25.7.06

Trabalhador por conta própria...

O EDITORIAL do «PÚBLICO» de hoje refere o facto, aparentemente com foros de coincidência, de muitas guerras eclodirem no Verão.

Ora, pelo menos dantes, isso justificava-se perfeitamente pela duração dos dias e pelo bom tempo - no hemisfério Norte -, sendo até um facto que, frequentemente, os exércitos regulares "hibernavam" nos chamados "acampamentos de Inverno".

Além disso, as colheitas e as vindimas também interferiam com as épocas e durações das campanhas militares, na medida em que, nos tempos mais recuados, eram fundamentais as tropas auxiliares e eventuais, recrutadas ad-hoc pela inexistência ou fragilidade de exércitos regulares.

Mas, já que falamos de datas e de coincidências, note-se que, este ano, o feriado de 15 de Agosto calha numa terça-feira, o que também sucedeu em 1385, época em que o chamado «dia da Senhora de Agosto» já era comemorado.

Talvez seja, pois, de saudar o facto de Nun' Álvares Pereira não ter feito «ponte» na véspera, tendo-se dedicado de corpo e à alma à Batalha de Aljubarrota em que, como se sabe, se fartou de trabalhar - e com grande proveito para a Nação e para si.

Será que o facto de ele ser «trabalhador por conta própria» explicará tudo?
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Imagem: Óleo de Carlos Alberto Santos
www.tabacaria.org/Mensagem/Brazao/nunalvares.JPG

5 Comments:

Blogger Vodka e Valium 10 said...

Até pode haver muitta razão nessas palavras. Da minha parte, continuo a achar que é mais um produto da silly season.

25 de julho de 2006 às 10:10  
Anonymous Anónimo said...

Glosando com os anacronismos e entrando na onda de "delírio" :-) de CMR, aqui vai...
O Condestável não era "trabalhador por conta própria" e sentir-se-ia muito ofendido se lhe dissessem que o que fazia era "trabalho". Ele cumpria um dever.
Na verdade, Nuno Álvares até estava ao serviço de outrem (D. João I, o Mestre de Avis), e desempenhava as suas funções com empenho, lealdade e espírito de sacrifício. Mas como os seres humanos também se movem (e acrescentarei "sobretudo") por interesses materiais, talvez estivesse de olho nas mercês régias que fizeram dele posteriormente o nobre mais importante do reino logo a seguir ao rei. Tinha um incentivo para "aumentar a sua produtividade" matando castelhanos. Lutava literalmente "pelo desenvolvimento do país" e pela "criação de riqueza". A sua própria riqueza, claro, pois como hoje em dia, quuem apregoa a necessidade de criar riqueza não está a pensar em redistribuí-la.
Felizmente para o Condestável não havia nas suas fileiras nobres rezingões e sumamente incompetentes, mas gozando de boa reputação junto da populaça por pactos feitos com o demo (assim como uma espécie de Maria de Lurdes Rodrigues). Senão o quadrado teria sido irremediavelmente desfeito e não haveria segunda chamada (às armas) que salvasse a hoste régia.

26 de julho de 2006 às 08:36  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Ainda bem que encarou o meu texto como uma brincadeira, escrita apenas para aproveitar a coincidência das duas segundas-feiras a 14 de Agosto e das eternas discussões sobre as pontes.

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Curiosidades adicionais:

A batalha de Aljubarrota deu-se contra vontade do rei e respectivos conselheiros. O Condestável avançou sozinho (de Abrantes para Tomar) com os seus homens. Os outros é que, envergonhados, o seguiram.

O "patrão" bem o podia ter despedido com justa-causa! O que não o preocuparia muito, pois emprego não lhe faltava - chegou a ameaçar passar-se para Castela...

26 de julho de 2006 às 09:03  
Anonymous Anónimo said...

Diz o CMR (e, a crer em Fernão Lopes, é verdade) que «A batalha de Aljubarrota deu-se contra vontade do rei e respectivos conselheiros».

Estes é que, pelos vistos, queriam fazer ponte!

26 de julho de 2006 às 10:56  
Anonymous tiago barreiro said...

Sobre as pontes, é preciso referir que os feriados também calham ao fim de semana. Por cada feriado num sábado ou domingo, vai corresponder um a uma terça ou quinta. Ou seja, com pontes os feriados ficam sempre em igual número na média ao longo dos anos. Claro que pontes à quarta é que é de evitar...

Isto tem uma ressalva. Pode ser que, economicamente, seja mais prejudicial pausas prolongadas de 4 dias do que de 3.

Quanto ao condestável, não há dúvida que trabalhou com grande proveito para si. Quanto à nação, pelo andar da carruagem não sei não...

26 de julho de 2006 às 11:46  

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