28.7.05

Estranha publicidade


COMO sabe quem vê televisão, a PT anuncia agora um novo tarifário num pequeno filme em que aparece uma senhora estremunhada.

«1 cêntimo por minuto?!» - pergunta ela, incrédula.

E somos informados de que acertou! Fiquei entusiasmado (com o tarifário...), mas pessoa amiga disse-me que isso era «só no horário económico». Passei, pois, a estar com mais atenção.

Ora hoje, quando surgiu o anúncio novamente, vi que aparece (em letras pequeníssimas e a fugir - sem que haja meio-segundo para ler a frase toda) qualquer coisa como:

«Válido só para...» - e PFFF! Já não deu para ler o resto; mas tenho boas razões para suspeitar que seja, de facto, só aos fins-de-semana e à noite...

Vou tentar ler melhor da próxima vez, para ver se PT significa, ou não, «Publicidade Tonta».

A menos que me digam:

«Então não se vê logo que é só para o horário económico? Se a senhora estava a dormir, isso significa que, em pricípio, é à noite. Ou então é de dia, e ela levanta-se tarde porque é fim-de-semana. Só não percebe isso quem estiver de má-fé!»
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NOTA: Ver, em "Comentário-3", uma crónica de Appio Sottomayor (publicada com autorização do autor) em que também se aborda este assunto

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Por acaso reparei logo na validade do tarifário apenas em horário económico, embora essa restrição apenas seja mostrada no spot televisivo, não dita na rádio ou nos moopies.
A minha questão é se esse tarifário é válido para qualquer cliente, qualquer plano, com efeitos imediatos.
No site da PT não é feita qualquer referência. Já encontrar os preços das chamadas é uma tarefa difícil.
É a PT... mais palavras para quê?!

28 de julho de 2005 às 15:57  
Anonymous Jose Sarney said...

Porquê que julga que a Tele-2 tem já 10% do mercado?

Porquê que julga que a PT caiu na Bolsa, à volta de 15% a 20%, nos últimos meses?

Sabe, que uma empresa em que um "accionista" com 500 acções, das 1.000.000.000, manda e "coloca" 500 Comissários Políticos (com PSD ou PS), a ganharem "n" mordomias, só pode dar no que está à vista....

PS Não tenho interesses accionistas na PT ou Tele - 2.

28 de julho de 2005 às 18:42  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Crónica de Appio Sottomayor, n' A Capital de ontem, aqui publicada com autorização do autor:
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O MUNDO GOSTA DE MIM

As chamadas sucedem-se, num ritmo que me impede de ignorar ou descurar o assunto. Geralmente, o interlocutor identifica-se - «o meu nome é F.» E, logo a seguir, indica qual a empresa que representa. Segue-se um educado pedido de desculpas por estar a gastar o meu tempo, após o que passa ao ataque. Quer saber qual a operadora que uso para os meus telefonemas e, na posse desse conhecimento, aconselha-me paternal ou maternalmente a mudar de linha. E explicita todo o rol de vantagens que passarei a ter, as quais incluem, invariavelmente, chamadas de borla para múltiplos destinos e em não sei que dias. Juro que vou meditar no tema, enquanto ele (ou ela) me recomenda que o faça depressa porque «a campanha vai acabar». Mal desligo, vem outro/a gentil inquisidor querer saber como me sirvo da Internet e recomendando o sistema X por oferecer condições muito superiores e mais baratas - a menos que prefira usar o Y ou ainda o Z ou mesmo o W. Claro que com tantos números e opções, já tenho a cabeça em água. Mas falta ainda atender o senhor que descobriu que eu pago mensalmente uma fortuna em telemóvel e que poderia poupar mudando para as modalidades que passa a expor - e são muitas.

Meio alucinado, atendo ainda nova chamada, desta vez da gestora da pobre conta que tenho no banco. A prestimosa senhora quer aconselhar-me uns novos produtos que, segundo percebi, me deixarão rico. E desdobra diante do meu ouvido, atento mas incapaz de fixar todos aqueles filões, um rol de nomes, números, percentagens e prazos, deixando-me gago e sem saber qual o rumo a tomar para a fortuna.
Vou então à caixa do correio, onde verifico que todos os supermercados da área e mais alguns que moram longe fizeram questão de me informar de que não terei de me ralar com o IVA e aumentos anunciados: eles assumem.
De novo o telefone: «o senhor acaba de ganhar uma viagem para duas pessoas às paradisíacas ilhas» de não sei onde, diz-me uma voz entusiasmada que me convida a visitar o seu escritório para acertar pormenores. Fico danado por ter deixado caducar a validade do passaporte. É então que me anunciam o euromilhões.

É isto: o mundo todo gosta de mim - e eu, sempre distraído, nem dou conta.

29 de julho de 2005 às 12:27  

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