29.5.05

A banalização da mentira

Aqui fica uma oportuna sugestão de leitura recolhida no Blogue "Alhos Vedros ao Poder" (http://alhosvedrosaopoder.blogspot.com/)

21 Comments:

Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Como é evidente, muito se tem falado das rábulas-gémeas de Barroso e Sócrates acerca dos impostos que "não iam aumentar" mas que "afinal têm de aumentar porque a situação é pior do que se pensava", etc.

O espantoso é que, tirando Jorge Fiel (no Expresso), Pulido Valente (no Público) e MUITO POUCOS MAIS, o que se lê reflecte a seguinte ideia:

«O homem mentiu-nos, é claro. Mas está perdoado, porque o fez por uma boa causa».

Eu tive um chefe que chamava a essas aldrabices "tiros com pistola de um tiro só" - por motivos evidentes.

29 de maio de 2005 às 19:55  
Blogger Pólux said...

"O que me preocupa não é que me tenhas mentido, e sim que, de agora em diante, já não possa acreditar em ti”
(Friedrich Nietzsche)


Boa-noite!

Pólux

30 de maio de 2005 às 01:15  
Anonymous Anónimo said...

Muito oportuno este post sobre a aldrabice na politica.
As falsas promessas são infelizmente vulgares, mas acho que desta vez assistimos a algo de mais sério e grave. Não foi apenas uma vulgar mentirinha, mas a uma sofisticada encenação que envolveu o Governador do Banco de Portugal e uma espera de vários meses necessária para efectuar um sério e aprofundado estudo sobre o deficit.

Nem é preciso explicar a teoria da encenação, basta recordar as palavras proferidas em plena Assembleia da Republica pelo deputado do PS, Jaime Gama, há 6 meses atrás ! Repito, há 6 meses atrás. (agradecimentos ao blog queijo limiano pela descoberta)

"Considerando as necessidades globais de financiamento do Estado do sector público administrativo, das empresas públicas deficitárias, dos hospitais SA e de outros, o défice anual já é superior a 6%."

"O Governo não só não apresenta linhas de compromisso para equacionar um controlo da situação das finanças públicas nacionais como desvaloriza a gravidade da própria situação"

Jaime Gama, 18 Novembro de 2004


Baphomet

30 de maio de 2005 às 08:11  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Amigos,

MUITO grato pelas duas citações!
Acho que as vou meter no artigo semanal para o «Diário Digital».

Costumo enviar esse artigo ao domingo mas, desta vez, há tanto para escrever que não sei por onde começar nem o que cortar!!

É que "são umas atrás das outras"!

--
Quanto ao Jorge Coleho, já o Contra-Informação gozava com os discursos dele, alguns contraditórios.

Há dias, aqui neste blogue, em «Escolhidos a dedo», também se dizia:

«(...)Jorge Coelho que, quando se sente à solta (sem o "contraditório que tem, p.ex., n' «A Quadratura do Círculo») deixa logo vir ao de cima o seu inconfundível estilo «Hádem».
Já no congresso do PS (quando se discutia se o partido iria fazer alianças à esquerda ou à direita), proclamou:
«O PS não fará alianças à esquerda nem à direita!!! A única aliança do PS É COM O POVO PORTUGUÊS!!!» - tudo dito com o dedo a abanar e com a tal entonação de voz, com o que conseguiu pôr o pessoal eufórico.
Ontem (apesar de termos sido informados pelo próprio governo de que, dos 10 hospitais que dantes estavam previstos, haverá 5 que não serão feitos - sendo um destes o do Algarve), proclamou, nos tais moldes ridicularizados pelo autor d' «O Macaco Nu»:
«O hospital do Algarve vai ser feito, DIGA O QUE DISSER A OPOSIÇÃO!!!»

30 de maio de 2005 às 09:09  
Anonymous Anónimo said...

Depois de paradas as obras de Foz-Côa, uma arqueóloga confessou publicamente que tinha mentido sobre a idade das gravuras, argumentando, em sua defesa, que o fizera "por uma boa causa"...

Só pensei:

«E se fosses à merd@, minha filha?».

C. Eduardo

30 de maio de 2005 às 09:20  
Anonymous Anónimo said...

«DN» de hoje:

«A GRANDE QUEDA DOS LÍDERES PARTIDÁRIOS

José Sócrates e Luís Marques Mendes, os líderes dos dois maiores partidos políticos portugueses, são os mais penalizados num mês em que nenhum líder partidário escapa a um valente tombo.

