3.2.11

O Asfalto está a chegar

Por Manuel João Ramos:

UM CURTO filme sobre a pavimentação de uma rua em Gondar, Etiópia. Está a ser assim por toda a África. Lisboa precisa de ir na direcção oposta, a da partilha do espaço público rodoviário.

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26.1.11

Costa Troca Tintas

Por Manuel João RamosQUAL Mancha Negra, António Costa tudo tem feito para que os peões da cidade de Lisboa o vejam como o chefe dos vilões que ameaçam a sua integridade e a tranquilidade.

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26.8.10

Tragédia numa A25 de pacotilha

Por Manuel João Ramos

“UMA VITÓRIA CIVILIZACIONAL DO POVO PORTUGUÊS”. Assim explicava em Janeiro o Ministro da Administração Interna a “redução” do número de mortos nas estradas portuguesas, nos últimos anos. Foi um comentário que me ficou atravessado na garganta, porque sugeria uma revolução nos costumes rodoviários que não aconteceu de facto: se se morre hoje menos nas estradas portuguesas do que há dez anos é porque os consumidores-condutores do norte da Europa têm exigido dos fabricantes vias e veículos mais seguros e nós temos beneficiado com essa exigência, e porque a falta de dinheiro para a gasolina é um eficiente redutor de velocidade (primeira causa de agravamento da sinistralidade). O comentário do ministro tinha assim um duplo travo amargo: de limpeza da memória da catástrofe rodoviária, e de obliteração da responsabilidade do governo em relação a várias áreas-chave para uma efectiva redução do risco rodoviário. (...)

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13.8.10

Por uma estrada viva

Por Manuel João Ramos

Agir pelo bem comum

A SUBIDA alarmante do número de mortos e feridos nas estradas portuguesas, nos últimos tempos, deveria tirar o sono aos responsáveis pelas políticas de prevenção do risco rodoviário. Suspeitamos que não tira. Mas deve, antes de mais, ser uma preocupação de toda a sociedade, na medida em que os custos físicos, emocionais e económicos são partilhados por todos nós.

Os poderes central e local, tolhidos pelo argumentário da crise e surpreendidos pela ineficácia das suas medidas e acções na área da chamada “prevenção rodoviária”, não estão dispostos a despender os recursos humanos e financeiros mínimos necessários para reduzir os comportamentos rodoviários de risco infelizmente típicos numa época crítica como é o período de férias de Verão. (...)

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9.7.10

Amnésia conveniente

Por Manuel João Ramos
VALE A PENA ouvir as declarações de Mário Mendes, Secretário-Geral da Administração Interna, no final de uma entrevista na SIC Notícias sobre o arquivamento da averiguação do Ministério Público à sua co-responsabilidade na colisão da Av. Liberdade em 27 Novembro 2009. À pergunta do jornalista Mário Crespo sobre se teria induzido o motorista a conduzir em velocidade excessiva, o "super-polícia" responde:
- "Nunca o faria, nunca o fiz, nunca o fiz, e... creio que nunca o faria, nem nessas circunstâncias nem em quaisquer outras".
No entanto, o despacho de acusação do DIAP é claro: o veículo seguia em marcha urgente pela Av. Liberdade à hora de ponta porque o magistrado a ordenara.
E já agora: se o magistrado confessa não ter qualquer recordação do dia em que se deu a colisão ("Aquele dia é como se não tivesse existido"), como pode afirmar peremptoriamente que não induziu o motorista a circular em velocidade excessiva?

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25.3.10

Os mandantes do crime rodoviário

Por Manuel João Ramos
NO DIA 15 DE NOVEMBRO do ano passado, o ministro da administração interna, Rui Pereira, explicava uma auto-proclamada redução do número de mortos nas estradas portuguesas afirmando que se tratava não apenas de um triunfo da acção governativa mas também de “uma vitória civilizacional do povo português”.

Uma semana depois, entrava e saía do hospital de São José, em Lisboa, em silêncio comprometido. O “seu” secretário geral da administração interna, o Magistrado Mário Mendes, encontrava-se em coma na unidade de cuidados intensivos, com a cara desfeita contra o vidro frontal do seu Audi, em resultado de uma muito noticiada colisão contra o BMW do presidente da Assembleia da República, quando acelerava a mais de 130 km/h pela Av. da Liberdade em hora de ponta. (...)

