8.5.11

Passos fala grosso e mostra-se fraco

Por Ferreira Fernandes

MEIA DÚZIA de estrangeiros, em dias, diagnosticam, receitam, e os partidos que nos têm governado aplaudem essas mezinhas para salvar o País. Fica a pergunta: o que os impediu de serem eles a salvá-lo? Mas é uma pergunta ociosa porque, apesar de conhecerem as nossas doenças, PS, PSD e CDS governam-se à vista curta, pelo interesse do momento.
Exemplo forte é Manuela Ferreira Leite a mudar de opinião sobre a avaliação dos professores, quando passou de ministra para líder da oposição, e a ministra que personificava aquela medida, Maria de Lurdes Rodrigues, ser despedida por Sócrates não querer defrontar um lóbi forte. PSD, primeiro, e PS, depois, no seu pior. O oportunismo é a doença dos fracos, e os partidos portugueses raramente são mais do que fracos.
Desta vez, temos, ao que se diz, boas medidas. Basta aplicá-las. Quem? Está aí o busílis. Os lóbis (dos Mário Nogueira, dos juízes, dos autarcas...) vão oferecer uma resistência que um Governo, mesmo já com a pauta dada pela troika, só forte ultrapassará. Daí que a frase de Passos Coelho "No Governo ou vai estar o PS ou o PSD: não vão estar os dois" só pode ser lida como mera táctica eleitoral. A frase pode servir-lhe para 5 de Junho. Mas não nos servirá para os anos que vêm aí. Governos PSD sozinho, ou PS sozinho, ou PSD-CDS, ou PS-CDS são governos da treta, curtos. Passos fala grosso mas mostra a costumeira fraqueza de político português: a navegação à vista.
«DN» de 8 Mai 11

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2 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

E qual será a resistência de pessoas como A.J. Jardim?
Nomeadamente:
O que se vai passar com o IVA na Madeira, que está vários pontos abaixo do do Continente?

(Julgo que nos Açores a situação é a mesma, mas a truculência de AJJ deixa Carlos César a léguas...)

8 de maio de 2011 às 12:14  
Blogger José Batista said...

Sou professor.
Desconheço o pensamento de Manuela Ferreira Leite em matéria de avaliação de professores. Não sei se mudou ou não. Mas, rejeitar o abjecto modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, bem como o que está em vigor, é apenas um acto de decência. Prova: se se candidatar às quotas de “muito bom” e “excelente”, um professor avaliador concorre com (“contra”) os docentes que lhe cabe avaliar! Não sei se o sistema de avaliação dos jornalistas também contempla coisas assim… E não compreendo como há tantos opinadores que, parecendo desconhecer a realidade das escolas, se pronunciam tão taxativamente sobre ela. Eles lá saberão porquê. Já agora, se não se entendem ou não conseguem fazer um sistema de avaliação de professores simples, exequível e minimamente justo, eu disponibilizo-me para elaborar um na primeira semana que tiver mais disponível. Faço-o gratuitamente. É só pedirem.
Mais um acrescento: não faço parte de nenhum lóbi, nem aceito que nenhum lóbi me manipule ou dirija as minhas acções. E exijo que respeitem a minha profissão na mesma medida em que respeito todas as outras.

8 de maio de 2011 às 17:50  

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