30.9.09

Aqui há fantasmas

Por João Paulo Guerra

Os dados eleitorais oficiais anunciaram que 9,4 milhões de portugueses foram chamados á urnas para escolher o novo Parlamento. Numa população de 10,6 milhões ter 9,4 milhões de eleitores é certamente um recorde mundial de participação política que bem merecia uma entrada no Guiness. A verdade é que 9 em cada 10 portugueses só não votam se não quiserem ou não puderem. O que é extraordinário. Nem o Congo – onde Mobutu chegou a alcançar 104 por cento dos votos – teve alguma vez cadernos eleitorais como os portugueses.
BEM SABEMOS, por um estudo de investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que cerca de um milhão de putativos eleitores recenseados estão mortos, física ou politicamente. Isto é, finaram-se e os cadernos eleitorais não tomaram conhecimento, ou simplesmente não são eleitores nem elegíveis, por razões etárias ou outras. São os chamados eleitores-fantasmas, numa alusão às almas do outro mundo que “votavam” nas “eleições” do ditador santa-combense. O que é certo é que, mesmo sem responder à chamada, os fantasmas ainda hoje desempenham um papel na política portuguesa. Por exemplo, pesam na determinação do número de deputados de cada círculo eleitoral. Para além dos eleitores há também os partidos e políticos fantasmas. É a isso que se chama o espectro político. E os eleitores-fantasmas também adulteram os valores da abstenção que, sem contar com eles, seria substancialmente mais baixa.

Os jornais estrangeiros, que não percebem nada do que se passa neste País de Maravilhas, consideraram os resultados das eleições “ensombrados" pelos elevados níveis de abstenção. Mais correcto seria considerar os resultados “assombrados” pelos eleitores-fantasmas.

«DE» de 29 de Setembro de 2009

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O próximo passatempo-relâmpago será a propósito desta velha gravura que, como não podia deixar de ser, está aqui por causa de um acontecimento actual.

Portuguesa no topo

Por Joaquim Letria

HÁ UMA PORTUGUESA que ocupa o 9.º lugar de “mulher mais poderosa no mundo dos negócios”, segundo a revista norte-americana “Fortune”.Claro que não estudou em Portugal, quando quis regressar não conseguiu, não trabalha cá e vê o País onde nasceu com a tristeza que muitos de nós sentimos.

Chama-se Maria da Conceição Ramos, é directora-executiva do ABSA, um poderoso grupo financeiro internacional, e nasceu em Lisboa em 1959.Foi, ainda criança, com os pais para a África do Sul, quando estes emigraram, e licenciou-se em Economia na Universidade sul africana de Witwatersrand, aderindo ao ANC, o Congresso Nacional Africano.

Na década de 80, viveu em Londres onde completou um exigente mestrado. Viria a ser Directora-Geral do Tesouro da África do Sul, cargo que ocupou com distinção na vigência do primeiro governo de Nelson Mandela. Hoje, gere com a maior eficiência e rigor o poderoso e influente grupo sul-africano ABSA.

Há males que vêm por bem, Maria da Conceição! Sempre tem aí outro asseio e fez coisas bonitas. Se tem regressado, ou andava nas martingalas no BPN ou no BPP, ou estava a dormir no Banco de Portugal, a ganhar uma fortuna com as finanças dum pequeno e falido país da Europa. O último da escala. Deixe-se estar e venha cá de férias…

«24 horas» de 30 de Setembro de 2009

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Geração Rodrigues

Por Manuel João Ramos
REDACÇÃO de um aluno do 9º ano de uma Escola Secundária das Caldas da Rainha (recebida por email):
REDAXÃO
O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?

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Uma comunicação lamentável

Por Alfredo Barroso

O PRIMEIRO-MINISTRO tinha razão: o caso das escutas era um «disparate de Verão» que se prolongou pelo Outono e atingiu agora o seu clímax com esta extraordinária declaração do Presidente da República.

Suspeito de que foi a Lisbeth Salander, a famosa hacker sueca da trilogia «Millenium» (de Stieg Larsson), que se introduziu nos computadores da Presidência…

Agora a sério: nunca imaginei que um Presidente da República fosse capaz de fazer uma comunicação ao país tão ridícula e lamentável. Amalgamou tudo, fugiu ao essencial e agarrou-se a um episódio irrelevante para desculpabilizar as «fontes» da sua Casa Civil e o jornal «Público». Foi inacreditável.

Em suma: a montanha pariu um rato. O grande estabilizador transformou-se no grande perturbador. Decididamente, o prof. Cavaco tem mais jeito para esfinge e mais queda para tabus. Com um Presidente assim, somos nós que não nos sentimos seguros.
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NOTA: Esta e outras crónicas do autor estão também no seu blogue Traço Grosso.

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As escutas de Van Dog...

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29.9.09

Dia seguinte

Por João Paulo Guerra

Em geral ninguém perde eleições em Portugal. Em cada derrota há a miragem de uma pequena vitória moral que disfarça o amargo de boca dos resultados. Mas nestas eleições – e estou a escrever por antecipação na sexta-feira – houve um claro derrotado, quer queira, quer não. Com a agravante que o derrotado vai ter que assumir a responsabilidade da gestão de uma situação política e institucional eventualmente periclitante. Estará porventura periclitante a governabilidade em Portugal? Não se trata tão só da governabilidade mas, neste caso, também da honra e da dignidade de um cargo.

PORQUE SERIA QUE O DR. ALMEIDA SANTOS, presidente do PS, fez questão de declarar que o “caso das escutas” não ameaça as relações entre Belém e São Bento? Muito provavelmente porque ameaça. Sabe-se como são estas coisas em política. O PS pensa que o caso ameaça as relações entre São Bento e Belém mas quer passar a mensagem de que não se sente ameaçado. Um bluff. E se isto não é uma ameaça, é pelo menos um alerta laranja. De futuro, nas relações institucionais entre Belém e São Bento cada uma das partes poderá pensar onde estará o microfone, a ‘candid camera’, como se os assuntos de Estado fossem um caso para os “apanhados”. Ou seja, está instalada a desconfiança.

O Prof. Marcelo também já antecipou o seu receio que hoje, dia 28, tenham começado ou venham a começar os remoques do partido do governo à chefia do Estado. Porquê? Porque o Prof. Marcelo está mesmo a ver que isso vai acontecer, com risco para o “fusível da democracia portuguesa”. As palavras traem o vocabulário dos grupos e a utilização do termo “fusível” – susceptível de fundir-se, segundo os dicionários - para designar o chefe de Estado não é uma simples metáfora.

«DE» de 28 de Setembro de 2009

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Do blogue-arquivo Humor Antigo
Ano de 1938

Convite

Por João Paulo Guerra


Ver mais sobre o livro [aqui]

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O meu refúgio

Por Joaquim Letria

CONTEI-VOS NO OUTRO DIA que tinha um refúgio onde me abrigava dos produtos tóxicos da propaganda televisiva duns e de outros. É na Sic Mulher, por ser um canal que tem coisas boas que nem parece que a gente cá está, mesmo quando não temos outro remédio senão estar.
A gente vê apresentadoras que hoje estão grávidas e amanhã já não estão, que dizem para a semana não perdermos o que ocorreu em Março e voltam outra vez grávidas, a recomendarem um acontecimento de Inverno no pino do Verão.

