse problema fundador foi deixada a um grupo de pessoas de duvidosa formação, chocante insensatez, gritante incapacidade de gestão, desígnio ideológico inconfessável. Durante mais de trinta anos. Sobrevivendo a todas as mudanças de governo. Com uma continuidade como nunca se verificou noutra área governativa. Sem terem sido eleitas. Sem o seu programa ter sido votado pelos Portugueses. Impedindo a construção da escola do conhecimento e da exigência, que redistribuiria a cultura e qualificaria os Portugueses, esse grupo dos «especialistas» controla todo o sistema educativo, das estruturas de poder do Ministério à formação de professores. (...)

Texto integral [aqui]

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7 Comments:

Blogger GMaciel said...

Fala-se muito do "eduquês", agora, como nefasta política de educação, mas há muito tempo que amigos meus, professores, anunciam a catástrofe desta política - assim chamada, o epíteto não é meu.

Eu, apenas mãe preocupada - muito - com o futuro que não vejo risonho, volto a questionar: porque é que em vez de se falar, repetir ad nauseum o que já todos vimos e entendemos, não se começa a trabalhar para correr de vez com esta trupe de intelectualóides cretinos? Porque razão não nos organizamos, como sociedade civil, e nos manifestamos contra o asco em que estão a transformar este país e o seu futuro? Porque não começar com um valente NÃO a este acordo ortográfico, verdadeiro atentado à língua mátria?

Mas não! Falamos, falamos, falamos, mas continuamos, quais carneiros, a colocar a cruzinha no "mal menor" que nunca assim se revelou. Debatemos, argumentamos, defendemos ou acusamos, mas na hora da verdade lá se escorrega na lei do menor esforço, sucedendo-se os erros sem remissão.

Porquê? Penso que isto se deve à ausência de estima própria do português, à ausênsia, principalmente, por estima pelo país e pela nossa identidade como a nação com as mais velhas fronteiras da Europa. A prova maior, caso dúvidas houvesse, é a adesão, repito pela milionésima vez, a este acordo ortográfico. Jornalistas, cronistas, escritores e professores deveriam ser os primeiros a não o aceitar, mas é uma estafa ser-se contestatário e a modernidade não se coaduna com purismos linguísticos.

Somos o que o país espelha: corruptos, vigaristas, indisciplinados, sem civismo, ignorantes, deslumbrados com e pela imagem, incultos, iletrados... temos o que merecemos.

27 de agosto de 2010 às 16:25  
Blogger José Batista said...

Apesar do que (muito bem) diz Graça Maciel, o que sinto é o que está no fim do texto de Guilherme Valente: "a minoria que foge ou sobrevive não chegará para resistir à aniquilação geral da inteligência e da vontade"... Interrogo-me sobre se devo confessar isto. Mas opto por dá-lo a conhecer. Apesar de proibir-me de desistir: pelos meus filhos e pelos meus alunos.

27 de agosto de 2010 às 16:48  
Blogger RM said...

Cara GMaciel:

Com o devido respeito, concordo com tudo o que afirma, excepto quando diz “temos o que merecemos”.

Não é verdade que temos o que merecemos, temos sim aquilo que uma cambada de “corruptos, vigaristas, indisciplinados, sem civismo, ignorantes, deslumbrados com e pela imagem, incultos, iletrados” nos impuseram.


Só falta o poeta para a trupe ficar completa.

27 de agosto de 2010 às 17:45  
Blogger GMaciel said...

Caro RM, até concordo consigo, por mais estranho que pareça.

Contudo, falo no plural porque já contribuí para este estado de coisas... mas acordei, felizmente. Hoje não acredito em político algum, percebi - enfim, mas mais vale tarde do que nunca - que vêm todos ao mesmo e que a minha responsabilidade não pode limitar-se a votar em alguém que determinado partido escolheu para concorrer ao lugar de primeiro-ministro - ou presidente, já agora - sem outra capacidade que não seja a forte possibilidade de agradar ao eleitorado. Isto demonstra bem ao que fomos reduzidos, meras marionetas do marketing político.

Cansei-me de votar em fraudes, humanas e políticas, e não entendo como ainda pode haver tanta gente defendendo esta "democracia" e estes "democratas".

Sou irredutível? Mais prosaicamente, sou caturrona? Sou.

:)

27 de agosto de 2010 às 18:12  
Blogger Bartolomeu said...

Eu, deixei de votar ha muitas eleições, tal como a Graça, percebi a tempo que votando, estava a contribuir para que um porradão de xulos, curtisse à grande, o dinheiro dos impostos que neste regime democrático em que vivemos, protegido por uma Constituição erguida sobre os mais elementares direitos humanos, é esturquido a quem trabalha, com o nobre objectivo instituído de ser aplicado em prol da estabilidade social.
Porem assistimos aos nossos governantes a gastarem esse mesmo dinheiro em carros de luxo, em viagens, em banquetes, enquanto um número inextimável de idosos que trabalharam durante uma vida, que ajudaram a construir o país, que com o produto do seu trabalho, pagaram os cursos desses governantes, a viver a baixo do limiar da miséria, em casas por onde lhes entra a água da chuva, a auferir de reformas que não chegam para comprar os medicamentos que necessitam, amortalhados em vida, numa miséria revoltante, cínica, egoísta.
Esses quadros de miséria humana, que diáriamente nos chegam ao conhecimento através dos meios de comunicação social, chegam também com certeza, ao conhecimento dos nossos governantes.
A pergunta mais simples que me ocorre é; como é que esses homens e mulheres que compõem o governo para que foram votados por este povo explorado, reduzido a uma existência de miséria, conseguem viver com as suas consciências?
A constatação mais simples que me ocorre, é; conseguem, e nós todos somos testemunhas de que conseguem. Uma vez que conseguem, não se regem por valores morais, éticos, sociais, não têm honestidade, mentem quando afirmam em campanha que tudo irão fazer para acabar com a discriminação e a desigualdade sociais, as mesmas que fumentam, depois de serem eleitos.
Então, o voto continua a ser uma arma, mas uma arma que pode ferir mais, não sendo disparada!

28 de agosto de 2010 às 11:58  
Blogger José Batista said...

E repare, Bartolomeu, como, sempre que se metem em alhadas, os nossos representantes (os nossos escolhidos..., escrever isto dói) recorrem habitualmente à (estafada) afirmação: "estou de consciência tranquila".
Como se nós tivéssemos alguma dúvida acerca disso.

28 de agosto de 2010 às 12:16  
Blogger Bartolomeu said...

É verdade, José Batista...!
Não sou daqueles que tenta encontrar defeitos, até nas qualidades alheias, mas creia, doi-me, doi-me profundamente que aqueles em quem se depositam esperanças, em quem a simplicidade, a genuinidade do nosso povo acredita, servir-se da autenticidade dessas gentes e tirar-lhes aquele mínimo a que têm direito, para seu proveito próprio, sem qualquer género de pudor, sem qualquer tipo de vergonha.
As gerações mais velhas do nosso país, trabalharam para a criação de um estado social, um estado em que os mais desfavorecidos são apoiados por aqueles que podem dispender de uma parte dos seus recursos. Um estado imbuído do espírito da solideriedade e do amor pelo próximo. Hoje, temos um stado em tudo contrário a esse espírito e temos ainda, à porta, à espera para entrar, uma chusma de manganões, que ainda não estão no poder e anunciam que quando estiverem, ainda vão fazer pior.
Como dizem os anciãos da minha aldeia "isto só vai lá à cachaporrada"

28 de agosto de 2010 às 14:19  

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