29.5.20

PREITO AO GALAICO DURIENSE E AOS GALEGOS QUE RESISTEM

Por Joaquim Letria
Não posso deixar passar esta semana sem falar no galego, nossa língua irmã se é que antes de 1385 não terá mesmo sido a alma mater do português, antes de nos enrolarmos com o castelhano traindo nas suas origens o galaico duriense.
Por estes dias desta semana, - 17 de Maio, foi o Dia das Letras Galegas - os galegos celebram e honram a sua língua materna, hoje uma desamparada resistente ao castelhano que a história, e dentro desta, em particular, o franquismo, impuseram e obrigaram no ensino e nos hábitos dos galegos mais jovens, sem que isso, nem sequer o Rio Minho, bastasse para nos separar. 
Todavia, há dois pontos que, antes de escrever o que aqui me traz, muito gostaria de destacar e que não esqueço:
O primeiro é que muito antes de Portugal ouvir o “Grândola Vila Morena” esta canção foi cantada por José Afonso na Galiza, onde também ficaram a saber que “dentro da cidade é o povo quem mais ordena”, disto fazendo a voz do poeta eco, perto de Viana do Castelo.
O segundo é que a Galiza construiu uma estátua ao nosso poeta e deu o seu nome a uma praça que nos deve, e muito, orgulhar. Estas são coisas que não vemos acontecer em Portugal onde tanto esquecem aquele que encheu as suas canções de poesia e transformou alguns belos poemas seus em armas que lutaram pela liberdade que ainda temos hoje.
Recordo-me do amor que o meu amigo José Afonso tinha pela Galiza e pelos galegos, onde contava inúmeros amigos, entre os quais venerava – como uma vez me disse com as lágrimas nos olhos, citando-lhe palavras, a eterna Rosalia de Castro.
Hoje, na Galiza, são principalmente os avós quem fala galego com os netos, dos quais só 1,2 por cento recebe o ensino da língua. Os velhos também falam com os filhos, ainda que muitos destes pensem que “o galego não serve para nada, o castelhano e o inglês é que são úteis”.
Curioso como na comunidade onde mais museus e bibliotecas foram encerradas pelo poder político são ainda hoje os galego-parlantes aqueles que mais defendem a memória e cultivam as palavras.Com um carinho e rigor que nós, portugueses, a quem estropiaram a língua com um acordo ortográfico que brasileiros e africanos têm vergonha de assinar, também podíamos ter e sermos solidários com os nossos vizinhos do outro lado do Rio Minho onde ainda se pode praticar o galaico-duriense duma pureza que, do lado de cá, já conseguiram que olvidássemos.
Publicado no Minho Digital

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2 Comments:

Blogger José Batista said...

Que grande texto, Joaquim Letria.
Os meus parabéns e agradecimento.

JB

29 de maio de 2020 às 08:57  
Blogger opjj said...

Isto por cá está cheio de chicos-espertos.
Os Ingleses mantêm letras que por cá retiraram, por exemplo "cês" ato - acto
cumps

29 de maio de 2020 às 16:23  

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