Mas além de ser divertida a falta de “raccord” daquele canal, que atinge o irreal quando uma personagem se casa uma semana depois de ser morta, até percebermos que ali a ordem é arbitrária, eu recomendo-vos a Sic Mulher porque, mesmo alinhado à pai Adão, é um canal que tem coisas que merecem ser vistas.

Porquê? Porque ”America’s next top model” é um excelente “reality show”,tal como se pode dizer o mesmo de “Project Runway” e de “Corte Perfeito”.Isto para começarmos, porque, além do mais, ainda há a Oprah e toda a classe de “The Commander” para nos ajudar a ter paciência para o resto com que levamos até ver o “Hospital Animal”.Enfim, só posso estar grato à Sic Mulher. Mesmo quando digo mal.

«24 horas» de 29 de Setembro de 2009

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28.9.09

Foi actualizado o blogue Humor Antigo,
tendo-se iniciado a publicação das anedotas ilustradas de 1938

Brincar com os Sete Anões!

Por Joaquim Letria

NESTAS ELEIÇÕES, o prof. Cavaco Silva deu a mão ao Sr. Primeiro-ministro. Terá sido sem querer, mas foi uma ajuda preciosa. Desde que enterrou o Dr. Fernando Nogueira que o Chefe de Estado não era tão útil ao Partido Socialista.

Agora, não precisa de vir o Dr. Santos Silva, nem outros camaradas próximos do Engº José Sócrates, inventar dificuldades à harmoniosa co-habitação , nem têm de criar outro tom mais áspero para a nova união de facto.

Claro que daqui para a frente acaba o passeio pelo bosque do capuchinho vermelho, de mão dada com o lobo mau. A menina sabe para que traz a avozinha uns óculos tão grandes e para que tem ela a boca tão grande. Sabe que é tudo para a comer melhor e que esse será o seu destino. Agora nós, que conhecemos a história de ginjeira, já não achamos graça. Não gostámos do que nos contaram, do que vimos e, muito menos, do que nos fazem antecipar.

Mas vão mudar de história. Não tarda, levam-nos para a Branca de Neve e põem-nos a brincar com os sete anões.

P.S.- Notas altas: Jerónimo no Gato Fedorento e Garcia Pereira também aí e no “Prós e Contras” valeram a campanha. O jogo sujo do PS foi muito sujo, mas bem pensado e melhor executado. Em todos os tabuleiros. Parabéns!

«24 horas» de 28 de Setembro de 2009

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Entre trapos, linhas e botões

Por A.M.Galopim de Carvalho

JÁ O CONTEI NOUTROS
escritos, entrei tarde e mal preparado para a escola oficial. A aprendizagem das 1ª e 2ª classes fi-la em casa, com a minha mãe, nas muitas horas que ela dedicava à costura, recitando a tabuada e juntando as letras na Cartilha Maternal de João de Deus.

Nesse tempo, quase tudo o que vestíamos, pais e filhos, era feito em casa, das cuecas às camisas, dos vestidos aos fatos, das roupas de cama e de mesa às cortinas e cortinados, tudo ela fazia de novo, passajava, remendava e adaptava dos mais crescidos para os mais novos. Solteira, havia aprendido costura e trabalhara, sobretudo, para alfaiates, em fatos de homem. De agulha na mão ou a pedalar na máquina Singer, era trabalho que fazia por necessidade e, também, por gosto. Mais do que cozinhar para uma família, nesse tempo, com cinco filhos, sendo eu o mais novo, a mãe gostava de costurar.

Texto integral [aqui]

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Já está indicada a decisão do júri relativa ao passatempo em que se pretendia abordar A Utilidade do Voto Útil.

27.9.09

Passatempo Calimero de 28 Set 09

ESTE desafio destina-se, de início, apenas aos leitores que não tenham ganho nada nos passatempos que aqui foram propostos durante este mês de Setembro. Se a resposta demorar a surgir, a participação será aberta a todos - depois de uma 'actualização', onde isso venha a ser indicado. Então, lá vai:

É BEM possível que, se alguma vez se depararam com este livro, pessoas como Rui Mateus, A. Balbino Caldeira ou Rui Costa Pinto tenham feito um sorriso amarelo ao ler o título. A pergunta é: Porquê?
.
Actualização-1 (9h37m): se, entretanto, a resposta não surgir, o passatempo passará a ser aberto a todos assim que o sitemeter indicar o n.º 974444.
Actualização-2 (11h06m): a resposta certa já foi dada.
Já que falamos de reflexão...

Um televoto muito especial

VALE a pena recordar, e precisamente hoje, a parte final da crónica «Televoto e Amor de Mãe»:
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«Mesmo que se aceitem todas as desconfianças em relação a essa tecnologia [o voto electrónico], não se compreende que uma pessoa não possa votar numa qualquer Assembleia de Voto do país [nomeadamente em 'europeias' e 'presidenciais']; além de que nem todos poderão fazer como um amigo meu que, tendo dado consigo bloqueado a 700 km de casa, resolveu o seu problema de uma forma expedita:
Sabendo que a mãe decidira, irredutivelmente, abster-se, combinou com ela o seguinte: ele evitava a longa viagem, e a boa senhora deslocar-se-ia à Assembleia de Voto... votando por ele.
Ora digam lá que amor de mãe não é bonito!»

João Marcelino

Por José António Lima

A PROTECÇÃO e o sigilo das fontes de informação é uma condição essencial e inviolável para a existência de um jornalismo livre e não dependente dos poderes dominantes. Sem ela, a comunicação social reduz-se a uma câmara de eco da informação oficial ou oficiosa que interessa, a cada momento, a quem manda.

O Diário de Notícias não só violou essa regra fundamental (não podia ter reproduzido o e-mail omitindo o nome da fonte? e se achava tão fulcral denunciar o nome para a compreensão do caso porque não divulgou também o nome de quem lhe fez chegar às mãos o e-mail?) como atraiçoou a fonte de outro jornal. Pior ainda: do seu principal concorrente.

Em síntese: os actuais responsáveis editoriais do DN portaram-se como um bando de delatores, um grupo de bandoleiros para quem vale tudo. Não vão longe.

«... & Sombra» - «SOL» de 25 de Setembro de 2009

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Apontamentos de Lisboa

20 Set 09
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UMA CENA frequente junto à cervejaria Portugália: carros a ocupar todo o passeio (veja-se a senhora a pé, que fez todo aquele caminho na faixa de rodagem), e lugares vagos por perto - abundantes e gratuitos, pois era domingo...

«Faca na Liga»

Por Joaquim Letria

Engano de proximidade

O treinador do Everton, que vai defrontar o Benfica na fase de grupos da Taça Europa, tem razão: os árbitros de cabeceira, recém estreados pela UEFA, estão mais perto mas enganam-se na mesma. Sem dúvida, a ponto de nem a maioria dos espectadores dar pelo âmbito da sua acção: é só ver se a bola passa ou não passa o risco de golo, ou ajudar os árbitros nas jogadas dentro da grande área?! É que houve casos que deixaram muito clara essa dúvida. (...)
Texto integral [aqui]

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26.9.09

Passatempo-relâmpago de 27 Set 09


PARA ALÉM da relação evidente entre o título do livro e os cinzeiros à porta do prédio (acompanhados pelo aviso de "não fumadores", colado no vidro), que associação de ideias, muito especial, provocam estas duas imagens?
.
As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa (que ocorrerá durante o dia de amanhã, domingo), e ao autor da mais certeira será atribuído, naturalmente, um exemplar do livro.

