26.4.05

Atropelamento

Um amigo meu foi atropelado . Ainda não tinha aterrado e já o automobilista lhe gritava “Você partiu-me o espelho!” . Recebia de transeuntes os óculos partidos, peças soltas do relógio e um sapato que fora parar a dez metros, e o exacerbado condutor gritava: ”Uma óptica destas não custa menos de 40 contos!”
O meu amigo contabilizava ossos, preocupado com uma forte dor no esterno, borrifando-se no fato Armani todo roto e no Girard Perregaux em fanicos. Um polícia aproximou-se e o condutor, pela primeira vez, ofereceu-se para o levar ao hospital. Ele estrebuchou :” Tenho um seguro de saúde, ” disse . O guarda não concordou: ”Vá antes a um hospital civil que o meu colega chama lá a brigada e toma conta da ocorrência.”
O meu amigo imaginou o pesadelo. Além da dor no peito que o não deixava respirar, teria à sua frente horas de espera, de interrogatório, fitas métricas, reconstituições, recolha de testemunhas e o outro aos gritos de “Você partiu-me o espelho!”.
Resultado: o meu amigo mergulhou na clandestinidade e até hoje não se convence que não vem alguém bater-lhe para ter mais cuidado no próximo atropelamento!

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1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Aqui fica, tanbém, uma história divertida:

Um camião grande atropela um desgraçado.
O motorista abre a porta, olha para trás, vê o outro esticado na estrada e grita:

«Eh! Cuidado!».

O infeliz, mal podendo falar, pergunta:

«Cuidado porquê?! Ainda vai fazer marcha-atrás?»

27 de abril de 2005 às 18:54  

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