18.2.09

A saga de uma lagosta sobrevivente

QUANDO, EM 2007, o Governo anunciou, pela boca de Mário Lino, que até 31 de Outubro desse ano ia haver portagens 100% electrónicas em algumas SCUT (nomeadamente nas 3 da Costa de Prata) eu não acreditei. Esse meu cepticismo valeu-me o envolvimento em polémicas estéreis que, quando começaram a ter cariz desagradável, cortei pela raiz desafiando os meus oponentes a apostarem um almoço de lagosta. Foi remédio-santo, pois nesse preciso momento as discussões acabaram como que por encanto. Pior: à medida que as datas oficiais foram, sucessivamente, dando lugar a outras, eu também fui renovando o meu desafio (*) - mas sempre em vão, e se quisesse comer lagosta teria de a pagar!

Até que...

Em meados de 2008, no almoço anual dos antigos colaboradores da Associação de Estudantes do IST, encontrei-me com o nosso ministro e comentei:

- Ó Mário Lino, já viste que estamos para aqui a comer esta porcaria de rissóis e croquetes, quando podíamos estar os dois sentadinhos no Gambrinus a dar cabo de uma lagosta?

Naturalmente, ele não percebeu a que é que me referia; depois de lho explicar, desabafei:

- O que me faz confusão é que não arranjo ninguém que aposte comigo! Por mim, continuo a achar que não vais conseguir fazer o que prometes... - referia-me eu à 2ª ou 3ª data anunciada, 31 de Dezembro desse ano que, entretanto, também já lá vai.

Ele fez então um sorriso amarelo e respondeu, um pouco a medo:

- Aposto eu...

Até aqui, tudo bem, até porque houve testemunhas! O pior é que me esqueci de lhe pedir o contacto para combinarmos a almoçarada - já estou mesmo a ver que temos um outro Jamais!
-
(*) Veja-se, p. ex., [aqui], [aqui], [aqui], [aqui]...

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27.5.10

Renovando um velho desafio

A já famosa lagosta imortal
PARA acalmar Bruxelas, o Governo anunciou, pela enésima vez, que vai aplicar portagens nas três SCUT da Costa de Prata. E, também pela enésima vez, avançou com uma data: desta feita, é Julho de 2010...

Ora, como estamos em finais de Maio - e continuam a não nos dizer "como é que isso vai ser feito" -, palpita-me que o que se escreveu [aqui] se mantém totalmente válido, estando a lagosta cada vez mais idosa... mas de perfeita saúde!

Assim sendo, retomo o desafio:
quem quer apostar comigo um almoço de lagosta em como, em 1 de Agosto de 2010, as anunciadas portagens 100% electrónicas não estarão a funcionar?
.
NOTA: antes que alguém se precipite, sinto-me no dever de informar que, até hoje, a única pessoa que aceitou a aposta foi o próprio Mário Lino. Nessa altura - já lá vão 2 anos... -, a data em causa era 31 Dez 2008... e ele ainda me deve o correspondente almoço!

10.10.07

«Então o nosso almocinho de lagosta?»

Há algum tempo, farto de ouvir a história interminável das SCUT que hão-de um dia deixar de o ser, afixei, num post intitulado «Vamos almoçar, Mário Lino?», um desafio-aposta que envolve uma almoçarada de lagosta.
Entretanto, já passou muito tempo e ninguém aceitou o repto; e o assunto estava em risco de cair no esquecimento, quando surgiu esta notícia de hoje, que motivou alguns mails de amigos a perguntarem se a aposta se mantém.
Pois não só se mantém, como prolongo o respectivo prazo de validade por mais uma semana, embora, por razões que só têm a ver com o meu estômago e com o malfadado colesterol, esteja limitada ao primeiro apostador que, em comentário, se manifeste disponível para esse agradável repasto, cuja conta-dupla um dos dois há-de pagar...

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25.11.10

31 almoços de lagosta ficaram por atribuir!

