25.11.18
14.10.18
LAGOS E A LÓGICA ECOLÓGICA
«Controla o lixo, e controlarás a cidade»
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Conta-se que, nos anos 60 do século passado, um jornalista norte-americano se disfarçou de funcionário da limpeza urbana conseguindo, assim, apoderar-se do conteúdo do caixote do lixo do Presidente da República. Seguidamente, e do muito que ficou a saber acerca dos hábitos de Sua Exa., deu destaque ao facto de ele deitar fora os jornais ainda com as respectivas cintas — concluindo, com isso, que o homem mais poderoso do mundo não se preocupava muito em estar informado acerca do que nele se passava, e muito menos com a opinião pública ou publicada. Talvez essa conclusão fosse demagógica, mas a verdade é que o lixo diz quase tudo acerca de quem o produz; e, no que toca às urbes, até patenteia, e sem margem para dúvidas, o grau civilizacional das suas populações e de quem as dirige.
De facto, numa sociedade organizada, os cidadãos delegam nos poderes públicos a gestão do lixo (que, sem controlo, é um verdadeiro flagelo — veja-se Nápoles), e pagam-lhes para que o façam. Compete, pois, a estes, providenciar locais de deposição adequados, e àqueles respeitá-los; mas também neste último caso são os poderes públicos que têm de ter, ao seu serviço, fiscais competentes e em número suficiente, com funções dissuasoras e até repressivas, se necessário for. Finalmente, é ainda às autarquias que compete providenciar a remoção atempada dos resíduos, pelo que, tendo elas as funções decisivas em todo o ciclo que nos interessa, não podem eximir-se às suas responsabilidades, nomeadamente quando algo corre mal.
Dito isto, o que vemos em Lagos, especialmente nas chamadas “Ilhas ecológicas”, e nos últimos anos? Constatamos que muitos dos seus ecopontos estão, frequentemente, a abarrotar durante dias seguidos, tendo por fora o que devia estar dentro... mas já lá não cabe! Sendo assim, que moralidade tem, quem quer que seja, para nos exigir aquilo que, mesmo querendo, não podemos fazer? E que lógica tem disponibilizarem-nos as condições básicas para reciclagem, mas depois não darem seguimento aos esforços que fazemos para corresponder a esse imperativo cívico do nosso século?
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O tema daria um livro, profusamente ilustrado com penosas imagens de Lagos (e também de lugares tão improváveis como o coração de Lisboa e o Parque Natural Sintra-Cascais), mas não é necessário, pois basta andar pelas nossas ruas para se esbarrar com a triste realidade que está diante dos olhos de QUEM QUER VER e (por vezes literalmente) debaixo dos pés, mesmo de quem não quer. Claro que não faltam os que desvalorizam o problema,nem os que apontam o dedo para o alvo errado — destacando-se os que recitam o mantra «As pessoas é que são porcas!». A estes, há que dizer que sim, que há pessoas porcas, e até muito porcas; só que isso qualquer criancinha sabe, pois é uma verdade de todos os tempos e de todas as latitudes. Mas nós também não pagamos à polícia para nos dizer que há criminosos, pois não?
Infelizmente, ainda há quem não entenda que tudo isto é muito mais grave do que uma fuga de água num jardim, pois configura uma tripla AGRESSÃO: um perigo real para a SAÚDE pública, a delapidação do nosso DINHEIRO e a degradação da IMAGEM da Cidade — com pesadas consequências para o TURISMO e, portanto, para a ECONOMIA local, que dele depende.
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Claro que seria simpático terminar este texto com palavras de optimismo mas, como tudo isto se arrasta há anos (e tem piorando nos últimos tempos), não consigo. Todavia, se alguém tiver por aí algumas disponíveis, mande-mas, que serão bem-vindas!
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Carlos Medina Ribeiro - "Correio de Lagos", Setembro de 2018
Etiquetas: CMR, Correio de Lagos, Lagos
6.10.18
LAGOS E A CRISE DO TURISMO
«As maiores descidas nos hotéis do Algarve, em Junho, verificaram-se em Lagos e Sagres (menos 14,1%). Mas nas zonas de Vilamoura, Quarteira e Quinta do Lago houve subidas turísticas de 7,1%».
in Jornal do Algarve, 5 de Julho de 2018
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Certo dia, em conversa com um coronel da Força Aérea, ouvi-lhe dizer uma coisa que nunca mais esquecerei: “Salvo em casos excepcionais, um avião nunca cai por UM único motivo. Há sempre VÁRIOS, simultâneos ou em cadeia, que concorrem para o desastre”.
Lembrei-me dessa afirmação a propósito dos maus resultados do turismo do concelho, pois, também nessa queda, as causas são muitas e variadas, valendo a pena distinguir três tipos de problemas:
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- Aqueles contra os quais NADA SE PODE fazer;
- Aqueles que poderão ser RESOLVIDOS — não pelos lacobrigenses, mas pelos poderes públicos;
- Aqueles em que PODEMOS INTERVIR activamente.
