27.7.05

Sugestão de leitura


ESTE livro é uma obra de astrónomos amadores e destina-se a todos os que tenham gosto pela observação do céu.

(Ver texto em "Comentário-1" e entrevista com os autores em "Comentário-2")

7 Comments:

Blogger Nuno Crato said...

Apostando no Céu
«Observar o Céu Profundo», de Guilherme de Almeida e Pedro Ré, é uma aposta séria no público interessado na astronomia amadora. Profusamente ilustrado, em grande formato (21 cm x 29,7 cm), encadernado e com um número considerável de páginas (340), esta obra não é mais uma iniciação, como muitas que têm aparecido. Nas palavras dos seus autores, «é um livro que faltava às pessoas envolvidas em clubes de Astronomia, aos jovens e a todas as pessoas que, tendo acesso a um pequeno instrumento de observação, se sentem fascinadas pela céu». Este livro vai mais longe do que o habitual e destina-se a leitores que já têm algum conhecimento de astronomia, ou que o pretendem adquirir complementarmente noutras obras.

Segundo os autores, «não faz sentido permanecer sempre nos patamares da iniciação: as pessoas pretendem continuar e progredir». No entanto, mesmo quem se esteja a iniciar na observação do céu terá a lucrar com a leitura e consulta desta obra. A localização das constelações é tratada sumariamente, tal como as orientações no céu ou os diversos tipos de telescópios. Mas de todos esse itens é feita uma descrição básica, que permite utilizar esta obra como ponto de partida para a observação do céu, nomeadamente dos enxames de estrelas, de galáxias e de outros objectos habitualmente classificados como de céu profundo.

O livro inicia-se com uma descrição básica da observação do firmamento, incluindo aí os princípios básicos de orientação no céu nocturno e os instrumentos de observação, desde os vulgares binóculos aos diversos tipos de telescópios. Num segundo capítulo, os autores discutem a influência da atmosfera na visualização dos objectos celestes. No capítulo terceiro, discutem a poluição luminosa.

Num capítulo quarto, que constitui uma das partes centrais desta obra, os autores descrevem sistematicamente as técnicas de observação do céu profundo, guiando o leitor, passo por passo, na forma de escolher o local de observação, de se adaptar às condições de escuridão, de usar os olhos e os instrumentos. Em seguida, no que constitui outra parte central deste trabalho, os autores fornecem um guia muito completo da terminologia e dos conceitos básicos da astronomia.
Finalmente, Guilherme de Almeida e Pedro Ré, caracterizam os objectos fundamentais do chamado céu profundo e apresentam um guia do céu, na forma de atlas comentado. Nesta parte, as figuras primam pela sua clareza e rigor, as fotografias espantam pela riqueza de pormenor e os comentários, muito completos, fornecem sugestões de objectos celestes a observar, aliciando o leitor à prática da astronomia amadora.
Mais à frente, os autores fornecem indicações sobre a fotografia astronómica, hoje ao alcance de qualquer amador que pode, com algum equipamento relativamente acessível, obter imagens de qualidade semelhante à que os profissionais conseguiam ainda há poucas décadas. A complementar este trabalho, os autores apresentam vários apêndices técnicos, referências muito completas e um índice remissivo com 936 entradas que prima pela sua eficácia.

A qualidade gráfica e o rigor desta obra são pouco vulgares. Ao longo de mais de trezentas páginas, os autores introduzem muitos mapas do céu, cerca de 70 em formato de página inteira, discutem individualmente 365 estrelas, apresentam mais de 300 figuras e fotografias e dedicam atenção especial às técnicas de fotografia celeste. Um dos seus autores, Pedro Ré, tem publicado muito do seu trabalho fotográfico em revistas internacionais da especialidade. As fotografias incluídas neste livro são todas da sua autoria e ajudam o observador a visualizar aquilo que pretende observar.

Com esta obra, Guilherme de Almeida e Pedro Ré, ambos membros da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores (APAA), testemunham o nível de qualidade a que está a chegar a astronomia amadora e observacional no nosso país.

N.C.- Adapt. «Expresso»

27 de julho de 2005 às 19:15  
Blogger Nuno Crato said...

OBSERVADORES DO CÉU PROFUNDO
OUVIMOS GUILHERME DE ALMEIDA E PEDRO RÉ, OS AUTORES DE UM NOVO LIVRO DE ASTRONOMIA AMADORA QUE É UMA DAS OBRAS MAIS COMPLETAS ATÉ HOJE EDITADAS ENTRE NÓS

(Entrevista)

Pergunta: — Este livro é uma obra de astrónomos amadores e destina-se a todos os que tenham gosto pela observação do céu. O que são astrónomos amadores?