TODA a gente conhece o Google Street View, mas o endereço [aqui] indicado é uma boa ajuda para, rapidamente, aceder a imagens de uma determinada rua. Estas duas, p. ex., documentam três locais de Lisboa onde é possível ganhar grandes prémios, incluindo opíparos almoços de lagosta!
Ver [aqui] o que é necessário fazer.

31.10.08

Passatempo-relâmpago (com prémio)

TALVEZ ALGUNS SE RECORDEM de que o 31 de Outubro do ano passado foi uma das inúmeras datas-limite que Mário Lino indicou para a introdução de portagens em três SCUT na Costa de Prata. O assunto foi aqui muito discutido (*), mas houve uma questão para a qual nunca ninguém deu uma resposta satisfatória:
Como é que funcionará um sistema que, como ele garante, será 100% electrónico?
Para animar um pouco a discussão, eu apostei um almoço de lagosta em como isso não ia suceder até essa altura - mas ninguém aceitou o desafio. De adiamento em adiamento, Mário Lino lá foi dando sucessivas datas - que eu sempre acompanhei no que tocava à aposta... -, mas de todas as vezes sucedeu exactamente o mesmo: nem portagens... nem lagosta!
Entretanto, como encontrei um livro de Altino do Tojal cujo título me fez lembrar o esforçado ministro, resolvi oferecê-lo ao primeiro leitor que, nas condições habituais (**), o souber identificar.
(**) Uma resposta por leitor; comentários só possíveis a partir de um momento-surpresa.
Actualização: os comentários foram desbloqueados às 15h09m e a resposta certa dada às 15h30m. Ver a capa completa [aqui].

