A música celestial
Há dias, li num jornal que um músico tinha interrompido o recital que estava a dar devido ao facto de vários espectadores terem os telemóveis ligados.
Na parte mais deliciosa da história, ficámos a saber que precisamente um dos infractores foi à bilheteira exigir a devolução do dinheiro do bilhete!
Nesta história infanto-juvenil sucede o oposto:
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Quem leu as incríveis histórias do «Dr.» Salvador decerto tomou conhecimento da forma como ele preparou uma exibição da sua filha, a Rosarinho, que tocava piano mas não conseguia enfrentar um auditório devido à sua timidez:
O extremoso pai arranjou uma aparelhagem de realidade virtual e... Mas o melhor mesmo é lerem a história!
Quem leu as incríveis histórias do «Dr.» Salvador decerto tomou conhecimento da forma como ele preparou uma exibição da sua filha, a Rosarinho, que tocava piano mas não conseguia enfrentar um auditório devido à sua timidez:
O extremoso pai arranjou uma aparelhagem de realidade virtual e... Mas o melhor mesmo é lerem a história!
Para não ocupar muito espaço aqui, a história está em "Comments".
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Quanto ao boneco, mais uma vez não consegui metê-lo no lugar certo...

2 Comments:
Para o que aqui nos interessa, digamos apenas que o nosso amigo Jeremias, quando soube do que se passou, achou imensa graça e pôs-se a matutar nas possibilidades fantásticas das «novas tecnologias» no que respeita à arte em geral - e à música em particular.
Estava ele no refeitório a pensar nisso e a sorrir, quando começou a ouvir uma série de telemóveis a tocar, e todos ao mesmo tempo.
Bem... o facto, por si só, não era nada de extraordinário. O que era espantoso era serem muitos, cada qual com a sua música, mas – e ainda mais estranho! - relativamente afinados!
«Devem ser do mesmo fabricante» - pensou ele. E foi nessa altura que teve uma ideia espantosa! E tão espantosa, que já não foi capaz de acabar de almoçar sossegado!
Levantou-se à pressa, regressou ao seu gabinete, e ligou-se à Internet. Em seguida, começou a navegar nervosamente, em busca de informações acerca de músicas disponíveis.
Refiro-me, é claro, às músicas que os telemóveis tocam quando chamam, e das quais há uma variedade quase infinita.
O leitor deve estar a pensar que o Jeremias queria apenas variar a música do seu aparelho, mas o que ele tinha em mente era algo MUITO mais ambicioso! Digamos mesmo que era uma ideia perfeitamente LOUCA!
Eu explico:
Lembrou-se de reunir uns 40 ou 50 telemóveis e pôr cada um a tocar apenas uma nota musical. Arranjaria também um teclado de piano e uma engenhoca que faria actuar o aparelho respectivo – cada som correspondendo à tecla apropriada.
Assim, e se conseguisse arranjar maneira de o processo decorrer com grande rapidez, ao premir as teclas do falso piano os telemóveis começariam a tocar; e ouvir-se-iam os vários sons, numa sequência musical – uma verdadeira sinfonia como nunca ninguém presenciara!
Até aqui, a história parece uma patetice pegada, mas não é, pois a ideia dele era obter o patrocínio de um fabricante e de um operador de telecomunicações para a sua invenção. E tudo começaria por um pequeno concerto de demonstração a executar pela Rosarinho.
Não vou agora descrever aqui os detalhes do processo de fabrico, nem as negociações comerciais, nem sequer as difíceis conversas para convencer a jovem a actuar com um instrumento tão esquisito.
Mas tudo se resolveu: construiu-se um protótipo, escolheu-se uma música, e no dia combinado, num pequeno auditório de uma das empresas patrocinadoras, a Rosarinho lá tocou, o melhor que pôde, «As Quatro Estações» de Vivaldi! Na realidade, não tocou lá muito bem, mas tratava-se de uma sessão experimental e todos atribuíram o facto ao natural nervosismo; e ela prometeu continuar a ensaiar com redobrado afinco.
E, sem mais delongas, Jeremias começou logo a preparar um grande recital-surpresa num auditório-gigante, numa cerimónia de lançamento de um novo modelo de aparelhos.
Imagine-se a cena quando, finalmente, chegou o grande dia:
A Rosarinho, com o coração a bater descompassadamente, a cumprimentar o público com uma vénia, a ajeitar o longo vestido e a cadeira, e a preparar-se para tocar o «Para Elisa» em «Versão para telemóvel»!
E o pai e a mãe, na primeira fila, deliciados!
Nesse preciso momento Jeremias lembrou-se de uma coisa MUITO importante – e que, dada a situação, até dava vontade de rir.
Fez sinal à jovem que esperasse um pouco, avançou até ao microfone à boca de cena, agradeceu pela segunda vez a presença dos espectadores, e pediu... para desligarem os telemóveis!
Em seguida, satisfeito mas ansioso, retirou-se de novo para os bastidores enquanto as luzes se apagavam lentamente.
Nessa altura, o responsável do auditório aproximou-se do nosso amigo e comentou, sorrindo:
- Não precisava de ter feito esse aviso... A nossa sala é de última geração!
E esclareceu:
- Como há sempre alguém que se esquece de desligar o aparelho, o edifício é completamente blindado. Aqui dentro, felizmente, nenhum telemóvel funciona!
Caro CMR,
Falando do respeito que os portugueses demonstram pelas artes, deixo-lhe aqui algo que me contaram.
Há um jovem português, cujo nome não me recordo, formado em piano pelo conservatório de Moscovo com distinção, que estava a treinar tamborilando os dedos no tampo de uma mesa por não ter um piano. Foi necessário que um grupo de músicos se juntasse para dar um concerto de beneficencia, cujos fundos reverteram para a compra do piano para o jovem. Esta história foi-me contada por um dos maestros que participaram no dito concerto.
Estamos a falar do que poderá vir a ser um dos melhores pianistas do mundo.
Pergunto eu... Aonde estava o ministério da cultura?!
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