15.10.15

A sociedade e o trabalho

C. Barroco Esperança
No mesmo dia em que o Tribunal Constitucional chumbou o aumento da carga horária que o Governo queria impor aos funcionários autárquicos, a Suécia reduziu a jornada de trabalho de 8 para 6 horas, para tornar os trabalhadores mais felizes e mais concentrados durante a atividade e aumentar os índices de produtividade.

Foi uma notícia excelente que devia servir já de exemplo. Importa mais a distribuição do trabalho e dos lucros do que a produtividade quando novas tecnologias, ao contrário das de épocas anteriores, destroem pela primeira vez mais postos de trabalho do que os criados. Os proventos devem ser também repartidos, o que não pode continuar é a chaga do desemprego.

Parece haver na decisão sueca uma mudança de paradigma em relação aos anseios de justiça que, no passado, o socialismo demandou, tantas vezes de forma trágica e com sacrifício das liberdades.

O trabalho é um bem cada vez mais escasso e, por isso, urge democratizar o acesso. Não se pode conviver com legiões de excluídos, privados de cidadania, sem que se sinta um sobressalto cívico e na certeza ainda de que nenhuma sociedade pode sobreviver com as contradições da atual. Não há pensamento único, por mais poderosos que sejam os seus interesses, que sobreviva à tomada de consciência coletiva dos espoliados. 

A crença no crescimento perpétuo da economia e na infinita capacidade do Planeta para suportar qualquer excesso demográfico esvaziou-se. 

O mar perdeu 60% do peixe no último meio século; o solo arável diminui todos os anos; o aquecimento global é a evidência que já não se discute; a poluição aumenta; torna-se irrespirável o ar e a própria água é cada vez mais escassa. Com os recursos exauridos, o futuro apresenta-se progressivamente mais sombrio. 

O modelo capitalista, que assegurou desenvolvimento e bem-estar, sem procurar conter  o agravamento das desigualdades, está esgotado. Há quem procure prolongar a agonia do sistema, na esperança de que o dilúvio apareça depois, enquanto outros hesitam entre sistemas que fracassaram e a procura de novos equilíbrios.

Não é preciso ser profeta para prever uma catástrofe. As revoluções acontecem com a tomada de consciência das injustiças e a revolta das vítimas. São os que mais as temem os que mais as fomentam.

É preciso evitar o abismo à beira do qual nos colocámos.

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5 Comments:

Blogger opjj said...

Com tantas premonições não seria a altura de dar uma ideiazinha para salvar o planeta!De bocas está o mundo cheio.

15 de outubro de 2015 às 09:53  
Blogger 500 said...

Já agora: qual o contributo do comentador, ao comentar? Como dizia o outro, eles falam, falam e não os vejo a fazer nada!

15 de outubro de 2015 às 19:12  
Blogger SLGS said...

E que dizer do MAR DE ARAL que os "capitalistas?" transformaram em EX sem cuidar de preocupações ecológicas mas tão só dos seus SUPERIORES INTERESSES?

15 de outubro de 2015 às 19:18  
Blogger opjj said...

Ó 500 por acaso eu dei alguma directiva ou disse mal de alguma coisa? Eu critico os que tudo dizem sem apresentar nada. Os únicos que dão empregos são os empresários e estes terão sempre o meu apoio e estes ao que parece são os capitalistas que são uma peste.Seria muito bom que houvesse 20 Belmiros. Só quem teve empregos no privado sabe dar o valor, de resto é treta.

16 de outubro de 2015 às 09:26  
Blogger Leo said...

Não se pode levantar a voz para falar mal dos sacrosantoscapitalistas.
Nicola Tesla inventou energia verde, 100% verdinha no séc. XIX. Onde está ela? Ao descobrir, quem o financiava Standard Oil do Rockfeller retirou-lhe logo o financiamento, abarbatou-lhe as patentes e destruiu-lhe o laboratório. Depois foi só usar o monopólio que detinha dos media para destruir a reputação de um homem único que podia ter mudado o mundo.
Quanto à jorna de seis horas parece-me muito bem. Mas isso deixa demasiado tempo livre para as pessoas pensarem. Por isso se inventam profissões inúteis todos os dias para manter a malta ocupada e de preferência mal paga. Quanto ao desemprego eles também o sabem manter nos níveis desejados. É a melhor forma de subjugar os empregados.

23 de outubro de 2015 às 02:55  

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