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28.9.07

ERA UMA VEZ UMA BALEIA

DEVE-ME TER FICADO DE PEQUENO esta ideia de ter um esconderijo. Não propriamente um sítio esconso, onde dantes se via fotografias de meninas em fato de banho, ou mesmo nuas, ou onde se brincava e escondia pistolas de madeira. Refiro-me, sim, a um local onde possa fazer o que me dá na gana, fora das vistas de todos, onde possa levar pessoas de quem gosto e com elas lá passar o tempo que eu possa ou entenda.
Tenho um esconderijo.
Não tem tesouros escondidos, nem arcas enterradas, nem meninas com véus a saltitarem nas pontas dos pés, nem flibusteiros ou náufragos perdidos, embora, com alguma imaginação, se possa lá ter tudo isso porque o meu esconderijo está situado entre grutas e a maré vazia ou a preia-mar. É um esconderijo meu e de mais cinco famílias, duas de pescadores e três de apanhadores de algas, dezenas de gaivotas em dias de temporal e mais ninguém, se não contarmos com um guarda-fiscal que nunca percebi se anda à procura de contrabandistas ou a ver a paisagem porque, ainda que apareça diariamente, arriscando o pescoço na descida dos penhascos, nunca gastou um «bom dia» com esta estranha comunidade de poucas falas, que já não pára com o que está a fazer para o olhar, em sinal de receio ou de respeito.
Nos últimos dias tenho andado fugido, neste meu esconderijo. Mas sempre muito ocupado e entretido porque, entre mergulhar e sair de madrugada para a pesca, há sempre uma lagosta ou uma santola que se apanha, e algum álcool de confiança que decilitrar, com estes homens e estas mulheres, à conversa mole, com as crianças à escuta, para já não falar das minhas releituras à luz do petromax.
Subitamente, esta rotina de saúde foi interrompida por um acontecimento que naturalmente nos mobilizou a todos. Foi um apanhador de algas que, apontando o seu barco ao meio da praia, de pé, ainda com o fato de mergulhar e fazendo gestos com a mão livre do leme, gritou.
- Está uma baleia nas rochas a seguir à praia!
E estava, de facto, encalhada na baixa-mar, muito quieta, connosco todos a olhar, sem lhe fazer mal, ou antes pelo contrário, preocupados em como a safar, apreensivos sobre se o animal estaria ou não doente.
Durante mais algumas horas, a maré vazaria ainda mais. Só depois começaria a encher e, lá para a noite, deveria haver água suficiente para a baleia e o seu esguicho partirem; pelo Atlântico, talvez direito aos Açores, ou onde mais lhe aprouvesse. E lá andámos, numa roda-viva, de barco a remos ou de fora-de-borda, para cá e para lá, a ver a baleia, muito quieta, cinzenta, a olhar-nos, e certamente a pensar o que todas as baleias pensam nestes apuros.
À noite, fui também ver a partida da baleia. Com três crianças e os seus pais, num barco de borracha, como se fôssemos um pequeno e furtivo grupo de combate de fuzileiros, mas sem desembarque previsto. Havia também os outros barcos, mais um que era o do faroleiro, que também viera ver o animal, informando-nos que já há dois dias o vira andar por ali.
No frio da noite, ficámos quietos, a olhar aquelas toneladas de carne, esperando que a comporta da maré lhe desse água para o seu calado. Mostrava, então, o animal, alguma impaciência, assim julgo eu, que por tal tomei os seus grunhidos entre dois esguichos. Por fim, começou a mover-se, nós nos barcos próximos mas a uma distância prudente, e a baleia lá se virou, mergulhou e voltou à superfície, e quando esperávamos que se fosse embora mudou de posição mas não se afastou, para surpresa de todos e desespero de alguns, em especial dos pescadores que haviam perdido uma maré, e dos apanhadores de algas também, que não haviam mergulhado para os laboratórios que lhes compram as algas secas e cujas administrações se não compadecem com histórias de baleias. A pouco e pouco, viemos todos embora, certos de que o animal não estava ferido e era livre de partir, ao que não assistiríamos por não haver lua naquela noite. Eu, cá por mim, só perdera as notícias que sempre escuto nas ondas curtas, Londres, Paris ou Washington, no meu pequeno transoceânico, e que são as novidades por que espero interessadamente quando estou no meu esconderijo.
Por isso, cedo na manhã seguinte, sintonizei para uma estação portuguesa, em onda média, e fiquei uns minutos à espera para ser informado do que se passaria no Médio Oriente, depois da visita de Shimon Peres a Marrocos, como iam as conversações EUA-URSS sobre o desarmamento, o que se passava com as sanções económicas a Pretória, que estavam os Verdes a fazer na Alemanha, o que acontecia com as taxas de juro na América e como se comportava a bolsa de Nova Iorque.
Psicologicamente, fiquei preparado pelo sinal horário. Aumentei o volume do receptor, dispus-me a escutar as notícias, naquela estação portuguesa. E tudo o que fiquei a saber, palavra, foi que um cachalote andava perdido no Mar da Palha, e uma jibóia estava à solta em Carnide, depois de fugir dum circo quando tomava banho; disseram-me também que o primeiro-ministro tinha não sei quê e que a Assembleia da República ia fazer não sei quantos.
Estava eu a interrogar-me a mim próprio, «Mas afinal o que acontece neste país e neste mundo?», quando a notícia chegou. O mais madrugador dos apanhadores de algas, de bordo do seu dinggy, gritava para nós, histérico, gesticulando:
- Voltou! Ela voltou!
A baleia tinha voltado. Não estava encalhada, estava semi-submersa, fazendo o seu repuxo e olhando-nos na nossa praia deserta, com os seus olhos marotos.
Suponho que ela nunca ouviu a história do capitão Jonas, nem nunca lhe contaram a vida da Moby Dick, nem deve ter escutado a notícia do cachalote, nem se assustou com a jibóia que fugiu do circo em Carnide, e seguramente que não sabe qual e o ano chinês em que vivemos. Acho que ela voltou somente para nos manifestar o seu agradecimento pela nossa preocupação da véspera. Voltou para nos visitar.
Eu é que, com tudo isto, fiquei na dúvida de ter acordado num livro da Beatrix Potter e estive quase para me atirar ao mar e nadar até encontrar um navio que me recolhesse, não importa sob que bandeira.

Lisboa, 1987

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26.12.07

Então quando é o nosso almoço, Mário Lino?

