19.4.18

Invasão da Síria – Uma derrota perfeita, com danos colaterais

Por C. Barroco Esperança
A “missão cumprida” na Síria, na sequência de uma denúncia do lançamento de armas químicas, atribuídas ao presidente Bashar al-Assad, pela organização humanitária síria, White Helmets, com fortes ligações ao R. U., pôs o mundo à beira de uma guerra global cuja eclosão não está excluída.

Trump, May e Macron, todos com problemas políticos internos, decidiram retaliar, com o primeiro a testar novos mísseis «bonitos, novos e inteligentes» e os seus cúmplices a aliviarem os stocks, horas antes da chegada de uma equipa de inspetores da OPCW, que poderia ter clarificado com rigor a origem do alegado ataque químico que, a ter existido, tanto podia ter sido do regime como dos rebeldes.
Enquanto a Sr.ª May, afirmava ter provas, que não apresentou, quando ainda não provou que tivessem sido russos os autores do envenenamento do ex-espião Skripal, e Macron a secundou, também sem exibir provas, o antigo embaixador britânico na Síria, Peter Ford, disse aos microfones da BBC que lhe parecia pouco verosímil o referido ataque químico de Assad, quando, em Douma, a resistência dos rebeldes chegava ao fim.
Há muita gente que, por tática partidária e americanofobia, minimiza o perigo de Putin e a ameaça cada vez maior de Erdogan.

Trump e Putin têm sido os grandes defensores da extrema-direita e os mais interessados na desintegração europeia. Ao perigo das lideranças russa e americana, junta-se agora a Turquia, China, R. U. e França. Nenhum dos 5 membros da ONU com direito de veto é atualmente recomendável.   
É dramática a perda de credibilidade do Ocidente e a aceitação perigosa de países pouco confiáveis, China e Rússia, com sonhos hegemónicos e civilizações que podem esmagar a nossa.
Independentemente dos partidos no poder, o Ocidente tem a civilização que é a minha, e é em nome dela e da sua defesa, que me bato e baterei contra a imprudência belicista e a mentira de que líderes fanfarrões, narcisistas e medíocres são capazes.
Esta agressão à Síria foi uma derrota perfeita e, tal como a do Iraque, quando Bush disse «missão cumprida», a guerra também vai continuar agora, como continua a do Iraque ou a da Líbia, entre outras, agora com jihadistas provocados para destabilizarem a Rússia e a China enquanto os curdos são deixados aos turcos e a Síria se torna o próximo alvo.
Que o Reino Unido esteja para os EUA como a Coreia do Norte para a China, não surpreende, mas que a França de Macron tenha substituído na insânia a Espanha de Aznar, é um perigo acrescido para a herança do Iluminismo e da Revolução Francesa. [Parágrafo alterado]

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9 Comments:

Blogger Rantanplan said...

Completamente de acordo, só quero chamar a sua atenção para um lapso no texto: onde se lê "Coreia do Norte" penso que deve querer dizer "Coreia do Sul"

19 de abril de 2018 às 14:12  
Blogger Carlos Esperança said...

Rantanplan:

Obrigado pelo seu comentário. Programei este texto com dois dias de antecedência e não corrigi o último parágrafo que, de facto se presta a confusões.

Quis mesmo dizer Coreia do Norte. Na minha página do FB alterei o último parágrafo, o que devia ter feito no Ponte Europa:

«Que o Reino Unido esteja para os EUA como a Coreia do Norte para a China, não surpreende, mas que a França de Macron tenha substituído na insânia a Espanha de Aznar, é um perigo acrescido para a herança do Iluminismo e da Revolução Francesa.».

Reitero os meus agradecimentos.

19 de abril de 2018 às 14:53  
Blogger Rantanplan said...

Peço desculpa por ter interpretado mal a sua intenção no texto. E agradeço a correcção, que a torna de facto mais clara.

19 de abril de 2018 às 15:18  
Blogger SLGS said...

Valha-nos ao menos que desta vez o Costa (Chefe do Governo em exercício)não se meteu nisto...

19 de abril de 2018 às 15:45  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Acertei, então, o último parágrafo, ficando igual ao que está no "Ponte Europa".

19 de abril de 2018 às 17:05  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Orwell disse que as guerras não são travadas para serem ganhas, mas sim para se eternizarem.
.
Para as potências em que as indústrias de armamento e de defesa têm a importância que sabemos, uma paz duradoura é uma catástrofe, em termos sociais e económicos.

19 de abril de 2018 às 17:20  
Blogger Carlos Esperança said...

1 - Rantanplan, não interpretou mal, eu é que me exprimi mal.

2 - Agradeço ao amigo e Administrador do Sorumbático, Carlos Medina Ribeiro, a amabilidade de proceder à correção.

19 de abril de 2018 às 17:21  
Blogger Ilha da lua said...

Depois “do desfecho”,pensei a mesma coisa

19 de abril de 2018 às 22:05  
Blogger Ilha da lua said...

Concordo,com a análise do CBE e com o comentário do CMR A indústria da guerra é tenebrosa

19 de abril de 2018 às 22:12  

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