Act. (11h20m): este passatempo terminou.

Solidariedade

Por Joaquim Letria

QUANDO AS COISAS não nos correm bem a gente tem a tendência de dizer mal do governo, dos bancos e dos especuladores que contribuem para a crise. Não pensem que eu julgo que não há motivo para dizer mal, porque não é isso que quero dizer. Há muitas razões para criticar, mas pessoalmente que fazemos nós para aliviar as consequências da má situação em que nos encontramos?

Há uma receita que podíamos aplicar e que é a solidariedade, que ignoramos ou tratamos muito mal. Solidariedade da parte dos que temos a sorte de conservar o trabalho, de gozar uma boa pensão, para aqueles que aterraram no desemprego ou não têm qualquer ajuda social. E também não faria mal se pensássemos que em todo o mundo há milhões de pessoas em condições muito piores do que as nossas, agora e sempre.

Todos conhecemos países em crise permanente e para os quais é muito difícil sair das dificuldades sem a solidariedade internacional. É evidente que, nestes casos, compete aos governos e às instituições internacionais criar e gerir a solidariedade, articulando recursos e vontades. Mas também é verdade que será mais fácil que o façam por verem os seus cidadãos mobilizados e a pressioná-los para essa necessidade.

Sempre se disse que as pessoas positivas são aquelas que são capazes de verem oportunidades nas dificuldades. Poderia aproveitar-se esta crise para se superar o individualismo e aumentar a solidariedade.

«24 horas» de 25 de Setembro de 2009

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IMAGINE-SE que o eleitor gostaria de ver, no Parlamento, um determinado deputado do partido X. No entanto, em termos gerais (ou para efeitos de governo), prefere o partido Y.
Impossível? Absurdo? Talvez não. Veja-se, [aqui], o que sucede na Alemanha.

Belém esclareceu

Por Antunes Ferreira

… e, de supetão, Aníbal Cavaco Silva originou uma confusão durante a campanha eleitoral. Nestas coisas, há sempre quem ganhe e há sempre também quem perca. Diz a sabedoria popular que entre os dois venha o Diabo e escolha. E da actuação da Presidência da República neste particular muito ainda se há-de falar.

Não é que Belém deu com a língua nos dentes numa questão polémica? Pense-se o que se pensar, o Presidente é considerado o Supremo Magistrado da Nação. Não vem ao caso discutir-se a veracidade ou a dimensão ou o significado da expressão. O almirante Américo Tomás era o venerando Chefe do Estado, lembram-se? E pouco riscava – antes da queda do dr. Salazar. Depois foi o que se viu. Mas não se discutia a expressão. (...)

Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago de 26 Set 09

ALGUÉM tem alguma coisa a dizer acerca desta capa, nomeadamente no que se refere ao título? Uma boa resposta pode valer um exemplar deste livro.
Act. (10h15m): Em termos puramente formais, a resposta certa foi dada às 9h59m, como se pode ver [aqui]. Mas, além disso, o(s) título(s) presta(m)-se a considerações interessantes!

Em dia de reflexão

Por Alice Vieira

PARA QUEM AGORA me está a ler, hoje é sábado, dia 26 de Setembro, e o país está em período reflexivo porque amanhã vai a votos.

Mas eu estou a escrever nove dias antes do domingo das eleições.

Eleições que espero (como espero sempre…) que sejam muito participadas, com grandes filas nas assembleias de voto, com as pessoas todas motivadas a deitar nas urnas a expressão da sua vontade, seja ela qual for, incluindo a de fazer um grande risco no boletim, a liberdade também é isso.

Só não percebo muito bem a “liberdade de não votar”.

Talvez porque vivi muitos anos sem poder livremente votar em quem muito bem entendesse, não percebo como se pode desperdiçar um bem pelo qual tanta gente lutou tanto.

Tenho realmente dificuldade em aceitar os que viram a cara e dizem “não tenho nada a ver com isso, estou de costas”. Sobretudo — e isso cada vez é mais frequente — quando se trata de gente nova. (...)

Texto integral [aqui]

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25.9.09

EM RELAÇÃO aos mais recentes passatempos com prémio:
Já se sabe o resultado de «Quanto indica a balança?» - ver [aqui].
Decorre, até às 20h de domingo, o «Qual a utilidade do Voto Útil?» - ver [aqui].

«Dito & Feito»

Por José António Lima

NAS LEGISLATIVAS de 2005, José Sócrates recebeu o voto de 2.573.406 portugueses. Quatro anos depois, nas europeias de Junho passado, o apoio eleitoral a Sócrates reduziu-se drasticamente para 946.265 votos – menos um milhão e 600 mil votantes, uma quebra de 60% do seu eleitorado de 2005.

São números, quer o de 2005 quer o de 2009, que impressionam. Pelos extremos opostos a que chegaram. E que servem para recentrar e relativizar, para lá das sondagens, as expectativas quanto ao voto no próximo domingo.

O histórico afluxo de votos que Sócrates recebeu em 2005 foi, sobretudo, a consequência do cansaço do eleitorado com os três anos de governação da coligação PSD/CDS e, em especial, dos impensáveis meses finais do Governo de Santana Lopes. O país estava farto de irresponsabilidades em S. Bento e deu ao PS e a Sócrates tudo o que eles lhe pediram. (...)

Texto integral [aqui]

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Apontamentos de Lisboa

A
B
C
POUCOS minutos separam a 1ª foto da 3ª, tiradas há momentos, e na sequência seguinte:

Foto A: um agente da Polícia Municipal multa um carro que está a estorvar seriamente uma paragem de autocarros em hora-de-ponta. Na imagem, vê-se já a condutora, que veio a correr, porventura dizendo que «foi só um minutinho»...

Foto B: o mesmo agente trata, então, de multar o carro escuro. Nesse preciso momento, completamente "cegos", outros carros vão chegando e parando atrás do que está a ser autuado.

Foto C: logo depois de o agente sair dali...

Ter Gi Versando

DE SÚBITO, parece que a discussão em torno do TGV acalmou. E ainda bem; não que ao assunto falte interesse (longe disso!), a discussão em torno dele é que tem carecido de nível, com o PSD a acusar o PS de fazer fretes a Espanha, e o PS a acusar o PSD de salazarento!

A propósito de um assunto semelhante (a Ota?), Medina Carreira disse algo como:

«Essas coisas não se discutem assim, mas fazendo contas, "com lápis e papel". Quanto custa? Qual é o benefício? Quem paga? Há dinheiro ou não há? E por aí fora. O resto é conversa-fiada que não leva a lado nenhum».

Passatempo Calimero de 25 Set 09

COMO já vai sendo hábito, este desafio destina-se, de início, apenas aos leitores que nunca tenham ganho nada nos passatempos que aqui têm sido propostos. Pede-se, pois, aos outros que se abstenham de concorrer. Claro que, se a resposta demorar a surgir, a participação será aberta a todos - mas só depois de uma 'actualização', onde isso venha a ser expressamente indicado. Então, lá vai:

Francisco José Viegas habituou-nos a incluir, nos seus livros, pormenorizadas receitas culinárias de criar água na boca, e neste não foge à regra. Pois bem; o Prémio Calimero de hoje (este A Poeira que Cai Sobre a Terra) destina-se a quem, estando nas condições referidas, primeiro indicar o título de um outro livro desse jornalista cujo tema são - apenas! - cervejas.