À beira de expirar o prazo, informo os eventuais interessados de que mantenho integralmente a aposta nos termos indicados [aqui], porque ainda não apareceu ninguém a aceitar o repto.
Relembrando: aposto um (*) almoço de lagosta como até às 24h do dia 7 de Janeiro de 2008 (**) não haverá uma única destas portagens a funcionar em pleno nos moldes anunciados por Mário Lino: tudo 100% automático e electrónico, e em regime não-experimental.
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(*) Por razões relacionadas com o meu colesterol, a aposta só é válida para o primeiro que a aceite. Posso, no entanto, abrir uma excepção para um segundo comensal, desde que esse seja o próprio ministro.
(**) Esta data corresponde a um brinde de uma semana, já que a promessa de Mário Lino se refere a 31 de Dezembro de 2007.

16.6.10

Jamais

Por João Paulo Guerra

UM ANTERIOR MINISTRO do actual Governo garantiu aos portugueses que a A23, a auto-estrada “sem custos para o utilizador” (SCUT) que liga Torres Novas à Guarda nunca seria alvo do pagamento de portagens. Jamais. A promessa valeu tanto como o “jamais” da localização do novo aeroporto de Lisboa no deserto da margem sul do Tejo. Não está em causa a pessoa do ministro que, como qualquer outro membro de qualquer outro governo, só dispõe da palavra que o primeiro-ministro lhe dá. Porque a grande questão é esta: os líderes políticos passaram a achar muito natural dizerem hoje uma coisa e amanhã outra, prometerem e não cumprir. Até houve um primeiro-ministro português que perguntava para os seus ministros quando tinha que anunciar uma medida: “como é que os vamos enganar?”. “Os”, neste caso, eram os portugueses, cidadãos, eleitores, contribuintes.

A introdução de portagens nas auto-estradas “sem custos para os utilizadores” é a última exibição de velhacaria política. Os políticos prometem para chegar ao poder e, chegados ao poder, não cumprem. Ou, pelo menos, procuram não cumprir. Porque no caso das SCUT há quem sustente que a cobrança de portagens simplesmente não será possível. Há mesmo um amigo meu, o Carlos Medina Ribeiro, grande praticante da blogosfera, que já apostou um almoço de lagosta – e já ganhou um, embora não tenha recebido a aposta – sobre a inviabilidade da inexplicável e inexplicada forma de cobrança de portagens nas SCUT por meios 100 por cento electrónicos. Ou seja, um pagamento semelhante à Via-Verde, necessariamente associado a uma conta bancária, que ninguém pode ser obrigado a ter.

Mas para o caso das SCUT o que conta é a intenção. E a intenção do Governo é não cumprir a palavra dada, segundo a qual, portagens nas SCUT, jamais.

«DE» de 16 Jun 10

NOTA (CMR): fiquei de boca aberta quando, hoje, vi o meu nome escarrapachado nesta crónica! Mas mantenho tudo o que disse, nomeadamente [aqui], com especial destaque para a aposta que nem os mais fervorosos adeptos do Governo aceitam! Será que sofrem todos de colesterol, ou do curioso complexo do padre ateu?

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12.10.09

Prémios António Costa - Actualização 12 Out 09

TERMINOU, às 20h de ontem, a 1ª fase dos Prémios António Costa - ver [aqui]. Assinale-se que, 18 meses decorridos sobre o seu lançamento (e apesar de amplamente divulgados), não foi, sequer, reclamado um único pastelinho-de-massa-tenra - e estavam em jogo 648 exemplares dessa maravilha gastronómica, além de dezenas de lanches e opíparas almoçaradas de lagosta no Gambrinus, sem limite de preço!

Terá sido por receio do colesterol que nem os agentes policiais nem os fiscais da EMEL concorreram?!

21.7.11

O que vale é que, pelo menos em Lisboa, os transportes públicos são acarinhados!