De acordo com os dados do Barómetro Marktest para o DN e TSF do mês de Maio, tanto o secretário-geral do PS como o presidente do PSD tiveram uma quebra de popularidade de 14 pontos Sócrates continua, ainda assim, com um saldo positivo de 29 pontos entre opiniões favoráveis e desfavoráveis quanto à sua actuação. Mas de Abril para Maio caiu de um score positivo de 43 pontos para os 29. Mendes não está em melhores lençóis. Com o tombo de 14 pontos registado passa mesmo a somar mais opiniões negativas que positivas, com um saldo negativo de cinco pontos (contra os nove acima da linha de água no mês passado).

Quanto aos restantes líderes, Jerónimo de Sousa, PCP, e Francisco Louçã, Bloco de Esquerda, continuam com imagem positiva entre os portugueses, respectivamente com saldo favorável de 12 e 11 pontos. Mas ambos caíram. O comunista sete pontos, o bloquista dez»

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Conclusão:

Com a sua "mentira por uma boa causa", Sócrates arranjou um "lindo serviço":
Deu preciosos (e irrecuperáveis) argumentos e pontos aos que acham que "eles são todos iguais".

Se a frase pode ser injusta quanto aos desígnios (e sê-lo-á?), não o é, certamente, quanto aos métodos.
É que o homem nem sequer foi original! Que diabo! Até para mentir é preciso arte...

A frase de Adriano Moreira é tão cínica quanto certeira:

«Pede-se aos políticos que, se tiverem mesmo de mentir, que o façam de forma razoável».

Ou seja: «Ao menos nisso, não sejam incompetentes!»

E.R.R.

30 de maio de 2005 às 10:32  
Anonymous Anónimo said...

Eu não li o livro acima citado, mas certamente abordará assuntos interessantes. Se Socrates está a ser sério e determinado, a mentira será perdoada e terá valido a pena?

Mas estas questões merecem um debate mais aprofundado. Na realidade portuguesa será mesmo necessário mentir para ganhar eleições? Não haverá lugar à seriedade em campanha eleitoral ? Ou seria mesmo completamente impossivel Socrates ganhar as eleições prometendo duras medidas na administração pública ?

Provavelmente é mesmo necessário mentir.

E porquê ? Porque os politicos portugueses destruiram na última década toda a sua credibilidade. E por incrivel que pareça continuam a destrui-la quase diariamente. Foi impensável a semana passada Socrates anunciar um conjunto corajoso de medidas (e esquecer outras) e simultaneamente virem a publico noticias como as da nomeação de Fernando Gomes para a Galp, a demissão do concelho de administração das Águas de Portugal em funções apenas há ano e meio e respectivas indeminizações milionárias aos demitidos, etc, etc.

30 de maio de 2005 às 10:49  
Anonymous Anónimo said...

Pior:

Ficámos a saber que os clubes amadores devem 7 milhões ao Fisco, tal como já sabámos que os outros 20 milhões dos clubes profissionais não serão pagos tão cedo (serão alguma vez?).

Ficámos também a saber que o descalabro do concurso de professores custou ao Estado outros 20 milhões.
Neste caso, o mais grave é que (alguém duvida?)NINGUÉM vai ser responsabilizado para além de eventuais processos disciplinares.

Os bens dos "responsáveis" por casos destes (e por obras que, fraudulentamente, ultrapassam as estimativas), deviam ser arrestados e os indivíduos em causa presos e condenados.

Mas em Portugal há a ideia generalizada que "prejudicar o Estado não é crime".

Os políticos de serviço parecem esforçar-se para dar razão a essa ideia!

E.R.R.

30 de maio de 2005 às 11:00  
Anonymous Anónimo said...

Como diria um amigo meu muito pessimista, o ambiente actual é de necessidade urgente de mobilização dos cidadãos contra o monstro e os aparelhos.
Um movimento apartidario.
Os blogues começam a ter um pouco essa função. Circula muita informação e debate por ai que não chega aos media tradicionais. Ainda há dias num blog alguem sugeria que se o governo quer tornar publicas todas as declarações de rendimentos dos cidadãos, nós também deveriamos exigir que tudo o que fosse estatal deveria afixar publicamente os seus orçamentos, principalmente as despesas. Desde a mais pequena xafarica ao maior dos ministérios. Se a ideia do fim do sigilo fiscal é transparência, nós também teremos que exigir transparência. Saber quanto se gasta em clips, papel, ordenados, carros ou gasolina.

