19.4.05

Obrigado, Umberto!

Quando eu era miúdo, e como sucedia com todos os outros, adorava ler livros-aos-quadradinhos.

Tratava-se, porém, de um tipo de "literatura maldita", e nunca mais esqueci o dia em que o reitor do meu liceu (o Camões) andou de sala em sala, interrompendo as aulas todas, só para inquirir, no tom raivoso que reservava para os que haviam feito grandes patifarias, quem é que tinha livros desses - que confiscou em seguida!

No entanto, parece que o problema era apenas quantitativo, porque estávamos autorizados a ler «livros com bonecos» desde que «a proporção ilustrações / texto» não excedesse um determinado valor (que, no entanto, ninguém nos dizia qual era!), o que tornava "aceitáveis" livros como os d' «Os Cinco» - para já não falar nos de Júlio Verne (com as famosas gravuras de Benett), no «D. Quixote» (com as de Gustave Doré) ou nos livrinhos que nos davam nas aulas de Religião e Moral...

É por isso que me sinto vingado com o saboroso livro de Umberto Eco recentemente posto à venda:

Não só a banda-desenhada aparece como tema importante do romance, como as páginas do livro estão pejadas dela e de muitas outras ilustrações que fariam o desespero dos educadores de outrora...

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

O Umberto Eco já é reincidente nesse crime de meter "bonecos" em livros.
Lembremo-nos que n' "O Nome da Rosa" ele não hesitou em incluir, no fim do livro, um desenho da abadia!

Pior do que ele, só os que ilustravam bíblias.
O A. Durer não foi um desses?

19 de abril de 2005 às 13:03  
Anonymous Anónimo said...

Se calhar, esse reitor tinha filhos (ou netos, ou sobrinhos) que gostavam desses livros aos quadradinhos, e confiscá-los aos alunos era uma forma barata de os abastecer!

Ou (quem sabe)) ele mesmo gostava de os ler e tinha vergonha de os comprar...

E.R.R.

19 de abril de 2005 às 15:53  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

A ideia de um austero reitor a irromper, furibundo, pelas salas de aula - para arrebanhar livros de banda-desenhada que depois leria, deliciado, no sossego do lar... dava uma rábula saborosa!

19 de abril de 2005 às 17:30  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Não sei se Durer ilustrou a Bíblia.
Doré, sim

19 de abril de 2005 às 23:24  

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