PARA compensar os lisboetas dos aumentos dos preços da Carris, a rapaziada que manda nestas coisas oferece aos utentes a possibilidade de contemplarem paradas de carros de luxo enquanto esperam pelo autocarro. Além disso, e tendo em conta que o transporte individual "sempre é outra coisa", é dada a possibilidade, a quem ainda não tenha carta de condução, de usar uma escola da especialidade sem ter de andar muito.
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A propósito: incompreensivelmente, continuam por atribuir os almoços de lagosta prometidos, desde Abril de 2008 (e 2 por mês!), a quem consiga fotografar a PSP, a Polícia Municipal ou a EMEL a rebocar carros estacionados em paragens da Carris - ver quais as que dão prémio [AQUI].

7.1.10

A imortal

QUANDO alguém fala de animais com grande longevidade, quase sempre vem à mente a tartaruga. Pois eu lembro-me sempre da lagosta - não de uma qualquer, evidentemente, mas [desta]...

6.6.11

Chiça!!

NUMA altura em que, mais uma vez, se fala de António Costa para suceder a José Sócrates (o que significa que, um dia, o poderemos ter à frente do país!), calha bem lembrar como ele tem tratado alguns dos problemas que infernizam os lisboetas.

A esse propósito, avisam-se os interessados que os fabulosos prémios com o nome desse esforçado autarca (e que incluem almoços de lagosta no Gambrinus!) acabam de ser renovados até ao fim do presente mês - ver [
aqui].

17.12.11

Pai Natal? Nada

Por Antunes Ferreira

TUDO começara com a campainha. Pois, com a campainha, da porta da casa do Pai Natal. Em Rovaniemi, Lapónia de Cima, Finlândia ainda mais de cima, a uns escassos quilómetros do Círculo Polar Árctico. A dona da casa tinha ido a Helsínquia para comprar o peru, pequeno, umas costeletas da pá de rena (à socapa, não fora Rodolfo e as outras saberem), e um corta-unhas made in China, pequeno também e baratucho, solicitação do seu digníssimo esposo.

A crise tinha chegado a toda a parte, incluindo a Madeira, ainda que o AJJ dissesse que se estava nas tintas para ela, outros que a pagassem, de preferência os contenentais. Por que bulas não pousaria também em Rovaniemi? Aterrou, acolitada pela austeridade. As coisas iam de mal a pior. A União Sindical de Gnomos e Duendes da Finlândia achava-se em efervescência, podia lá ser, despedimentos na Casa do Pai Natal? E sem indemnizações?

Pois estava claro, era a jigajoga dos recibos verdes, parecia até que o acontecido se teria verificado naquele País sulista e despesista e a pedir esmola, Portugal, com o qual já tinha havido uma troca de mimos electrónicos. Mas, não. Era em Rovaniemi, numa Suomen tasavalta(*) solidamente coligada, com o pääministeri (**) Jyrki Katainen, o presidente do Partido da Coligação Nacional, à frente, nada de mãos largas, já bastam os gastadores com os euros alheios.

Fora, realmente, a campainha. Mauno, o gnomo-chefe, atendera. Era uma jovem – e que jovem – numa campanha de promoção de packages de transmissões, chamadas totalmente grátis, telev…, obrigado, já temos, e além disso… E a jovem, peço-lhe desculpa, mas poderia falar com o patrão? Eu sou um simples ajudante dele, mas o Joulupukki (***) está muito ocupado, compreende, é a época e os quefazeres são mais que muitos.

Poderia, pelo menos, entregar-lhe este meu cartão de visita, kiitos (****), eu espero. Com certeza. E foi entregá-lo ao preocupadíssimo cavalheiro, ainda sem o casacão vermelho, de suspensórios, que se passa?, é uma menina que insiste em falar consigo, este é o cartão dela Katryna Katainen, oh, oh, oh, deve ser alguma coisa ao nosso primeiro, manda-a entrar.

Ora como está, minha querida menina? Os olhos por baixo das sobrancelhas fartas e brancas (*****), luziram-lhe perante a figura torneadíssima que entrava no seu gabinete. Que se lixasse a crise! Coisas dessas, harmoniosa e magnificamente distribuídas, centímetro a centímetro, não nos entram pela porta todos os dias, bem pelo contrário. E o apelido? Sou, sim senhor, sou prima direita do Jyrki, somos unha com carne (o ancião, libidinoso, para ele próprio, e que carne…) Mauno, por favor, fecha a porta.


