11.5.10

Bem Bom Mais

Por Rui Zink

É BONITO que esta semana se cumpra sob o signo do BB+. Refiro-me, obviamente, à vitória do Benfica e à visita de Bento XVI. Têm a minha simpatia porque ambas trazem, a uma quantidade impressionante de pessoas, duas coisas importantes: alegria e esperança. Mas é verdade que não é só por altruísmo que me alegro com a felicidade e fé alheias. Sim, também é porque... daí saco vantagem. Pessoas felizes são mais generosas, mais atenciosas, têm menos tendência a chatear o próximo (ou seja, eu) do que pessoas frustradas, ressentidas. Corro menos riscos de ser atropelado, levar um tiro ou ser mal atendido na repartição – e não ser atropelado nem levar um tiro nem ser tramado com a papelada são (vá lá saber-se porquê) coisas a que ligo alguma coisa. Há anos o comandante da Brigada de Trânsito da GNR confirmou-me esta tese: quando a vida corre bem aos portugueses, somos menos agressivos ao volante e há menos desastres. (...)

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22.4.10

Barómetro da Mobilidade da ACA-M

Por Manuel João Ramos

NEGATIVO:

Depois de 12 anos de obras, de um triplo atropelamento trágico, de uma condenação excepcional de uma condutora, a passadeira frente à Gare Marítima do Terreiro do Paço continua na mesma: é uma ratoeira terrível para peões e automobilistas, uma prova dolorosa de que as autoridades públicas e privadas não se sentem minimamente interessadas em prover às necessidades humanitárias dos cidadãos que circulam na cidade.

POSITIVO:

Depois de 12 anos de obras no Terreiro do Paço, de um triplo atropelamento trágico e de indícios indesmentíveis de incúria da CML e do Metro de Lisboa, uma condutora foi condenada a prisão efectiva pela morte de dois peões e ferimentos graves noutro. A pena inverte uma cultura instalada de passividade e impunidade perante os crimes rodoviários contra os peões lisboetas. E dá-nos esperança que a CML e o Metro de Lisboa percebam um dia que têm de prover às necessidades humanitárias dos cidadãos que circulam na cidade.

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19.4.10

O COMPORTAMENTO ANTI-SOCIAL

Por Manuel João Ramos e Rui Zink
COMECEMOS POR EXPLICAR o que é um comportamento anti-social: trata-se de "toda e qualquer actividade agressiva, intimidatória ou destrutiva que provoca danos à qualidade de vida de outras pessoas" (definição do Home Office britânico).
Ao contrário de algum senso comum, não são apenas os marginais que são propensos a este tipo de comportamento. Infelizmente, também detentores de cargos públicos podem, ocasionalmente, mas com mais frequência do que se desejaria, nele incorrer. Podemos dizer que Adolf Hitler tinha um comportamento anti-social, embora tenha sido democraticamente eleito. É um exemplo extremo, mas útil: pois a partir dele, podemos "descer" às mais diversas variantes, desde a pequena corrupção ao abuso de poder, etc.
A figura do comportamento anti-social em Portugal não é criminalizada, ao contrário do que acontece, por exemplo, no Reino Unido. Mas a sua censura está implícita na lei, nomeadamente na penalização de certo tipo de infracções graves. (...)
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17.4.10

O homem que move montanhas

Por Rui Zink

JOÃO GARCIA é o mais português dos portugueses e, ao mesmo tempo, o menos português. A esta hora está a escalar (a TENTAR escalar, ou seja, a escalar MESMO) o Annapurna, a mais temível das montanhas, e a única que lhe falta no admirável currículo. Pode até nem ter ainda as botas na neve. Se calhar está a comprar material, mas a escalada já começou, pois nas montanhas (como em tudo o que vale a pena) o mais importante são os preliminares. No caso do João, sei que a logística não é a sua parte favorita. Ele gosta mesmo é de estar no terreno, é aí que se encontra consigo mesmo. Mas, como bom profissional, sabe que não pode descurar a parte “entediante” da aventura. Nisso o João não está sozinho. Todas as pessoas que tentam escalar uma qualquer “montanha” (seja nas indústrias do ensino, do futebol, do calçado) sabem que assim é. Não é possível, para quem quer ser profissional, desconhecer as diversas componentes da sua arte, saber, mister. (...)

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6.4.10

Vamos amar-nos?

Por Rui Zink

SE HÁ COISA em que o PC tem razão é que o Sol quando brilha é para todos nós. Até ver, certo. Mas por enquanto é uma das coisas boas (e gratuitas) que há em Portugal. Ainda me lembro do tempo em que se podia entrar numa leitaria e pedir um copo de água, sem ter de pagar um euro e tal. Lá chegará a altura em que o próprio Sol será pago, mas… ainda não chegou. E com o Sol vem a Primavera, e as flores e os passarinhos, e os coelhinhos ululantes e as rolas arfantes. E o amor, claro, pode lá viver-se sem amor, sobretudo em Portugal.

Eu hoje tinha planeado dizer uma ou duas coisas de esquerda, até para tirar a poeira às minhas ideias de esquerda, mas não é preciso. Para quê, se agora até já o PSD é de esquerda? (...)

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23.3.10

O que eu sempre soube acerca das mulheres mas ainda assim tive de perguntar

Por Rui Zink

TRATAM-NOS MAL mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem dez anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. (...)
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3.3.10

Os corruptos, nossos amigos

Por Rui Zink

JÁ AQUI TIVE oportunidade de explicar que o princípio de “não bater nos mais fracos” não faz qualquer sentido. Porque, se não for nos mais fracos, vamos bater em quem? Pois hoje venho explicar que o abuso de poder é bom. Não digo para os abusados, mas para quem abusa. E daí? Toda a gente diz mal dos abusadores, dos corruptos, mas esquecemos que os abusadores também são gente. E merecem ser acarinhados. Sem condições, sem apoios, claro que é difícil para um português, por mais que se esforce, atingir o nível competitivo de um Madoff, ou mesmo um traficante afegão.

De resto, só quem não tem poder resmunga contra quem beneficia abusivamente desse poder. Eu, por exemplo, detesto dar aulas. Em compensação, a parte do chumbar alunos já acho gira. (...)

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23.2.10

Natureza selvagem

Por Rui Zink

TODO O PORTUGAL É BONITO, mas nada se compara à beleza dramática da Madeira e dos Açores. Em compensação, os Açores são nove ilhas espartilhadas e a Madeira tem o Alberto João. E, antes da Europa e do avião barato, sofreram um isolamento que os levou a emigrar em massa: da Madeira para a Venezuela e África do Sul, dos Açores para a América.

A tragédia de anteontem lembra-me outra que abriu a década: a queda da ponte de Entre-os-Rios. Também então, ainda em choque, se começou a tentar “apurar responsabilidades”. Muito gostamos nós disso. Evidentemente, passados anos, nenhuma “responsabilidade” foi “apurada”. Apenas houve um ministro que se demitiu, admitamos que por pudor. Hoje, ao que consta, “está na construção civil”, como tantos ex-colegas, onde mercê da sua “experiência” ganha concursos para “obras públicas”. (...)

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NOTA (CMR): Rui Zink junta-se, a partir de hoje, ao grupo dos autores convidados do Sorumbático.

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