Na mesma linha, descobri há dias um blog, o Despesa Pública http://despesapublica.blogspot.com/ , que me parece também ter boas pernas para andar.

30 de maio de 2005 às 11:14  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

«A culpa foi do menino que cá esteve!»

Nos tempos em que tal não era crime público, um vizinho meu, quando os filhos lhe apareciam com queixinhas, ferrava um par de galhetas em todos eles - a uns, pelos disparates que tinham feito; e ao delator, por o ter sido.

30 de maio de 2005 às 19:55  
Blogger Pólux said...

Caro Baphomet,

Será possível indicar-me o caminho desta intervenção de Jaime Gama, caso ela conste do site da A.R. ou nalgum órgão de com. social?

Não ponho em dúvida o que nos diz. Somente gostaria de ler a intervenção na totalidade, e outras, se fosse possível, aquando da discussão do Orç. Estado para 2005, que penso ter sido o assunto em que a mesma intervenção ocorreu.

Grato,

Pólux

30 de maio de 2005 às 22:12  
Anonymous Anónimo said...

Caro Pólux, como disse no comentário original, conheci a intervenção através do blog "Grande Loja do Queijo Limiano", e estes citaram um link do próprio site que agregega intervenções do Partido Socialista.
Suponho que estando no site do PS não há aqui nenhuma manipulação ;-)

Mas aproveite agora, pois se calhar amanhã já não estará no site do PS ;-)

Aqui está:
link


Baphomet

31 de maio de 2005 às 01:15  
Blogger Pólux said...

Caro Baphomet,

Muito obrigado!

Abraço,

Pólux

P.S.: como referi algures num comentário:

O elogio da crença

Já dizia Sócrates, o filósofo, que “a realidade não é constituída por factos e sim por crenças”. E a crença de Sócrates, o nosso Primeiro-Cobrador, é de que diz a verdade, mentindo. Uma vez que a sua crença é a versão que dá dos factos, o homem não pode deixar de se achar um estadista excepcional e cumpridor, qual hodierno Péricles.
Pólux

31 de maio de 2005 às 01:49  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Há um velhíssimo ditado que diz(e perdoem-me os erros, pois só o sei "de ouvido"): «Facile est credermus quod volumus»:

«Facilmente cremos quando queremos».

31 de maio de 2005 às 10:24  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

NOTA: Ficaria muito grato se alguém me corrigisse o latim do "post" anterior para, ao menos, ficar em arquivo a citação na sua forma correcta...

31 de maio de 2005 às 10:26  
Anonymous Anónimo said...

A expressão correcta é "quod volumus facile credimus", "Facilmente cremos aquilo que desejamos".
Cumprimmentos
FJMMC

31 de maio de 2005 às 11:27  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Perfeito!

Não haja dúvidas: isto está a ficar um blogue "Cinco Estrelas"!
Matemáticos, Astrónomos, Engenheiros e Latinistas não faltam!

31 de maio de 2005 às 11:40  
Anonymous Anónimo said...

Euh, errado ;-)
Ao contrário do que pode parecer, não sou um latinista ilustre, como o pirata das aventuras de Asterix. A verdade é mais humilde, fiz uma pesquisa no Google.

Cumprimentos
FJMMC

3 de junho de 2005 às 11:04  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Pelo menos, pôs em evidência uma coisa:

Eu, antes de me meter a escrever frases em "latão", devia ter feito o mesmo!

3 de junho de 2005 às 11:36  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro Pólux,

A tal frase do Jaime Gama (na Reunião Plenária de 18 de Novembro de 2004) é encontrável no... site do PS!!:

www.ps.parlamento.pt/?menu=intervencoes&id=1953&leg=IX

3 de junho de 2005 às 19:33  
Anonymous Mário da Silva said...

José Sócrates e Luís Marques Mendes, os líderes dos dois maiores partidos políticos portugueses, são os mais penalizados num mês em que nenhum líder partidário escapa a um valente tombo.

E, evidentemente, vão dizer que no referendo á Constituição Europeia por cá também se esteve foi a penalizar o governo e os políticos... como se a Constituição Europeia não fosse uma coisa criada pelos mesmos políticos que nos mentem constantemente e sem a mínima vergonha na cara.

Até mais.

7 de junho de 2005 às 18:02  

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