14.3.05

«E não se pode arredondá-lo?»

«Eu acho que o IVA devia aumentar… ou então diminuir… Assim como está é que não dá jeito nenhum!» -
Quem assim falava, em 1997, era o meu amigo Oliveira... (*)

Quando eu era miúdo, a minha mãe mandava-me todos os dias comprar o pão.

Ora, além das carcaças (**) de 40 centavos (os famosos «papos-secos»), havia também pães de 16 e 17 tostões, o que fazia com que eu fosse o único miúdo da turma que, além da tabuada normal, sabia «a dos 16» e «a dos 17» (o que, mais tarde, me veio a ser muito útil para as contas do IVA - até que Manuela Ferreira Leite o passou para 19%, estragando tudo!)

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(*) História completa: «IVA... e-vai-um», em www.centroatl.pt/medina/37iva.html

(**) Vergonha! Eu tinha escrito "carcassa", como muito bem notou A.Viriato em "Comentário"...

5 Comments:

Blogger Isabel Magalhães said...

Nos dias de hoje, isso seria considerado "Trabalho Infantil" e também já lhe teriam oferecido uma calculadora electrónica. :)

14 de março de 2005 às 20:27  
Blogger António Viriato said...

Muita vez me encarregaram também dessa tarefa e desssas contas bicudas. Retenho até que se comprava meio pão escuro e outras variedades, com os tostões bem contados e a tabuada bem sabida, já que a sua falta de domínio nos saía do pêlo. Hoje, não se pode tocar nem num cabelo de um aluno, mas também ninguém exige que ele acabe a primária com a tabuada dominada, nem com os verbos bem conjugados,nem com os rios, nem com as montanhas de Portugal conhecidos, nem com os Reis, nem com as Dinastias, nem com o nome dos ossos, nem...nem... Que sei eu ? Nem no fim da Primária, nem no do Secundário, nem, com frequência, no da Licenciatura ou mesmo no do Doutoramento... Que diabo de Ensino fabricámos nós, anti-fascistas, democratas e revolucionários do 25 de Abril ? Dizei-me, irmãos !

PS1 : Carcaça e não carcassa, a bem da Escola do António. Uma gracinha destas custar-nos-ia, porventura, umas mãos sobreaquecidas...

PS2 : Já resolvi o problema das lâmpadas com uma equação do 1º grau e dá o resultado indicado pelo amigo Sokal, que logo o tirou de cabeça, mas nem todos podem ter uma mente privilegiada de alguém que além desse nome ainda acrescenta o de Bricmond, perito em Matemática... Enfim, transpiremos o que pudermos, nós outros, humildes aprendizes da baixa ciência, que só logramos apanhar na praia algumas pequenas conchas, enquanto contemplamos o imenso Oceano da Magna Ciência ali bem à frente de nossos estupefactos olhos, parafraseando uma célebre citação do excelso Isaac Newton...

Um abraço para a malta do Técnico e para os outros também.

14 de março de 2005 às 23:29  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro Viriato:

Tem TODA a razão! Já corrigi a "carcaça" e, nomeadamente em relação à 1ª parte do que diz, tome também nota destas - passadas com um Prof de Físico-Química e com uma Arquitecta Camarária (ambos bem crescidos):

Fortes dúvidas na tabuada dos 7 e dos 9.
Ignorância TOTAL das provas-dos-nove das provas-reais.
Ignorância TOTAL de como se faz uma divisão.
Desconhecimento da fórmula do perímetro da circunferência; idem das áreas do círculo e do trapézio.
Ignorância TOTAL dos reis de Portugal.
Quanto aos nomes dos rios, nem é bom falar.
Etc.
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O mais grave, é que nenhum se preocupava NADA com isso, argumentando tontamente que "há máquinas de calcular e mapas" e coisas assim...
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Num ponto, houve um aluno que trocou os pontos cardeais todos.
No entanto, o professor "deu-lhe alguma coisa", porque valorizou o facto de ele saber, ao menos, que existem o Norte e o Sul.
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Entretanto, Jorge Sampaio fala em "1-ponto-2", os locutores falam "nas gramas", etc

15 de março de 2005 às 11:45  
Blogger Orelhas Quentes said...

Caro CMR,

A primeira, e única vez, que escrevi um post acerca dos erros sistemáticos dos profissionais da comunicação social, fui quase apedrejado e acusado de me achar superior aos outros.

Portanto... Sem comentários!

16 de março de 2005 às 14:10  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Amigo,

Há "gralhas", "erros aceitáveis ou compreensíveis" e há "erros de palmatória".

Todos eles se podem perdoar ou não. Isso depende do erro e da responsabilidade de quem escreve (ou lê); e de onde o faz.

16 de março de 2005 às 15:10  

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