Entretanto, a Dona Frígida Natal apanhara uma excelente constipação em Helsínquia, a loja do chinês estava mais frígida do que ela própria, quiçá uma corrente de ar, brônquios mais apanhados do que raposa do Árctico em armadilha, só lá para 24, quiçá 25, se levantaria.

A disponibilidade do anfitrião era total; por singular acaso, e reciprocamente a da miúda tal e qual. Mauno, vai buscar uma garrafa de Veuve Clicquot, uns salgadinhos, um caviarzito, umas tapitas de lagosta, suado já estou eu, olha lá, pensando bem, outra de Moët, e flûtes. E depois, fecha a porta. Não atendo telefonemas. Se for a Senhora, eu depois falo-lhe, estou num plenário, com os gnomos que restam, a ver se não chegamos ao Hallitus Sosiaalinen Vuoropuhelu (******). Do qual nunca sai nada.

Chegara o 24. Dona Frígida recuperava na casa da mana em Helsínquia. E o solícito marido – porta fechada a sete chaves. Mauno fora buscar o trenó à oficina, vinha um brinquinho, até o relógio digital estava na hora, o computador de bordo nos trinques, não havia vírus que nele entrasse, muito mais seguro do que o Portal das Finanças, nem uma frincha convidativa aos hackers.

Os brinquedos e outras prendas en su punto. As renas abastecidas e oleadas. Tudo nos conformes, o GPS sem dúvidas metafísicas, muito menos geográficas. Porém, do Pai Natal, nem pó. Porta encerradíssima, pior do que caixa forte de Banco suíço, apenas aberta por momentos, necessidades são necessidades, aqui, na Lapónia ou na Moita.

Foi então que soou a campainha desta feita no toutiço do Mauno. Malta, carreguem o trenó, apaguem as luzes de estacionamento, vamos arrancar. Rodolfo, nada de aterragens malucas, para ninguém se magoar. Em Lisboa, ainda mais, os passeios estão cheios de cagalhotas de cão. Olha lá, ó Mauno: e o patrão? Desta vez, ele não vai. Está muito ocupado. Ou seja, motivos imperiosos.

Glossário
(*) República da Finlândia
(**) Primeiro-ministro
(***) Pai Natal
(****) Obrigado
(*****) Qualquer semelhança com alguém é pura coincidência
(******) Conselho de Concertação Social

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20.12.12

Notícias do caos

 
Lisboa - Esquina da Av. de Roma com a R. João Villaret
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EM TEMPOS, um BMW despistou-se neste local - enfiou pelo passeio adentro, derrubou 6 pilaretes e um semáforo, e apenas parou na montra de uma 'loja de chineses' que, evidentemente, estraçalhou.
Pois bem; o condutor foi assistido de imediato pelo INEM, o vidro foi reposto na mesma tarde, e o semáforo pouco depois. Mas os pilaretes... nunca, o que leva muitos condutores, desde esse dia, a intuírem (e com toda a razão, como a experiência tem demonstrado) que podem fazer, impunemente, o que as duas primeiras imagens documentam.
No entanto, no que toca ao Mercedes, 'a coisa' teve um desenvolvimento adicional:
É que a condutora do carro (que não é um táxi, ao contrário do que possa parecer) apenas estacionou ali até vagar um lugar na paragem da Carris... No que foi imitada, pouco depois, por outra madame, das muitas que, todos os dias e a toda a hora, ali vão à compras...

NOTA: Mantenho a oferta de pagar um almoço de lagosta ao 1.º leitor que me enviar uma foto de um destes carros a ser rebocado pelas autoridades. Ah!, e durante 1 mês deixa de haver a limitação de que essa foto seja tirada a um fim-de-semana.

13.7.09

E cá por baixo?