Actualização-1 (13h54m): como já passou mais de hora e meia, o passatempo passa a estar aberto a todos a partir das 14h00m, inclusive. Actualização-2 (14h13m): a resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui].

«A Quadratura do Circo»

Voto - O drama de um Anarquista

Por Pedro Barroso

O NUNO MELO era o mais bonito e o mais exportável. Preparou muito bem os dossiers e defendeu-se bem nos debates. Gostei muito. E ofendeu e atacou selvaticamente o Constâncio, pessoa de quem não gosto nada, nem do penteado. Claro que aqueles senhores, antes católicos, hoje populares, apesar de terem tirado o Freitas da galeria, são muito antigos. E são contra o aborto, a eutanásia e outras decisões assim, cujas eu indefectivelmente defendo, em nome da liberdade de escolha. Gente de bem. Jeans e blazer, agora sem gravata. O Portas é o mais directo no discurso, sem dúvida. E quando diz aquilo do sustentar quem não quer trabalhar, quem pode discordar dele? A grande e melhor oposição, se existiu, foi dele. Sem espinhas. Mas toda aquela populice me cheira a peixaria contratada. E como ainda não sei se a Katia Vanessa ficou grávida ou não desde aquele passeio que demos a Cacilhas… não me convém. Desconfiemos.

Portanto, então não. Fica à espera.

O Louçã é um rapaz muito alto e inteligente e explica tudo muito bem, mesmo quando não percebo nada e os outros também não, mas fazem de conta que sim. Eu, sinceramente, até me apetece votar no rapaz, porque se vê logo que é uma sumidade. Pena não deixar falar o Tomé, ter trucidado a divertidíssima e inefável UDP e, sobretudo, ser contra as touradas. Chiça, mas alguém no Ribatejo aguenta uma parvoíce destas? O único espectáculo público em que o árbitro não pode ser comprado? O gozo que eu tenho a ver sair um touro! A festa, as cortesias, os cavalos, os forcados, a cor, a imprevisibilidade. A Arte! O perigo! A adrenalina! Não. Assim também não. Há qualquer coisa de monge nele que me desagrada. E aquela mania do casamento gay e de combater a depressão das carpas nas barragens, por obstrução ao livre trajecto do seu percurso sexual natural… Ná! Sou gajo. Gosto de gajas. Estou-me nas tintas para a vida sexual das carpas e gosto de touradas.

Por aqui, nesse caso, visto isto, estamos conversados.

Vejamos então o que nos falta. (...)

Texto integral [aqui]

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24.9.09

Sondagens - Uma curiosidade

A REACÇÃO dos partidos quando vem a público o resultado de sondagens é sempre a mesma: os que têm bons valores festejam-nas, e os outros (quando não se dizem perseguidos pelas empresas do ramo...) debitam as frases sacramentais «Ora, elas valem o que valem...» ou «O que conta é o resultado nas urnas».
Na realidade, não faltam histórias de sondagens que erram por muitos, o que acaba por ser importante, e por várias razões:
Primeiro, porque as pessoas têm tendência para, mesmo inconscientemente, se identificarem com quem ganha - passa-se isso com os adeptos dos clubes de futebol, p. ex.
Depois, porque os potenciais eleitores - de partidos que obtêm resultados fracos nas sondagens - são empurrados para o tal voto útil.
Mas também uma sondagem que preveja uma vitória esmagadora pode desincentivar o voto nuns ("não vale a pena, já ganharam") e incentivar o voto noutros ("se o partido grande vai ganhar de certeza, então já posso votar no pequeno da minha preferência").
Ou seja: as sondagens podem - de tal forma!- condicionar o voto, que às vezes até parece que algumas empresas do ramo estão ligadas a este ou àquele partido...
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No interessante livro cuja capa aqui se vê, conta-se uma curiosa história:
Numa determinada terra, fez-se um estudo de mercado para saber se os consumidores de cerveja preferiam a normal ou a light, tendo a grande maioria respondido que preferia a segunda - o que era o oposto da realidade das vendas!
Um outro inquérito, feito no mesmo universo de consumidores, mas noutros moldes (em que essa pergunta aparecia no meio de outras, não sendo a mais importante), dava o número real.
O que sucedeu foi que, no primeiro caso, muitos dos inquiridos deram a resposta que gostariam que fosse verdadeira (’ingerir pouco álcool’) e não a real...

O votinho do mexilhão - Passatempo com prémio

SUGERE-SE aos leitores a abordagem do tema do voto útil. Como 'dica', aqui fica uma metáfora, reciclando uma velha anedota:

Um indivíduo entra num snack-bar, consulta a lista, onde consta 'sanduíches de tubarão', e manda vir uma. Respondem-lhe que o melhor será escolher outra coisa, pois, embora possa pedir o que quiser, o patrão não vai gostar de encetar um tubarão só por causa de um cliente.
Pois bem; para que a história se adapte ao voto útil, há que lhe adicionar um parágrafo:
Perante o desagrado do freguês, o empregado sugere-lhe uma sanduíche de atum, que também é peixe: «E olhe que deve ser ainda melhor, visto que é o que muita gente pede».
NOTA: o passatempo termina às 20h de 27 Set 09, sendo o prémio (a atribuir ao melhor comentário) um exemplar do livro Mexilhão para a Ceia, cuja capa aqui se vê (ou, em alternativa, um livro de receitas - com mexilhão, por motivos que dispensam explicações).
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Actualização (28 Set 09/9h29m): depois de muito pensar, o júri decidiu atribuir a seguinte classificação: 1.º Musicólogo, porque foi direito à questão que se colocava, não se desviou dela e foi muito claro. Vai, pois, receber o livro indicado. 2-º Dana_Treller e Manuel Brás, ex-aequo - devido à originalidade das suas participações vão receber, cada um, um livro-surpresa. 3.º Maria, pelo extraordinário empenho manifestado no assunto, vai também receber um livro-surpresa. Têm 24h para escreverem para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada.

Lima

Por João Paulo Guerra

Um amigo escrevia-me ontem ao fim da tarde: “Brevemente nas bancas o II volume das memórias de Fernando Lima: O meu tempo sem Cavaco Silva”.

A QUESTÃO É QUE SERÁ certamente um livro branco ou, melhor dizendo, em branco. Fernando Lima, sem Cavaco Silva, não terá assunto. A lealdade de Fernando Lima a Cavaco Silva atinge contornos de fidelidade - qualidades bem diversas - e ninguém admitirá que, mesmo no papel de bode expiatório, até mesmo humilhado e despedido - o que não será o caso -, alguma vez o ex-assessor de imprensa de Belém venha a abrir a boca sobre o que realmente se passou quanto às suspeitas de espionagem do Governo à Presidência. E, melhor que ninguém, Cavaco Silva sabe que Lima só fala do que é visto falar.

Fernando Lima acompanhou toda a vida política de Cavaco Silva nos últimos 24 anos, nas vitórias das maiorias absolutas, na derrota da primeira corrida presidencial, no regresso. Em 2004, quando se começava a desenhar a grelha de partida das presidenciais, Lima retomou enfim a carreira de jornalista, assumindo a direcção do Diário de Notícias, apesar do voto contra da redacção. Entretanto, Santana Lopes chegou à liderança do PPD e os santanistas fizeram a cama a Fernando Lima. Mas quando Cavaco Silva anunciou a candidatura a Belém, lá tinha, a seu lado, o homem de confiança.

