3.10.11

A Bolsa de notícias continuará em alta?

Por Ferreira Fernandes

SIM, HÁ a vaga de calor, Verão no Outono, mas só jornalistas ingratos não reconhecem assunto melhor: a vaga de boas notícias. Boas, no sentido jornalístico, isto é, más.
A semana passada foi prenhe de dar vontade de ler, houvesse unhas com que teclar os computadores: o americano de Colares, o prende-desprende de Isaltino, o cerco a Duarte Lima...
Infelizmente, ainda não tivemos a entrevista ao ex-extremista negro americano, o seu encontro com África "trincheira firme do socialismo" e a sua acalmia numa aldeia de Sintra. Num país com manchetes sobre ménage à trois entre um freak e a única dupla do jet-set de Lousado, Famalicão, deve haver lugar para ouvir as memórias portuguesas de um sequestrador de avião de há 41 anos.
E lugar também para um nominho. Quando a investigação brasileira pediu a "oitiva" de Duarte Lima, houve um procurador português que devolveu o pedido dizendo que desconhecia a palavra (que qualquer dicionário diz ser audição): não era bom sabermos o nome do procurador que se borrifa para a investigação do assassínio de uma portuguesa?
Mas desconfio que, das notícias da semana passada, o que mais dará comentários jornalísticos é um triplo anúncio a longo prazo. Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e António Guterres fizeram prova de vida. Tal como Cavaco Silva gosta de dizer coisas vagas ontem para amanhã lembrar "como eu disse...", aqueles três, na semana passada, fizeram-se lembrados para 2016.
«DN» de 3 Out 11

Etiquetas: ,