Guilherme de Almeida — Os astrónomos amadores fazem observações por gosto e não por profissão. Dedicam-se à astronomia movidos apenas pelo prazer. Entre eles, há quem observe ocasionalmente e quem o faça sistematicamente. Uns fazem só observações visuais e outros preferem registar fotograficamente os objectos do seu maior interesse; há quem tenha começado há poucos meses e quem tenha acumulado várias décadas de conhecimento e experiência. As características da profissão de cada um também podem facilitar a escolha das diferentes opções.

Pergunta: Como conseguem compatibilizar a vossa actividade profissional com a de astrónomos amadores?

Pedro Ré — Como grande parte das observações astronómicas é realizada de noite, é possível compatibilizar as duas actividades. Mas muitas vezes isso é difícil, uma vez que algumas observações podem ser demoradas e ocupar toda a noite.

Pergunta: Do vosso ponto de vista, qual é a diferença entre astrónomos amadores e profissionais?

G.A. — Os astrónomos amadores podem escolher o que querem observar e quando o querem fazer. Podem observar, por exemplo, planetas, o Sol, estrelas variáveis e estrelas duplas, enxames de estrelas, nebulosas, galáxias… Mudam à vontade a sua área de interesse, desde que seja compatível com o seu equipamento de observação. Podem assim dedicar-se ao que lhes interessa, sem os constrangimentos de um programa de trabalho rígido, que é típico dos profissionais. Por isso, são quase sempre os amadores que descobrem os fenómenos imprevisíveis e fortuitos: supernovas, novas e cometas. Os astrónomos profissionais são geralmente doutorados numa determinada área da Astrofísica e dedicam-se à Astronomia como profissão. Têm conhecimentos teóricos obviamente mais profundos que os amadores, mas na maior parte dos casos não fazem observações visuais nem conhecem o céu tão bem como estes. No entanto, alguns amadores fazem trabalhos de nível similar ao de profissionais.

P.R. — … e existem actualmente muitos projectos em que amadores e profissionais participam e colaboram de modo activo.

Pergunta: Qual é a vossa actividade profissional?

G.A. — Sou professor de Física há 26 anos e licenciei-me nesta disciplina. Por razões óbvias, procurei incluir na minha formação académica as disciplinas de Óptica e de Astronomia. Fiz muitas acções de formação, palestras e comunicações sobre astronomia, observações astronómicas e Física, em escolas secundárias e em universidades.

P.R. — Sou professor Associado da Faculdade de Ciências de Lisboa, onde me licenciei em Biologia e me doutorei em Ecologia Animal, sou também coordenador científico do Laboratório Marítimo da Guia.

Pergunta: Há quanto tempo se interessam pela astronomia?

P.R. — Comecei muito cedo a fazer fotografias astronómicas e interesso-me por astronomia há mais de 25 anos. Ao longo do tempo, construi e comprei vários telescópios, de diversos tipos, e tenho actualmente cerca de 20 instrumentos de observação que uso regularmente. Fiz astrofotografias sobre emulsões fotográficas e desde há alguns anos utilizo quase exclusivamente câmaras CCD. Faço a maior parte das minhas imagens a partir de um observatório que construí na região de Santarém.

Pergunta: O vosso livro fala de observar o «céu profundo». O que é o «céu profundo»?

P.R — As galáxias, as nebulosas e os enxames de estrelas consideram-se geralmente como objectos do céu profundo por se encontrarem para além do sistema solar. Trata-se de uma expressão que é muito utilizada em língua inglesa (deep-sky) e que em português não é ainda muito comum.

G.A. — A designação "céu profundo" é útil e conveniente. Repare que, numa primeira impressão, o céu nocturno só nos mostra a Lua, os planetas principais e as estrelas relativamente brilhantes. Para além dessas primeiras evidências, encontram-se outros objectos que não pertencem ao sistema solar nem são estrelas individuais: esses são os objectos do céu profundo. Neste contexto incluem-se as galáxias, as nebulosas e os enxames de estrelas. A galáxia de Andrómeda, a nebulosa de Orionte, o enxame das Plêiades e o enxame globular de Hércules são exemplos comuns de objectos do céu profundo.

Pergunta: É difícil observar o céu profundo?

G.A. — Exceptuando alguns casos mais óbvios, os objectos do céu profundo são subtis, mas não deixam de ser muito belos e fascinantes. Para ter sucesso nestas observações é preciso acumular algumas horas de convívio com o céu nocturno, começar por ver os objectos mais fáceis e utilizar determinadas técnicas e procedimentos, de modo a maximizar a sensibilidade da visão. E também há filtros especiais que reduzem os efeitos da poluição luminosa. No livro, damos conselhos práticos para estas observações e também sugerimos alguns telescópios.

P.R. — Podem realizar-se facilmente observações do céu profundo recorrendo a pequenos telescópios e também a binóculos. Este tipo de observações pode ser efectuado em qualquer local. É no entanto mais vantajoso observar longe das grandes cidades e da poluição luminosa que estas provocam.

Pergunta: Há objectos de céu profundo visíveis a olho nu?