Agora, uma inventona e o Diário de Notícias tramaram Fernando Lima. O caso tinha mais de um ano quando o DN entrou na história revelando a fonte do Público. Em Belém, seguramente que se sabia de tudo há muito. A questão foi a fonte do caso vir a lume nos jornais. Belém limou as arestas do caso das alegadas escutas. E Fernando Lima tramou-se porque um assessor tem sempre costas mais largas que qualquer assessorado.

«DE» de 23 de Setembro de 2009

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Luz - LXXIV

Fotografias de António Barreto- APPh

Skater
Foz do Douro, Porto. Domingo de manhã. Na área do Castelo do Queijo, depois de arranjada, há lugar para tudo: famílias, crianças, bicicletas, corridas de skate, cafés e esplanadas! Este skater parece querer contrariar todas as linhas e curvas de nível da paisagem e dos edifícios. (2006).

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Uma ditadura perto de nós

Por Joaquim Letria

NÃO HÁ A CERTEZA de que uma ditadura corra perigo de morte quando lhe secam as fontes de rendimento. Do que há a certeza é que um ditador vive muito mais confortavelmente com fontes de rendimento a jorrar-lhe para os bolsos.

As razões são simples. A disponibilidade de dinheiro abundante permite ao ditador subornar as elites vinculadas ao regime, anestesiar a consciência crítica de sectores importantes da sociedade e, quando há ânsia de alargar o poder para além das próprias fronteiras do regime, manter estados vassalos e comprar as respectivas consciências mais convenientes no poder.

A ausência de dinheiro e de rendimentos confortáveis aumenta a necessidade de criar e manter um estado policial mais ou menos eficiente, cujo propósito mais importante é vigiar quem está perto do poder e agitar um forte aparelho de intimidação capaz de infligir um temor paralisante em todos os sectores da população.

Todas as ditaduras fazem isto ou algo parecido, compensando a sua própria incompetência repressiva com dinheiro para comprar lealdades e financiar o populismo redistributivo. Enfim, todos nós conhecemos este fenómeno e envolventes circunstâncias, mais perto ou mais longe de nós. Mas por que razão estou eu a pensar e a escrever isto, não me dizem?!

«24 horas» de 24 de Setembro de 2009

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Memórias achadas

Por C. Barroco Esperança

A CERTEZA do encontro não atenuou o pasmo da chegada e a emoção da despedida num dia de Agosto que começou tarde demais e depressa se findou.


Aquele olhar carregava quatro décadas e meia de separação. Quem pensa que a ausência é esquecimento? É a memória fechada no baú do tempo e a separação um laço forte em estado de gravidez sem previsão do termo.

Saiu-lhe da carteira um artigo de jornal com uma foto, dobrada e tão puída, que logo se desfez por entre os dedos como um vestido de seda preso nos espinhos de um silvado.

Quando dobrou o papel, pelos vincos rasgados, ele afastou o olhar para ocultar o efeito atordoador da surpresa, naquela forma natural, capaz de reacender as brasas da paixão que o tempo não apagou. (...)

Texto integral [aqui]

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23.9.09

Estado

Por João Paulo Guerra

Em relação ao badalado caso da propalada espionagem de São Bento a Belém há dois casos a considerar: houve ou não houve espionagem? Se houve é gravíssimo. Se não houve também, porque um dos parceiros da “cooperação estratégica” ou está tomado de paranóia ou pensa mesmo que o outro é capaz de tal velhacaria.
SEJA COMO FOR, a primeira dúvida que se coloca politicamente é ainda outra: um assessor de Belém passou ou não passou a um jornalista essa suspeita sobre espionagem inter-institucional? E esta questão parece ter uma resposta clara, indesmentível e incontornável: passou, sim senhor.
E, sendo assim, há outros dois casos a considerar: o assessor agiu com ou sem conhecimento da alta instituição que assessora? Se agiu em roda livre há dois casos a considerar: o assessor é desautorizado sumária, pronta e publicamente ou não é? No caso de não ser, aplica-se a sabedoria popular segundo a qual “quem cala, consente” e estamos então perante a mais escandalosa situação de que haverá memória de ingerência por parte de uma instituição no normal funcionamento da vida democrática. Ao pé disto, as tricas das “forças de bloqueio” de antanho são inocentes brincadeiras de crianças.

É verdade que as juras de paz e amor, nos últimos quatro anos, entre as instituições Belém e São Bento, cheiraram quase sempre um pouco a casamento de conveniência. Mas custa a crer, apesar de tudo, que a ruptura tenha chegado ao nível do pontapé abaixo da cintura e da facada nas costas. Os portugueses têm razão para se inquietar com o nível das relações entre as instituições, manchado por episódios, quezílias e métodos de confronto que não são próprios de governantes e estadistas. Mas que talvez ilustrem o estado… a que isto chegou.

«DE» de 22 de Setembro de 2009

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Novo livro de Deana Barroqueiro

(...) O formidável Espião de D. João II possuía qualidades e talentos comparáveis aos de um James Bond e Indiana Jones, reunidos num só homem. A memória fotográfica, uma capacidade espantosa para aprender línguas, a arte do disfarce para assumir as mais diversas identidades, a mestria no manejo de todas as armas do seu tempo e, sobretudo, uma imensa coragem e espírito de sacrifício, aliados ao culto cavaleiresco da mulher e do amor que o fascinavam, fazem dele uma personagem histórica única e inspiradora.

El-rei D. João II escolhia-o para as missões mais secretas, certo que qualquer outro falharia. Talvez esse secretismo seja a razão do seu nome de família e do seu rosto terem ficado, para sempre, na penumbra. (...)

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Morrer longe

Por Joaquim Letria

NA SEMANA PASSADA tive ocasião de aqui fazer eco das palavras dum médico do Porto que defendia operações cirúrgicas em ambulatório. Cortar, abrir, extirpar, cozer e mandar para a casa, que nos hospitais é onde mais doenças se arranjam. Atar e pôr ao fumeiro.

O médico administrativo queixava-se ainda dos otorinolaringologistas, que colaboravam menos e não estavam a aprender a lição, mas, dizia ele, era uma questão de tempo, pois começavam a reconhecer as vantagens do novo sistema.

Pois esta semana vêm dizer que num semestre houve 183 mortes por altas prematuras, o que representa 8% das mortes na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ou seja, de 2292 pessoas, 183 morreram por os tirarem cedo demais dos hospitais.

O próprio Ministério da Saúde admite a possibilidade de altas médicas prematuras nos hospitais, comprovadas pelas mortes ocorridas nos primeiros dez dias de reinternamento, o que “indicia uma referenciação inadequada”.

Claro que as companhias de seguros e os administradores hospitalares adoram ver os doentes a saírem e a irem morrer longe. Ninguém dá com estes números no focinho do ilustre “piqueno” clínico no Norte e o manda rapidamente para casa? Merecia.

«24 horas» de 23 de Setembro de 2009

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Passatempo-relâmpago de 23 Set 09

A PEQUENA estória em que ontem este senhor foi referido será, como na altura se sugeriu, objecto de um passatempo-relâmpago cujos prémios serão 3 dos livros que ele quis oferecer e cujos títulos lá se indicam.
Para isso, serão aqui colocadas 3 questões muito fáceis, sendo cada uma das respostas certas premiada com uma dessas obras.
Para que o passatempo possa ter mais interesse, cada leitor só poderá ganhar um dos 3 prémios.