HOJE, António Costa apresentou a sua candidatura à CML. Na parte que a TV me mostrou, o autarca estava muito satisfeito, e enumerava as coisas boas que a sua vereação fez.
Ainda bem; mas, além de aspectos - sem dúvida - importantes e positivos (como as finanças camarárias e o fim dos contratos a prazo), gostava que tivesse arranjado algum tempinho (mesmo à custa d' «A Quadratura do Círculo») para descer à Terra - é que eu estou a pensar naquela infinidade de problemas comezinhos que infernizam o dia-a-dia dos munícipes sem que se lhes veja fim à vista, quer com vereações de esquerda, que com as suas congéneres de direita, que, nesse aspecto, se têm mostrado de uma insensibilidade a toda a prova.


Concretizando: da lista de problemas que se pode ver [aqui] e [aqui] (apenas para citar alguns), alguém é capaz de indicar os que foram resolvidos?
Muito agradecia a informação, pois, para comemorar a eventual resolução de alguns deles, eu ofereço pastéis-de-massa-tenra e almoços de lagosta no 'Gambrinus' desde Abril do ano passado - e ainda ninguém, sequer, reclamou um único. Será por receio do colesterol?

30.8.07

Homens de pouca fé...

A propósito da Ota, do TGV, das SCUT, etc., não falta por aí quem se coloque, sempre e incondicionalmente, ao lado de Mário Lino.
Então como é que se comprende que, ao fim de mais de 72 horas, continue sem aparecer um único leitor que aceite uma aposta - de uma almoçarada de lagosta - a propósito de uma das mais anunciadas promessas dele?! [v. aqui].

28.12.08

A prenda de Natal que recebi dos responsáveis pelo estacionamento em Lisboa

Ao contrário do que possa parecer, o BMW não 'vai a passar' - está apenas 'devidamente' estacionado. Quanto a mim e ao jovem do boné... lá acabámos por conseguir atravessar a rua
POUCO ANTES de tirar esta fotografia, fui à EMEL revalidar o meu dístico de residente. O anterior era gratuito e válido por 3 anos; o actual é pago, e anual. Mas tudo bem; não me importo de fazer a minha parte desde que as pessoas cujo ordenado ajudo a pagar façam a sua. Só que isso, como muito bem sabe quem conhece Lisboa, é do domínio da ficção delirante.
Por sinal, acabar com estas situações era a Promessa n.º 9 do programa de António Costa; entretanto, as coisas só não estão na mesma porque pioraram. Mas, como em tudo há um lado bom, veja-se [aqui] os magníficos prémios que a sua insensibilidade pode proporcionar - incluindo opíparas almoçaradas de lagosta, todos os meses, no Gambrinus!
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Actualização: esta fotografia, juntamente com outras não menos absurdas, está também afixada no blogue O Carmo e a Trindade [aqui], onde um leitor defende o direito de os condutores procederem assim.

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23.9.07

Já que falámos de apostas, informo que também ainda não apareceu UM ÚNICO leitor que, confiante na palavra de Mário Lino, aposte comigo uma almoçarada de lagosta. Recorde-se que eu aposto que, ao contrário do que ele sempre tem garantido, não haverá, até às 24h de 31 de Dezembro deste ano, UMA ÚNICA portagem totalmente electrónica em nenhuma das três futuras ex-SCUT.

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9.1.10

Alguém conhece uma única coisa destas que funcione?
(Da irritante série «Como é gasto o nosso dinheiro»)
Texto integral [aqui]
NUM SIMPÁTICO post de parabéns ao Sorumbático pelo seu 5.º aniversário, Helena Matos enumera, no Blasfémias, os muitos prémios de "almoços de lagosta" que aqui se oferecem e nunca foram atribuídos.

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25.12.07

Os quiosques Infocid e o SORUMBÁTICO na crónica de Helena Matos no PÚBLICO de ontem
(Clicar na imagem para ampliar)
Os trambolhos referidos nesta crónica (bem assim como a forma de ganhar €50 ou uma almoçarada de lagosta à conta deles) podem ser vistos [aqui] e [aqui].
Boa sorte!

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