G.A. — Alguns objectos do céu profundo, digamos uns quatro ou cinco, são detectáveis a olho nu desde que a poluição luminosa não seja excessiva. Podem detectar-se algumas dezenas desses objectos através de um binóculo que amplifique 10 vezes e tenha objectivas de 50 mm de diâmetro (tecnicamente um binóculo 10x50), mas ainda é mais fácil e evidente com um 15x70. Com um telescópio pode observar-se muito mais. Mas repare que tudo isso de nada serve se o observador não conhecer o céu a olho nu, o que qualquer pessoa consegue, posso garantir, desde que seja persistente...

Pergunta: Em que medida é que o vosso livro é o resultado de experiência pessoal e em que medida resulta de leituras?

P.R. — Nós dois juntos temos mais de 50 anos de experiência acumulada. Isto quer dizer que o livro resulta de muitos anos de observação e de obtenção de imagens astronómicas, ele resulta, fundamentalmente, da nossa experiência.

G.A. — Todos os conselhos e técnicas de observação que damos resultam da nossa experiência pessoal. Utilizamos sempre essas técnicas. É óbvio que os dados numéricos e os conceitos que abordamos apoiam-se em leituras e consultas feitas ao longo de muitos anos, na nossa formação académica e também na interacção com outras pessoas.

Pergunta: O vosso livro é muito didáctico. Quais foram as vossas preocupações na sua escrita?

P.R. — Tentámos que o livro constituísse um manual, incluindo conselhos práticos e técnicas de observação dos objectos do céu profundo. É uma obra destinada aos astrónomos amadores e observadores do céu profundo, aos clubes e grupos de astronomia, aos jovens e a todas as pessoas que se interessam por estas observações e que possuam um binóculo ou um telescópio. Tentámos que o livro fosse acessível a um público vasto.

Pergunta: Quanto tempo demoraram a escrever este livro?

P.R. — Cerca de um ano e meio. Decidimos escrevê-lo em Fevereiro de 1999. Oito meses depois tínhamos quase todo o texto e começámos com as figuras, que são bastantes, para melhor apresentação dos assuntos. Depois seguiram-se os mapas, extremamente trabalhosos, várias reformulações do texto e diversos acréscimos.

Pergunta:Diz-se, por vezes, que o público para este tipo de obras é reduzido. Qual é a vossa experiência?

P.R. — Talvez isso fosse verdade há alguns anos, mas pensamos que a situação se está a inverter. Hoje em dia existe muito público interessado em obras de carácter científico e em obras práticas que estimulem a participação do leitor.

G.A. — As obras voltadas para a observação directa, que convidam a olhar para o céu e mostram como isso se faz, privilegiando os aspectos práticos e utilizando uma linguagem acessível, mas rigorosa, têm encontrado um público cada vez mais vasto. O público é muito mais inteligente, mais versátil e mais interessado do que aquilo que por vezes se supõe.
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(N.C. - Adapt. «Expresso»)

27 de julho de 2005 às 19:20  
Anonymous João Souto Cruz said...

Peço perdão de utilizar este meio para endereçar uma dúvida ao Prof. Nuno Crato mas não tenho outra via. Ontem ouvi na SIC Notícias o locutor Mário Crespo afirmar, com aquele seu arrrogante de sempre: "dois biliões de litros, ou seja, dois mil milhões". Disse isso com certeza dogmática mas eu fiquei na dúvida. Poderá o sr. Prof. Nuno Crato esclarecer-me? Mais uma vez peço desculpa ao Prof e ao Sorumbático.

28 de julho de 2005 às 11:36  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro João Cruz,

A sua questão foi enviada ao Prof. Nuno Crato, mas posso adiantar-lhe que esse assunto já foi abordado aqui no blogue em 16 de Janeiro 05:

http://sorumbatico.blogspot.com/2005/01/chinesices.html

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Segundo a notação "anglófona", «bilion são mil milhões».
Mas segundo a notação "europeia", a que Portugal aderiu, «1 bilião é um milhão de milhões».

28 de julho de 2005 às 11:51  
Anonymous João Souto Cruz said...

Bem me tinha parecido que era coisa daquela cabecinha laranja (Mário Crespo) e americanófila. Muito obrigado!

29 de julho de 2005 às 10:34  
Anonymous Mário Crespo said...

Se tivesse obtido a sua resposta sem ser abusivo ou insultuoso teria sido tão mais interessante. De qualquer modo é sempre bom ter notícias do nosso clube de fans.
Mário Crespo

4 de agosto de 2005 às 08:01  
Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Caro Mário Crespo,

Desculpe, mas não percebo a sua observação:

É que a "resposta" que refere dei-a eu, CMR, e não insultei ninguém:

Julgo, pois, que se está a referir ao comentário final de João Souto Cruz, que é um leitor do blogue. Não foi ele quem respondeu à questão, mas sim quem a colocou.

4 de agosto de 2005 às 08:14  

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