22.8.05

Boa Piada...

muitos anos que faço com frequência viagens pela A1 (quase sempre acompanhado - por colegas ou por familiares), e uma das coisas de que se começa a falar assim que se sai de Lisboa é «Onde é que tomamos a bica?».

Como a área de Aveiras ainda é demasiado perto, a da BP tem sido, até agora, uma boa opção - e adiante se verá a razão deste «até agora».

Entre as pequenas graças-sem-graça que se dizem nestas circunstâncias, havia sempre uma, quando víamos o « e o «P»: «Bica, Paramos?»; outras vezes, alguém brincando com a cor do emblema dizia larachas em que se falava de vinho-verde e se referia uma suposta «Boa Pinga».

Mas, recentemente, sucedeu uma coisa que acabou de vez com isso tudo:

Apesar da multidão que enchia a área-de-serviço, o balcão dos cafés tinha apenas três pessoas; e a caixa para o pré-pagamento... NINGUÉM!!

O motivo estava à vista: a empresa subira o preço dos cafés (servidos ao balcão e em pé...) para 80 cêntimos.

Assim, a partir de agora, digo-lhes adeus - e até o «BP» leio ao contrário: «Passem Bem!»

5 Comments:

Blogger JLL said...

Acho coisa excessiva, por 80 cêntimos, colocar-se de tal forma antagonizado com a BP; empresa que, muito provavelmente, nem tem directa influência sobre o preço dos bens a consumo nas estações de serviço (salvo, óbviamente, o combustível).

No entanto não deixaria de ser interessante analisar qual a eslasticidade Preço_do_Café/Consumo de Combustível. E verificar se, neste caso, para ganhar um tostão não se perde um milhão.

Mas adianto, seria um trabalho chato, muito chato mesmo...

23 de agosto de 2005 às 14:59  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro "Muito chato",

Nestas coisas, como noutras, às vezes não é o preço-em-si-mesmo, mas sim o "sinal que é dado".
A cafetaria, ao passar de 50 para 80 cêntimos, mostra que, pelo menos para nos vender cafés, não nos quer lá - então, passe muito bem.

Depreendi que (mas confesso que já nem fui ver!) no restaurante, mesmo ao lado, os preços teriam aumentado da mesma forma, até porque também estava quase às-moscas.

São "pequenas coisas" que parecem sem importância mas não são.

Outro exemplo:

Ao pé de minha casa, o café Luanda vende cafés a 45 cêntimos e ainda nos dá copos-de-água mesmo sem que os peçamos! Está sempre cheio.

Todos os outros cafés à volta vendem o café a 50 cêntimos e estão "médios" - mas há uma excepção: um tonto resolveu ganhar mais, pôs o café a 55 cêntimos e não percebe porque é que está vazio!

23 de agosto de 2005 às 15:29  
Blogger JLL said...

Há... ok. Já o percebi. Não é o montante é pelo principio. Está certo então. :)

Mas tem toda a razão quando diz que: «ao passar de 50 para 80 cêntimos, mostra que, pelo menos para nos vender cafés, não nos quer lá».

Com um aumento de 50 para 80 cent. (+60%), a estação de serviço a que se refere só terá prejuízos directos no café se sofrer uma redução de consumo superior a 38%. Ora isso parece-me pouco provável.

Mas mesmo que assim seja, se a estação sofrer uma redução de clientes em quase metade, é de esperar que se siga uma redução de pessoal. Se a estação estiver a funcionar actualmente com 6 empregados pelo menos 2 serão dispensados. Este facto, por sua vez, tornaria ainda mais rentável a venda de café.

Não estou a defender a situação que aponta, mas queria só fazer ver que a gestão da procura é algo de muito importante nos negócios, e em particular nos serviços.

A si pode parecer um abuso e uma falta de consideração para com os clientes, para eles pode ser apenas uma questão de contas.

Eu, pessoalmente, desde que conseguisse cobrir os custos fixos, preferia vender 50 cafés por dia a 1 euro do que 100 por 50 centimos. Tinha menos trabalho, precisava de menos pessoal e de menos espaço.

No caso que refere, para mim, o mais grave tem a ver com a ligação entre o consumo de café e o de combustivel. Parece-me lógico que se o Sr. deixa de lá ir tomar o seu café também deixa de ir abastecer o seu automóvel, e para uma estação de serviço, onde a principal fonte de receitas (mesmo que não a mais rentável) deve ser a venda de combustível, aí pode estar um problema chato, diria até, mesmo muito chato.

23 de agosto de 2005 às 17:09  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Sendo a concorrência grande, o comércio (especialmente o mais pequeno, é claro - não é o caso das BPs...) vive e sobrevive na base de pequenas coisas, pequenas atenções que fidelizam o cliente:

Pode ser apenas um sorriso, um atendimento mais rápido, um preço ligeiramente mais baixo, uma facilidade de estacionamento, uma chávena em vez de um copo de plástico...

Essas pequnas coisas, às vezes, podem fazer a diferença entre viver e morrer, porque arrastam outras.

Claro que nas bombas de gasolina as pessoas seguem outros critérios.
Mas cada um sabe de si...

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Obrigado pelos seus comentários!

23 de agosto de 2005 às 17:18  
Blogger Helder Mendes said...

E porque não, em Bom Portuense, um simples "Bão Passear"?!?!?!

23 de agosto de 2005 às 19:02  

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