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No primeiro caso, a principal condicionante é a nossa situação geográfica: olhe-se para o mapa da Europa, e veja-se a que distância estão as fontes de turistas estrangeiros. Diria La Palice que “para que eles venham para cá, é preciso que não vão para outros lados”, uma verdade que nos obriga a concorrer com destinos de alta relação qualidade/preço, incluindo países que superaram, ultimamente, problemas de segurança interna que os afastavam.
Mas, em Portugal, Lagos (tal como a referida Sagres) ainda tem de competir num outro “campeonato”, nomeadamente contra Porto e Lisboa, estando, para mais, no extremo sudoeste do país. Como podemos trazer mais gente com um aeroporto a 80 km, uma A22 com portagens absurdas, uma 125 inenarrável e um comboio ao melhor nível da arqueologia industrial?
Tal como sucede com o nosso Hospital, as últimas três realidades não dependem dos lacobrigenses. São problemas estruturais (que exigem soluções de prazo variável), mas podemos pressionar os nossos políticos para que ajam em nosso favor — onde, quando e como puderem... e já não será pouco!
Também somos impotentes contra o Brexit e a desvalorização da libra, mas há muitas coisas que poderemos fazer; e é uma reflexão séria e desapaixonada acerca disso que se torna urgente... e já vai sendo tarde.
De facto, não está nas nossas mãos ir buscar os turistas e trazê-los para cá. Mas podemos fazer com que VOLTEM, nunca esquecendo que “O Homem é um animal de hábitos”, e o turista é-o, acima de tudo.
Sucede, porém, que isso obriga a ter em conta uma grande quantidade de problemas (todos bem conhecidos); mas a forma como eles são abordados entre nós nem sempre é isenta, despartidarizada e pacífica.
A juntar a isso, muita gente parece pensar e agir como se estivéssemos nos Anos 60 do século passado, quando sol, praia e bares chegavam e sobravam para manter o turismo algarvio florescente e de boa saúde.
Mas esse tempo acabou e não volta: o turista moderno, especialmente aquele com poder de compra, tornou-se muito mais exigente, até porque alternativas não lhe faltam por esse mundo fora.
Esse turista é sensível, pela negativa, a praias descaracterizadas, a ruas porcas ou esburacadas, a passeios atafulhados de carros, a paredes e monumentos grafitados, a ecopontos a transbordar de lixo (convocando gaivotas, ratos e baratas), a barulho sem horário nem regras, a indivíduos a urinar nas ruas, a árvores cortadas sem motivo, a casas-de-banho encerradas, sujas ou com horários absurdos, a ruas sem passeios dignos desse nome...
Porém, uma vez identificados os problemas resolúveis (assim haja vontade cívica e política para tal), Lagos poderá superar (ou pelo menos minorar) a crise que lhe está a bater à porta, mostrando ser um destino turístico de primeira qualidade, à altura dos desafios colocados por uma sociedade moderna e um turismo exigente.
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Carlos Medina Ribeiro - "Correio de Lagos", Agosto de 2018
16.9.18
11.8.18
1.8.18
18.7.18
4.7.18
Lagos na TVI (2 Jul 18)
Mais uma vez, o nosso amigo Joaquim Letria abordou problemas de Lagos — desta vez 3 casos relativamente graves, pois trata-se de equipamentos urbanos que, em 1960 e em 2009 sumiram sem deixar rasto:
Um coreto (!!!) mais de 1000 m2 de calçada portuguesa (padrão "Mar Largo") e uma boa centena de letras de metal (com a famosa frase de Fernando Pessoa).
Infelizmente, não consigo afixar aqui o link para o vídeo que, no entanto, pode ser visto em tvi.iol.pt, procurando o programa "A Tarde é Sua".
30.6.18
23.6.18
31.5.18
22.5.18
Lagos na TVI
Ontem, na TVI, Joaquim Letria veio corrigir uma informação que recentemente deu:
Afinal, o famigerado WC de Lagos, fechado desde a sua inauguração, abriu no dia 13 de Abril (para um evento organizado pelo Turismo de Portugal)... mas voltou a fechar!
NOTA: Não estou a conseguir incluir aqui o link para o vídeo da TVI, mas está em tvi.iol.pt em "A Tarde é Sua"
21.5.18
20.5.18
Lagos na TVI, com Joaquim Letria.
No "Correio de Lagos" deste mês
Placa explicativa do Altar de Sto. António, colocada ao lado da imagem de S. José, induzindo em erro passantes e visitantes...
No interior, essa imagem de S. José (identificado pelos lírios que empunha) está num pequeno nicho, à direita do altar-mor. É neste último, obviamente, que está o Sto. António.
No interior, essa imagem de S. José (identificado pelos lírios que empunha) está num pequeno nicho, à direita do altar-mor. É neste último, obviamente, que está o Sto. António.
