  • 1ª: Onde (em que local de Lisboa) é que a cena se passou? (A resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui]. Quem a deu, pode escrever já para premiosdepassatempos@iol.pt indicando morada e qual dos livros prefere).
  • 2ª: Em que dia do mês? (Idem, mesmo 'link')
  • 3ª: A que horas? (A resposta certa é uma das seguintes: 16h00m - 16h15m - 16h30m - 16h45m - 17h00m-17h15m-17h30m-17h45m-18h00m). (Idem, mesmo 'link').
NOTA: Atenção agora à atribuição dos livros. O melhor é cada vencedor indicar 3, de entre os disponíveis, por ordem decrescente de preferência. Têm 24h para o fazer, e serão "atendidos" por ordem de chegada. Act.: «O Mistério da Estrada de Sintra» já tem dono.

Do esquerdismo actual

Por Baptista-Bastos

VAI POR AÍ UM ALARIDO cavernoso sobre a eventualidade de o Bloco de Esquerda poder ser o fiel da balança nas eleições de 27. É o regresso do PREC! É a ressurreição do ideário soviético! As nacionalizações vão voltar! Há uma mistura de pânico, de ignorância e de desonestidade intelectual nestes assustadores avisos. Mais provável seria o PS deglutir o Bloco do que se verificar algo de semelhante ao que afirma ou sugere a gritaria. Há trinta anos, Willy Brandt ilustrou a tese: "Os grandes esquerdistas de hoje serão os bons sociais-democratas de amanhã". A História deu-lhe razão. Em Portugal, então, as transferências de campo chegam aos níveis do abjecto. (...)

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Contracena

Por João Paulo Guerra

Para se aproximar do povo, em relação ao qual nutre uma indisfarçável relutância, a classe política aderiu ao humor na presente campanha eleitoral, dando-se até ao trabalho de rir de si própria.

SISUDOS POLÍTICOS, que levam tudo a sério e para a desgraça, não se limitaram a participar num programa de televisão conduzido pelos humoristas do Gato Fedorento, como se deram ao cuidado de preparar a contracena. Isso foi particularmente evidente nas prestações de José Sócrates e Paulo Portas, os mais produzidos políticos da arena nacional. Sócrates levava engatilhada a cena do aviso dos filhos sobre o carácter travesso dos Gatos, que repetiu insistentemente até transformar a graçola numa estopada. Portas quis demonstrar que o Largo do Caldas pode ser um sítio equiparado às Produções Fictícias, o que só parcialmente poderá ser verdade mas para guiões e formatos que não são propriamente para rir.

A contracena obedece neste caso a tácticas de esperteza rústica: a melhor defesa é o ataque e antes que se riam de mim, rio-me eu com eles. E assim ninguém saiu vencido da conversa. Mas o que vai certamente motivar a reflexão da classe política é o facto da participação numa entrevista conduzida por um humorista dobrar as audiências em relação aos debates a dois dos líderes partidários. E a análise deste item é de particular delicadeza para o futuro da democracia portuguesa. Portugal corre o risco de a política, ou pelo menos a politiquice e uma parte do elenco politiqueiro, se assumirem como comédia de enganos, farsa da alegria, sitcom de quimeras, bambochata, chacota ou zombaria. Já faltou mais.

Em sentido contrário, o drama para muitos eleitores é que não há Gatos nas câmaras nem nos boletins de voto.

«DE» de 21 de Setembro de 2009

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22.9.09

ESTE SENHOR, cujo nome não cheguei a saber, estava um dia destes a vender livros, na rua. Ao fim da tarde, ao fechar a loja, descobriu que havia uns tantos que não cabiam na caixa, pelo que se preparava para os deixar no passeio. Entre estes, e em bom estado, estavam «Helena» (de Machado de Assis), «O Mistério da Estrada de Sintra», «O Retrato de Dorian Gray», «História da Revolução Francesa», «Robinson Crusoé», «Doces do Mundo», etc - que me ofereceu, quando me viu a folheá-los. Quando eu disse que não aceitava, pediu-me, então, €2,50 por todos.
Estão agora aqui, comigo, e pensei que podiam vir a ser objecto de um passatempo. Vamos nessa?
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Act.1: Tendo em conta uma pergunta que vai ser feita, tive de apagar partes da imagem que poderiam ajudar a dar a resposta. No fim, ela será mostrada na totalidade.
Act.2: Já se pode ver [aqui] a imagem original.

O espião da Madeira

Por Joaquim Letria

OS NOSSOS POLÍTICOS viraram as atenções para Espanha por causa do comboio rápido mas esqueceram-se da presença da banda de Olivença, no arquipélago da Madeira, aquando da visita dos Reis de Espanha à Pérola do Atlântico.

Espanha poderia ter enviado outra banda das milhares de que dispõe, mas teve o desplante de mandar a Banda de Olivença para que fique demonstrado que os portugueses continentais e insulares, com responsabilidades na sua terra, são mansos.

Já em Julho os estremenhos tiveram o cuidado de inaugurar em Olivença um busto de Manuel Godoy, o principal carrasco de Olivença, na torre de menagem do castelo daquela vila, mandado construir por…D. Dinis, sem que deste lado da fronteira alguém reagisse de qualquer forma.

Fazer a banda de Olivença passar quatro dias na Madeira para dar dois concertos como banda espanhola durante a visita real não incomodou ninguém no Funchal nem em Lisboa. Extraordinário!

Por estas e por outras até percebo que alguém mande um espião à Madeira para informar que raio andam a fazer os chefes dos portugueses. Porque os espanhóis fizeram, e bem, a sua obrigação. Os nossos representantes se calhar andavam na poncha, nos bordados e no maracujá.

«24 horas» de 22 de Setembro de 2009

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Mobilidade e tretas

COMO HOJE é o Dia da Mobilidade, há que não deixar passar a oportunidade de fazer um passatempo a propósito do assunto. Dada a importância do tema, terá até várias fases.
  • : Onde foi tirada esta fotografia? (A resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui]).
  • 2ª: Quanta gente (mais ou menos, claro...) utiliza o referido elevador eléctrico num dia normal de semana? (A resposta exacta foi dada por Joana Luz).
  • 3ª: E porque é que ninguém utiliza o elevador? (A resposta certa já foi dada, como se pode ver [aqui]).
Act.: O passatempo terminou. Os 3 vencedores vão receber os respectivos prémios.

Hoje, na RTP...

Joaquim Letria estará hoje, na RTP, no programa "Portugal no Coração" (16h - 18h) onde, entre outras coisas, falará do Sorumbático.

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NUMA ALTURA em que, com razão ou sem ela, tanto se fala destas coisas, o Sorumbático decidiu promover um dos habituais passatempos «Quanto indica a balança?». O regulamento é o do costume, e as respostas podem ser dadas até às 20h de 25 Set 09 (sexta-feira).
Os livros que estão por baixo do maior («Os Serviços Secretos em Portugal», que corresponde ao 1.º prémio) são «Quando o Céu Caiu» e «Estranhos Inimigos», e serão atribuídos aos 2.º e 3.º classificados.

NOTA: A resposta aparecerá, no minuto seguinte, [aqui].

