26.9.12
16.9.11
25.7.11
COMO ERA A URBANIDADE EM 2011

(Este texto é escrito segundo as regras anteriores ao Acordo Ortográfico, entretanto revogado em 2018).
OS “CARROS” DE 2011
Há cem anos apenas, era comum, das janelas dos prédios, gritar “Água vai!” e lançar para a rua dejectos fecais e resíduos domésticos. O viandantes que se cuidassem e fugissem a tempo do perigo vindo de cima.
Há cinquenta anos, escarrar gosma purulenta para o chão era tão normal como assobiar e atirar dichotes de mau gosto para qualquer mulher ou rapariga que mostrasse mais que dez centímetros de perna nua.
Maravilhemo-nos. Há quinze anos, tornou-se finalmente comum passear o cão ou cadela pelos passeios da urbe com um saco de plástico enfiado no bolso das calças ou simplesmente na mão que segura a trela do bicho.
Maravilhemo-nos mais. Há uns meros dez anos, não era ainda considerado comportamento anti-social guiar pela cidade a velocidades estonteantes, como se fosse uma fatalidade matar quem se atravessava à frente do “carro” (os peões que fugissem do perigo).
Lembram-se dos “carros”, mastodontes de ferro e plástico que pesavam uma tonelada e se moviam a gasolina, aquele entretanto desaparecido líquido mal-cheiroso e poluente, responsável por tantas doenças respiratórias?
É extraordinário olhar para as fotografias das ruas de Lisboa há dez anos. Como é que aceitávamos viver assim? Milhares de carros em filas contínuas, com gente impaciente lá dentro, a ocupar a maior, e melhor parte, do nosso espaço público. Tudo era pensado e construído em função do “carro”. Asfaltámos e cimentámos a cidade, agredimos os nossos idosos e deficientes, proibimos as crianças de usar a cidade, fechámo-las em casa em frente a écrans que as tornaram míopes e imbecilizadas. Que coisa tão estranha, a cidade que tínhamos há dez anos.
Os “carros”, com as suas estradas e toda a sinistralidade que causavam, foram responsáveis por uma parte daquela imensa dívida externa que ainda estamos a pagar, desde que a Troika aterrou na Praça do Comércio (lembram-se? A Troika dos nossos credores – com um nome tão carinhoso, o de uma carruagem com skis puxada por três burros).
Andar a pé em 2011 era um perigo, até porque as pessoas achavam normal – tão normal como cuspir para o chão ou dizer “Água vai!” – estacionar sobre os passeios e obrigar os concidadãos a circular pela “rua”. Havia “passadeiras” (frequentemente ocupadas por “carros” estacionados), para onde éramos encaminhados, porque era preciso – pensávamos nós – manter constante o fluxo automóvel e “disciplinar” os peões. E havia semáforos, e um software primário a que chamávamos Gertrude, que “regulava” centralmente o trânsito automóvel da cidade, isto é, que nos impelia a conduzir os “carros” a velocidades
que – pasme-se – atingiam os 120 km/h.
E depois, para além da Lei permitir toda esta selvajaria, ainda havia quem se considerasse estar acima dela. Houve até um caso, que na altura passou por uma quase normalidade, de um magistrado que chocou contra o “carro” do presidente da Assembleia da República, quando na Av. da Liberdade (sim, na altura também estava asfaltada!) circulava a 130km/h (!!!) sem respeitar os “sinais vermelhos”, a uma hora a que costumávamos chamar “de ponta” (não, não é o que estão a pensar! Chamava-se “de ponta”, porque era quando havia mais “carros” por todo o lado).
Quando conto estas coisas estranhas aos meus filhos e netos, eles não querem acreditar. “Atirar dejectos para a rua? Escarrar para o chão? Guiar a mais de 30 km/h e estacionar no passeio?” Como as coisas da urbanidade mudam ao longo dos tempos.
Manuel João Ramos
Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados / ACA-M
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12.7.11
25.6.11
25.5.11
28.4.11
18.2.11
Na minha rua



Etiquetas: CML, espaço público, MJR
3.2.11
O Asfalto está a chegar
UM CURTO filme sobre a pavimentação de uma rua em Gondar, Etiópia. Está a ser assim por toda a África. Lisboa precisa de ir na direcção oposta, a da partilha do espaço público rodoviário.
Etiquetas: Etiópia, MJR, Peões, sinistralidade rodoviária
26.1.11
Costa Troca Tintas
QUAL Mancha Negra, António Costa tudo tem feito para que os peões da cidade de Lisboa o vejam como o chefe dos vilões que ameaçam a sua integridade e a tranquilidade. Etiquetas: CML, MJR, Passadeiras, Peões, sinistralidade rodoviária
29.11.10
o FMI vêm aí
Etiquetas: Democracia, FMI, MJR, Portugal
28.11.10
8.11.10
17.9.10
Passatempo-relâmpago de 17 Set 10


CADA uma destas fotos é parte de uma sequência diferente, mas todas elas mostram carros em infracção tendo, por perto, pessoas que os podem punir (no caso da imagem de baixo, trata-se do carro estacionado na paragem da Carris e da fiscal da Emel).Pois bem. Um exemplar do livro The Walker and the City (devidamente autografado pelos autores) será atribuído a quem primeiro der as 3 respostas certas à pergunta «Qual (quais) dos 3 carros foi (foram) punido(s) logo a seguir?». Salvo se houver dicas, cada leitor poderá dar uma única resposta-tripla, que deverá ser sob a seguinte forma:
- Imagem de cima ... Sim/Não
- Imagem do meio ... Sim/Não
- Imagem de baixo ... Sim/Não
Etiquetas: MJR
15.9.10
26.8.10
Tragédia numa A25 de pacotilha
“UMA VITÓRIA CIVILIZACIONAL DO POVO PORTUGUÊS”. Assim explicava em Janeiro o Ministro da Administração Interna a “redução” do número de mortos nas estradas portuguesas, nos últimos anos. Foi um comentário que me ficou atravessado na garganta, porque sugeria uma revolução nos costumes rodoviários que não aconteceu de facto: se se morre hoje menos nas estradas portuguesas do que há dez anos é porque os consumidores-condutores do norte da Europa têm exigido dos fabricantes vias e veículos mais seguros e nós temos beneficiado com essa exigência, e porque a falta de dinheiro para a gasolina é um eficiente redutor de velocidade (primeira causa de agravamento da sinistralidade). O comentário do ministro tinha assim um duplo travo amargo: de limpeza da memória da catástrofe rodoviária, e de obliteração da responsabilidade do governo em relação a várias áreas-chave para uma efectiva redução do risco rodoviário. (...)Texto integral [aqui]
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16.8.10
Relato de um brigadeiro (não é de chocolate)
Texto integral [aqui]
Etiquetas: gnr, MJR, segurança rodoviária, volta a portugal
13.8.10
Por uma estrada viva

Agir pelo bem comum
A SUBIDA alarmante do número de mortos e feridos nas estradas portuguesas, nos últimos tempos, deveria tirar o sono aos responsáveis pelas políticas de prevenção do risco rodoviário. Suspeitamos que não tira. Mas deve, antes de mais, ser uma preocupação de toda a sociedade, na medida em que os custos físicos, emocionais e económicos são partilhados por todos nós.
Os poderes central e local, tolhidos pelo argumentário da crise e surpreendidos pela ineficácia das suas medidas e acções na área da chamada “prevenção rodoviária”, não estão dispostos a despender os recursos humanos e financeiros mínimos necessários para reduzir os comportamentos rodoviários de risco infelizmente típicos numa época crítica como é o período de férias de Verão. (...)
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