15.12.11

Pobreza

João Paulo Guerra

PORTUGAL, onde o PIB per capita correspondia em 2009 e 2010 a 80,1% da média europeia, é o terceiro país mais pobre da zona euro.

Pelo que é difícil compreender que a receita para sair da crise seja o ainda maior empobrecimento do país e do seu povo, como decidiu a ‘troika' e no sentido em que procede o Governo de coligação Lapa / Caldas, com a bênção de Belém e o ámen do Largo do Rato. Num mapa da Europa, Portugal fica no Terceiro Mundo, bem abaixo da Grécia, taco a taco com a Eslovénia e um pouco acima da Eslováquia e da Estónia.

A questão é que a Europa, enquanto existiu como projeto, só funcionou para a burocracia e as diretivas que favoreciam os interesses dos muito grandes e gananciosos. A Europa, que agora quer proibir o défice excessivo nas constituições, nunca emitiu diretivas a proibir a pobreza, o desemprego, a indigência, ou a mandar transpor para a ordem interna dos países o bem-estar e o desafogo. E depois, por motivos meramente estratégicos, juntou num mesmo continente conteúdos tão diversos e tão distantes como a Noruega e a Bósnia-Herzegovina, a Suíça e a Bulgária, ou até mesmo o Luxemburgo e Portugal. A coesão não passou de um ‘slogan' e o Luxemburgo tem um poder de compra médio que representa mais do triplo da média do poder de compra dos portugueses. E Portugal, que o salazarismo reduziu a uma horta estagnada e a contrarrevolução a uma quinta de compadres, entrou para o clube - primeiro da Comunidade Europeia, depois do euro - sem condições para pagar a jóia e malbaratando os fundos europeus.

E hoje, País pobre, Portugal só encontra no maior empobrecimento a saída do beco. Por este caminho, Portugal entrou na crise a par da República Checa e quando sair está ao nível da Albânia.
«DE» de 15 Dez 11

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1 Comments:

Blogger José Batista said...

Bom, temos que reconhecer que Portugal, de certa forma, só não foi uma Albânia durante as últimas três décadas, em que viveu de fundos que os nossos governantes pediram ou aceitaram, sem que os pudéssemos pagar.
Agora pagamos a nossa irresponsabilidade e incompetência com língua de palmo. Quando digo pagamos, refiro-me, naturalmente, àqueles 80% do costume...
E quanto ao salazarismo fomos nós - povo que se diz heróico - que o permitimos/tolerámos.
E o resto não são batatas, são desculpas.

15 de dezembro de 2011 às 21:55  

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