9.1.13

Portas, oiça esse silêncio...

Por Ferreira Fernandes
COMEÇO a preocupar-me, até Paulo Portas, que me habituou a palavras certas, disse ontem: "Há, evidentemente, na sociedade portuguesa certos sintomas de desalento e de desânimo que é preciso contrariar com sensibilidade." 
Não é a evidência anunciada pelo ministro que contesto, é a profundidade dela. Ao pretender contrariá-la "com sensibilidade", pareceu-me que para Portas a fossa em que os portugueses caíram poderia ser tratada com a coisa pouca que animou ontem os sportinguistas - pelo menos agora já têm um treinador que faz a barba. Mas o desalento e o desânimo dos portugueses não podem ser resolvidos com a suavidade de um bom creme de barbear. 
Recorro às palavras do embaixador Seixas da Costa, cuja estada em Paris o ajuda, quando cá vem, a ver, mesmo, o país: "As pessoas estão mais tristes. Pior: a cidade está triste. Às tantas, é mesmo o país que está triste...", escreveu, há dias, no seu blogue. Teve comentários, e pouco depois voltou a sua nota para acrescentar: "Leiam o comentário (assustador!) de Isabel BP..." Fui ver. A senhora escreveu: "Até a habitual algazarra lisboeta desvaneceu e deixou de haver aquele barulho de fundo tão caraterístico da cidade." Silêncio ensurdecedor já é expressão batida, mas não me interessa aqui o estilo. É isso mesmo, ando a ouvi-lo, ando a ouvi-lo... Desse silêncio certamente o INE não tem indicadores, mas que é necessário haver, mais do que sensibilidade, uma política para ele, é. 
«DN» de 9 Jan 13

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