20.4.12

Futuro

Por João Paulo Guerra

NO MESMO dia em que no FMI reafirmou que os excessos da austeridade ameaçam matar o doente, os portugueses ficaram a saber que estão em preparação mais medidas restritivas.
Isto é, que em Portugal a doença da crise é mesmo para matar. Ou seja, a austeridade, com o rol de imensos sacrifícios impostos aos portugueses, longe de se destinar a vencer uma crise, é uma punição e uma medida ideológica destinada a impor uma nova ordem económica, social e política em Portugal como em parte da Europa. E portanto o aviso do FMI, neste particular, vale menos que as mezinhas de ‘frau' Angela Merkel.
A punição destina-se a servir de lição aos portugueses para que jamais sonhem com uma vida com um mínimo de conforto e largueza, numa Europa social. A continuação da austeridade tem por fito empobrecer ainda mais a maioria dos portugueses, pois o estatuto de miseráveis é o que lhe está reservado no futuro.

E assim, entre as novas medidas de austeridade conta-se um novo corte nos subsídios por despedimento, em cima do que ainda nem sequer está a ser aplicado. Tornar os despedimentos cada vez mais baratos é uma via para criar a legião de desempregados que fará da maioria dos portugueses párias na sociedade do seu próprio país, constituindo uma enorme pressão sobre os salários e os direitos sociais e políticos dos que tenham trabalho. A questão é que quantos mais forem os pobres mais ricos serão os muito ricos, pois já Almeida Garrett se interrogava, no século XIX, sobre o número de pobres que seriam necessários para fazer um rico.
A crise e como sair dela são conversa fiada. O que está em causa é um modelo ideológico mais refinado de exploração, retrógrado, reacionário e injusto que vigorará até um dia.
«DE» de 20 Abr 12

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