Elementar ou avançado?

Por Nuno Crato

NUM LIVRO POLÉMICO acabado de sair em tradução portuguesa, Liping Ma defendeu algumas ideias sobre o ensino da matemática que tiveram o mérito de colocar um debate antigo em bases novas. Durante anos, uma polémica opôs, num extremo, os que pensavam que ao professor bastava ter estudado a ciência que ensinava e, noutro extremo, os que pensavam que lhe bastava saber muito de didáctica e de pedagogia. De um lado, ensinou-se aos futuros professores tópicos avançados, sem qualquer preocupação com as matérias que iriam ensinar. De outro, ensinaram-se sobretudo teorias pedagógicas, como se elas pudessem suprir a falta de conhecimento substantivo dos professores.

Como sempre, os exageros floresceram. Em algumas faculdades, os futuros professores estudaram literatura comparada, mas não tiveram práticas de escrita; noutras passaram anos a digerir ensaios de sociologia pós-moderna sobre a «metáfora educativa», mas pouco estudaram do que iriam ensinar. Há casos grotescos. (...)

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21.9.09

Apontamentos de Lisboa - 'Pequena e Média'... criminalidade



A FOTO DE CIMA é de sexta-feira passada e mostra um marco de correio que, dia-sim-dia-não, é arrombado. Quando o fotografei, havia no interior uma carta... As outras fotos são de hoje. Todas estas caixas ficam na mesma rua, e mostram um fenómeno de que só agora se começa a falar com alguma frequência: os assaltos a caixas de correio.
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Em tempos, em conversa com um graduado da PSP (a propósito dos assaltos a parquímetros, feitos à vista de toda a gente), ele disse-me que um dos motivos por que não podiam fazer nada (mesmo que apanhassem os larápios - o que, já de si, não era fácil) era que a EMEL não apresentava queixa.
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Recentemente, e com pouco tempo de intervalo, pude testemunhar três roubos, à luz do dia, numa mesma livraria. Da primeira vez, tomei até nota da matrícula do carro em que os ladrões fugiram, e ofereci-me para testemunha. Em nenhum dos casos o lesado quis apresentar queixa. «Não adianta nada...» - foi, sempre, a resposta. Por experiência própria, sei que é verdade, e também muitas das vítimas temem represálias. A grande vantagem dessa inacção é que contribui para a melhoria das estatísticas da criminalidade - o que já não é mau de todo.

J. Alberto Carvalho

Por José António Lima

O DIRECTOR de Informação da RTP veio dizer que não sabe se haverá condições para manter o espaço de opinião de Marcelo Rebelo de Sousa, se António Vitorino deixar o seu comentário.
Não sabe?! Não compete em exclusivo a quem ocupa o seu cargo tomar tal decisão? Está condicionado por quem ou por quê? Pela administração? Pela insustentável ERC? Pelo resultado das eleições? Marcelo, que faz há longos anos comentário, só pode agora exprimir as suas opiniões com um pendura do PS atrelado a si? E para Mário Soares ter um programa televisivo também vão dar outro a Ramalho Eanes, para ‘equilibrar’?
Estranhos conceitos estes de liberdade de opinião e de independência da informação...

«... & Sombra» - «SOL» de 18 de Setembro de 2009

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Passatempo-relâmpago de 21 Set 09

ESTAVA eu muito entretido a fotografar este velho motociclo (estacionado junto à esquadra da Mouraria), quando senti aproximar-se, devagarinho, um carro-patrulha da PSP, com dois agentes, que parou mesmo atrás de mim. Fiz-me de desentendido, e continuei a minha tarefa - convencido de não estava a fazer nada de ilegal...

Perguntas com prémio:
  • Porque é que a motorizada me chamou a atenção?
  • Porque é que os agentes pararam (ou o que é que, no essencial, disseram)?
  • O que é que se passou, ultimamente, para que os livros cujas capas aqui se vêem estejam hoje aqui - evidentemente como prémios a atribuir?
NOTA: As respostas só serão válidas depois de o sitemeter atingir o n.º 966669. Como só há 2 livros, só haverá 2 premiados. Mas também só é preciso acertar em 2 das 3 perguntas...

Act.: A 1ª e a 3ª respostas foram dadas correctamente. A 2ª está no comentário das 19h50m.

O (mau) capitalismo português

J.L. Saldanha Sanches

O PS, O PSD E O CDS são os partidos do poder: os que estão comprometidos com as derrapagens das obras públicas e falcatruas avulsas que se arrastam pelos tribunais. Ao Bloco de Esquerda cabe denunciar estes desmandos.

Não é difícil. Francisco Louçã não tem que se esforçar muito para denunciar as tranquibérnias da república: basta servir de porta-voz ao Tribunal de Contas. Um ponto nodal, porque as derrapagens das obras são apenas a face mais obscenamente visível daquele feroz rent seeking perfeitamente legal ou ilegalíssimo que caracteriza o capitalismo português e que tem conduzido a crescimentos do produto à volta de 1% (apesar das transferências comunitárias). (...)

Texto integral [aqui]

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Apontamentos de Lisboa - A "planta da casa"


Rua da Vitória - Qual?

O último capitão de indústria

Por Joaquim Letria

ULTIMAMENTE tenho visto partir muitos amigos. Alguns recordo-os aqui, outros guardo-os na intimidade dos sentimentos, conforme o que foram e representam, para mim e para os outros.

Verificou-se o desaparecimento, infelizmente há muito anunciado por três dolorosos anos de coma, de José Manuel de Mello, herdeiro da poderosa CUF e primeiro presidente da Lisnave, com o seu estaleiro maior do mundo. Com ele, desaparece o último verdadeiro capitão da indústria de Portugal.

Fomos apresentados por Manuel Figueira nos anos 60. Ver-nos-íamos mais tarde, nos desportos náuticos e, por fim, encontrar-nos-íamos para falarmos de caça e da sua paixão derradeira, os cavalos lusitanos que adorava conduzir e o vinho que produzia na sua herdade. Fazia servir, ao almoço, na salinha contígua ao seu gabinete, os melhores pastéis de bacalhau com arroz de grelos do mundo...

José Manuel de Mello era um homem de acção e de carácter. Quando recomprou a Lisnave depois de anos de exílio após o 25 de Abril, pagando pelas acções que lhe tinham nacionalizado, o presidente do IPE fez aquele elogio bacoco que a gente conhece à cooperação entre o público e o privado e ficou à espera da resposta.

Porém, o “Sr. Mello”, avesso a hipocrisias e protocolos, virou-se para o advogado de que se fizera acompanhar e perguntou, de modo a que todos ouvissem:
-Oh Serra Lopes! De certeza que comprar coisas roubadas não é crime?!

Estava feito o discurso deste cavalheiro da indústria que, quando três economistas ilustres foram soltos depois de estarem dois anos presos pela PIDE, os reintegrou na CUF, para escândalo da ditadura e admiração de muita gente de esquerda com quem discretamente trabalhou.

«24 horas» de 21 de Setembro de 2009

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Exomuseu da Natureza

Por A. M. Galopim de Carvalho

EM 1983 FUI DESIGNADO pelos meus pares da Faculdade de Ciências de Lisboa para dirigir o Museu Mineralógico e Geológico, parte importante do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, confinado às suas paredes, como ainda é, trinta anos volvidos sobre o grande incêndio de 1978. Um tal vazio e a inexistência de qualquer propósito de recuperação, não obstante as promessas, por parte da tutela, deixaram-me espaço para conceber um outro tipo de musealização que me conduziu, à ideia de um Exomuseu da Natureza.