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7.1.10

Uma década novinha em folha

Por Manuel João Ramos

O GOVERNO PORTUGUÊS PRIMOU pela ausência na 1ª Conferência inter-ministerial global sobre segurança rodoviária que teve lugar há dois meses e meio na Rússia. A aprovação da chamada Declaração de Moscovo consagra uma Iniciativa Global sobre Segurança Rodoviária para a próxima década. A maioria dos estados e das organizações internacionais prometem investir generosamente na redução do risco e do trauma rodoviário, finalmente considerado uma das mais graves epidemias mundiais pela Organização Mundial de Saúde.

O governo português esteve ausente da Conferência mas a ACA-M participou, como outras ONGs internacionais, co-assinando um Apelo Global em prole da Segurança Rodoviária e do Apoio às Vítimas da Estrada. (...)
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7.9.09

SMS ao Volante

Por Manuel João Ramos

(Clique AQUI; atenção: imagens chocantes)

Só mesmo a Prevenção Rodoviária Portuguesa para achar que este vídeo é pouco instrutivo.

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7.7.08

A Nova Época da Cassa

Por Manuel João Ramos
NOS PAÍSES EUROPEUS onde foi introduzida, a chamada “carta por pontos” foi bem recebida e contribuiu para a redução dos comportamentos de risco na estrada. A expectativa do governo e da ANSR é que o novo “produto” tenha em Portugal o mesmo efeito mágico.
O governo português decidiu renovar a licença de condução e por isso fez o mesmo de sempre: copiou o que se faz lá fora.
Com o Decreto-Lei 113/2008 de 1 de Julho, o Governo da República alterou o Código da Estrada, para agilizar os processos de cassação da licença de condução e preparar a introdução da nova "carta por pontos".
Por omissão, este Decreto-Lei permite uma limpeza administrativa dos ficheiros da ANSR, fazendo com que os processos de contra-ordenação pendentes desde 2005, que arriscam ser prescritos, não contem para o histórico da dita "carta por pontos".
O governo volta assim a não assumir a responsabilidade das consequências nefastas do seu acto de extinção atabalhoada da DGV.
E fica a sensação, pelo momento escolhido, de um jogo de spinning governamental.
Porquê? Porque ocorre na semana em que as forças policiais vêm anunciar mais uma “greve de zelo às multas”, e em que ficámos a saber que estão por processar 6.500.000 de coimas (não, não se trata de uma gralha: são mesmo 6 milhões e meio).

Mais uma vez, a mensagem que os condutores recebem é que a lei não é para cumprir, que basta esperar para que as multas prescrevam, e que a infracção compensa.
É perverso querer mudar as coisas começando tudo o zero. Até porque há três consequências previsíveis da futura introdução da “carta por pontos”, e do seu corolário que é o aumento exponencial do número de cassações da licença:
1) uma fiscalização ineficaz por parte das forças policiais em revolta, por esta altura já totalmente desmotivadas por anos de trabalho inútil a processar milhões de coimas e processos-crime que acabam por prescrever por incapacidade administrativa da DGV/ANSR;
2) o aumento do número de condutores a circular sem licença de condução e sem seguro válidos, aumentando o nível de risco e de sentimentos de impunidade na estrada.
3) o aumento da conflitualidade social e ainda maior entupimento dos tribunais.
Auto-convencidos pela sua própria retórica propagandística, o ministro da administração interna e o presidente da ANSR tendem a qualificar as opiniões dissidentes e cépticas de vozes de “velhos do Restelo”. Mas não estamos, neste domínio, à procura de novos caminhos para a Índia.
Sabendo como o Estado tem falhado rotundamente nas suas políticas de segurança rodoviária (basta lembrar que nenhum dos planos governamentais de segurança rodoviária produzidos na última década entrou em funcionamento), os cépticos cidadãos portugueses têm o direito de, como de S. Tomé, querer ver para crer – certos que o Dr. Rui Pereira não é o Messias.
Mas não desanimemos: tenhamos esperança de que a partir de agora a maioria da população comece a considerar as infracções graves ao volante aquilo que de facto são: comportamentos anti-sociais.

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