Concebido como um conjunto de ocorrências naturais, esta estrutura museológica, geograficamente dispersa, é coordenada a partir de uma dada instituição (um museu, uma autarquia, uma universidade, uma fundação) que as identifica, inventaria, e as aceita como “peças” que, como tal, protege, estuda, valoriza e explica ao visitante. (...)

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Uma nova fileira agrícola

Por Helena Matos

HÁ ALGUNS ANOS não se fazia campanha sem agricultores. Ter a pasta da Agricultura era mais ou menos o mesmo calvário que ir para a 5 de Outubro.
Talvez para compensar este ofuscar mediático da agricultura estamos a registar um assinalável incremento no plantio de notícias. Algumas estão verdes. Outras devem ter sobrado de colheitas passadas. Mas convém ter cuidado com a colheita. Mesmo muito cuidado.

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20.9.09

ONTEM, em Alfama, deparei-me com este autocolante, do BE, que não conhecia. Está já muito desbotado (o que não admira, pois é de 2002), mas não resisti a afixá-lo, no dia em que se soube que Mário Soares afirmou que não lhe repugna nada uma coligação PS/BE.

Sombra

Por João Paulo Guerra

Aqui há uns anos, ao sair do cinema onde tinha visto o filme “Wag the dog” (“Manobras na Casa Branca”, em português), um jovem casal comentava atrás de mim: “Como se isto fosse possível”.

O FILME DO REALIZADOR Barry Levinson, datado de 1997, conta a história de um “spin doctor” (Robert De Niro) que contrata um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para “fabricar” uma “guerra” com vista a esconder um escândalo sexual que envolvia um presidente em processo de reeleição. Ou seja: o filme mais parecia um documentário da política americana dos últimos anos mas o ingénuo casal português comentava: “Como se isto fosse possível”.

Recordo o episódio a propósito da publicação do livro “Fontes Sofisticadas de Informação”, da autoria de Vasco Ribeiro, ex-assessor de imprensa e actual docente de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. Conclui o autor que só um terço do noticiário político publicado em Portugal resulta da iniciativa das redacções dos jornais. Mais de 60 por cento das notícias analisadas resultaram de indução por parte de assessores de imprensa, relações públicas, consultores de comunicação, porta-vozes e outros peritos em 'spin doctoring'. E os leitores, por regra, não detectam a intervenção de tais técnicos.

As notícias analisadas aleatoriamente pelo autor foram publicadas nas páginas de política do Público, Diário de Notícias, Correio da Manhã e Jornal de Notícias entre 1990 e 2005. Imagino que uma amostragem recolhida em tempo de eleições daria resultados bem mais escandalosos sobre a manipulação, a propaganda, os recados disfarçados de notícias. E sobre a ingenuidade dos que votam para continuar a ser enganados. Manipulação? Notícias da sombra? Como se isso fosse possível!

«DE» de 18 de Setembro de 2009

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Os vampiros - Passatempo-relâmpago de 20 Set 09

COMO se sabe, os livros da Vampiro são tantos, que há sempre um título ou outro que se presta a adaptações à realidade portuguesa. Não é exactamente o caso deste, pois foi necessário conceber uma pequena manipulação (que, por sinal, não chegou a ser concluída). Mesmo assim, o passatempo pode ser - precisamente - desmontá-la, permitindo responder à seguinte questão tripla:
  • Qual o título original do livro?
  • Que alteração se preparava no título original para ele se adaptar a uma determinada personagem nacional ultimamente muito referida?
  • E de quem se trata?
Como habitualmente sucede quando as questões são simples, há que introduzir uma dificuldade qualquer. A de hoje será: as respostas deverão ser dadas num momento tal que a soma dos 4 algarismos da hora:minuto dê 10. Não é preciso dizer que o prémio será, precisamente, um exemplar do livro.
Actualização (13h38m): as respostas certas já foram dadas, como se pode ver [aqui].

«Faca na Liga»

Por Joaquim Letria

Árbitros continuam a ajudar futebol de 9

O árbitro Soares Dias deu o tom: à passagem da meia hora já havia um jogador do Olhanense expulso. À passagem da hora foi para a rua o segundo! Ultimamente, no futebol português, é moda: equipas de 9 jogadores defrontam adversários mais poderosos e com maior número de jogadores. Mas nem sempre essa desproporção resulta, como foi o caso do Olhanense, do Jorge Costa, contra a Académica de Coimbra, que nem assim deu um arzinho da sua graça e saiu derrotada do estádio José Arcanjo. Mas se julgam que este foi o único caso, estão redondamente enganados: o Paços de Ferreira também acabou com nove jogadores contra o Sporting, no Estádio de Alvalade. Bruno Paixão aviou Fábio Pacheco e Baiano do Paços, o que lhes faz muita diferença na jornada do presente fim-de-semana. O Rio Ave também teve que aquecer a água do banho mais cedo para atletas seus expulsos e a mais escandalosa terá sido, porventura, a expulsão do guarda-redes Marco, do Trofense, à passagem dos 20 minutos de jogo! O que eu estranho, nesta fúria disciplinar, é não haver quem acompanhe as medidas de promover o futebol de 9, reduzindo ao mesmo tempo os preços do futebol da Liga até os jogos ficarem todos uniformizados. (...)

Texto integral [aqui]

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19.9.09

Apontamentos de Lisboa

Rua do Ouro, esta tarde

PMP

Por João Paulo Guerra

Em matéria de partidos políticos mais vale muitos que um único, ou que apenas dois, bipolarizados numa alternância que mais parece um alterne. Mas 15 – tantos os que concorrem às legislativas – é um exagero. Quantos portugueses serão capazes de traduzir por extenso as siglas MEP, MMS, PPV, PTP, FEH? E quantos sabem por que razão concorre o PPM à Assembleia da República? Ou quais as expectativas eleitorais do POUS?

A QUESTÃO QUE AGORA SE LEVANTOU em campanha é que pelo andar da carruagem os portugueses não sabem e jamais saberão, porque os 10 micro-partidos não são tratados em igualdade de circunstâncias com os grandes. A verdade é que os portugueses sabem tanto sobre o número e nome dos partidos que compõem e Frente da Terra com o Humanismo, como saberão os programas dos dois partidos de alta competição ou as propostas concretas dos três Pequenos e Médios Partidos (PMP). A chamada comunicação social trata os partidos de forma desigual, usando critérios jornalísticos, mas alguém imagina o que seriam debates de 15 partidos, rondas atrás de 15 campanhas – a maior parte das quais de iniciativas às moscas –, debates cruzados, todos contra todos, entre 15 candidaturas, o que levaria a quase tantas jornadas e jogos como a primeira volta do campeonato de futebol?

Nem sequer há ideologias ou opinião pública para tanto partido. O que há é interesses, pessoais e de grupo, capelinhas. E uma lei permissiva para a criação de partidos que nem sempre é cumprida. Há um partido que se constituiu, não reunindo o número mínimo legal de apoiantes, mas comprando as dívidas de uma sigla anterior que depois modificou. A representação das minorias é própria da democracia. A proliferação de ranchos é do domínio do folclore.

«DE» de 17 de Setembro de 2009

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